
Famosos nas eleições de 2026: quem virou político e quem ficou pelo caminho
A fama abriu portas, mas não garantiu mandato. A eleição de 2026 levou atores, apresentadores, cantores, influenciadores, ex-jogadores e personalidades da televisão para as urnas. Alguns transformaram popularidade em votos e conquistaram cadeiras. Outros descobriram que milhões de seguidores não necessariamente se transformam em votos na urna eletrônica.
As eleições de 2026 também tiveram seu capítulo de celebridades. Entre candidatos conhecidos do grande público estavam nomes da televisão, da música, do esporte, das redes sociais e até participantes de reality shows.
O resultado foi bastante desigual.
Enquanto Thammy Miranda, Thiago Gagliasso, Ana Elisa, Luiz Philippe de Orleans e Bragança e Mario Frias conseguiram mandato, uma lista extensa de famosos ficou pelo caminho.
E talvez esteja aí a principal lição dessa eleição: ser conhecido não é a mesma coisa que ser eleito.
Quem conseguiu transformar fama em voto
Thiago Gagliasso — PL/RJ
O ator Thiago Gagliasso, irmão de Bruno Gagliasso, foi eleito deputado federal pelo PL do Rio de Janeiro.
Ele recebeu 67.700 votos e conquistou uma das 46 cadeiras destinadas ao Estado na Câmara dos Deputados.
A eleição representa a entrada de mais uma personalidade conhecida da televisão no Legislativo federal.
Ana Elisa — Minas Gerais
Em Minas Gerais, o destaque foi a influenciadora Ana Elisa.
Aos 21 anos, ela recebeu 524.216 votos e foi eleita deputada federal, ficando atrás apenas de Nikolas Ferreira na votação para a Câmara no Estado.
O resultado também a colocou como a mulher mais jovem eleita deputada federal por Minas Gerais.
Thammy Miranda — PSD/SP
Em São Paulo, Thammy Miranda (PSD) conseguiu renovar sua presença na política.
Filho de Gretchen, ele foi eleito deputado estadual com 84.330 votos para a Assembleia Legislativa de São Paulo.
Dessa vez, a popularidade conseguiu atravessar a fronteira entre televisão, redes sociais e política.
Luiz Philippe de Orleans e Bragança — PL/SP
Luiz Philippe de Orleans e Bragança (PL) foi reeleito deputado federal por São Paulo.
Os resultados publicados pelos veículos consultados apontam votação na faixa de 167 mil votos, suficiente para garantir novamente uma cadeira na Câmara.
Mario Frias
O ator e ex-secretário de Cultura Mario Frias também conquistou uma cadeira na Câmara dos Deputados.
Sua eleição amplia a presença de personalidades conhecidas do público televisivo no Legislativo federal.
Agora vem a lista dos famosos que ficaram de fora

Se alguns comemoraram, outros tiveram de assistir à apuração com uma calculadora na mão.
E a lista é extensa.
Tiririca — PSD/CE
Um dos casos mais simbólicos é o de Tiririca.
Depois de quatro eleições consecutivas vencendo em São Paulo e de permanecer 16 anos na Câmara, o humorista mudou seu domicílio eleitoral e tentou disputar uma vaga pelo Ceará.
Recebeu 5.523 votos.
Não conseguiu.
A primeira eleição de Tiririca, em 2010, havia sido histórica: mais de 1,3 milhão de votos. Depois, ele foi reeleito em 2014, 2018 e 2022.
Em 2026, a história mudou.
O palhaço que chegou à Câmara com uma avalanche de votos não conseguiu nem repetir uma fração daquele desempenho no novo Estado.
Rachel Sheherazade — PSD/SP
A jornalista Rachel Sheherazade (PSD) tentou uma vaga de deputada federal por São Paulo.
Recebeu cerca de 20 mil votos e ficou fora da Câmara.
Foi sua primeira disputa eleitoral, segundo os levantamentos publicados após a votação.
Datena — PSB/SP
O apresentador José Luiz Datena (PSB) também tentou uma cadeira de deputado federal por São Paulo.
Recebeu 51.071 votos, mas não foi eleito.
Depois de décadas diante das câmeras, o apresentador tentou trocar o estúdio pelo plenário.
Dessa vez, o eleitor decidiu manter o microfone longe do Congresso.
Geraldo Luís — Avante/SP
O apresentador Geraldo Luís (Avante) recebeu 10.166 votos e também não conseguiu uma vaga na Câmara.
Silvia Abravanel — PSD/SP
A apresentadora Silvia Abravanel, filha de Silvio Santos, concorreu a deputada federal pelo PSD de São Paulo.
Recebeu cerca de 22,4 mil votos e ficou fora das 70 cadeiras destinadas ao Estado.
Manoel Gomes, o Caneta Azul — Avante/SP
O cantor Manoel Gomes, conhecido nacionalmente como Caneta Azul, tentou novamente entrar na política.
Pelo Avante, disputou uma vaga de deputado federal por São Paulo e recebeu aproximadamente 7,2 mil votos.
Foi sua segunda tentativa eleitoral. Em 2022, havia concorrido a deputado estadual pelo Maranhão e também não conseguiu se eleger.
A ironia praticamente vem pronta:
a caneta ficou azul, mas o resultado não ficou eleitoralmente suficiente.
MC Gui — PSD/SP
O funkeiro MC Gui (PSD) estreou em uma eleição e tentou uma vaga de deputado federal por São Paulo.
Recebeu 7.378 votos, insuficientes para conquistar uma cadeira.
Sikêra Jr. — Republicanos/SP
O apresentador Sikêra Jr. (Republicanos) também ficou fora.
Ele recebeu aproximadamente 37 mil votos na disputa por uma cadeira federal em São Paulo.
Luís Fabiano — MDB/SP
O ex-jogador Luís Fabiano (MDB) tentou uma vaga de deputado federal por São Paulo.
Não conseguiu.
A fama conquistada nos gramados não foi suficiente para levá-lo ao Congresso.
Lucas Penteado — PT/SP
O ator e ex-BBB Lucas Penteado (PT) também disputou uma cadeira de deputado federal por São Paulo e ficou fora.
Rio de Janeiro: vários famosos ficam pelo caminho
O Rio também teve sua lista de derrotados.
Edmundo — PSDB/RJ
O ex-jogador Edmundo (PSDB) recebeu 35.725 votos na disputa por uma vaga de deputado federal.
Não conseguiu se eleger.
Humberto Martins — DC/RJ
O ator Humberto Martins (DC) recebeu 1.124 votos e ficou fora da Câmara.
Sarah Poncio — Solidariedade/RJ
A influenciadora Sarah Poncio (Solidariedade) recebeu 20.464 votos, mas não conquistou uma cadeira.
Antônia Fontenelle — PSDB/RJ
A apresentadora Antônia Fontenelle (PSDB) recebeu 3.863 votos e não foi eleita.
Inês Brasil — PSB/RJ
A cantora e influenciadora Inês Brasil (PSB) tentou uma vaga de deputada estadual.
Recebeu 3.145 votos.
Ficou fora da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.
Andréa Sorvetão — DC/RJ
A ex-paquita Andréa Sorvetão (DC) também tentou uma vaga e não conseguiu se eleger.
Recebeu 2.529 votos.
Outros famosos derrotados pelo Brasil
A lista não termina em São Paulo e Rio.
Vanderlei Luxemburgo — Podemos/TO
O ex-técnico de futebol Vanderlei Luxemburgo (Podemos) disputou uma vaga de senador pelo Tocantins.
Recebeu 67.989 votos, mas não foi eleito.
Vivian Amorim — União Brasil/AM
A ex-BBB e apresentadora Vivian Amorim (União Brasil) disputou uma vaga de deputada estadual no Amazonas.
Recebeu 10.797 votos e ficou fora da Assembleia Legislativa.
Matteus Amaral — PP/RS
O ex-BBB Matteus Amaral (PP) concorreu a deputado federal pelo Rio Grande do Sul.
Recebeu 51.437 votos, mas não conseguiu uma cadeira.
Marcelinho Carioca — Republicanos/DF
O ex-jogador Marcelinho Carioca (Republicanos) também tentou uma vaga no Legislativo, concorrendo a deputado distrital no Distrito Federal.
Não foi eleito.
Menina da Bota — União Brasil/MG
A influenciadora e cantora Maria José Mendes da Cruz, conhecida como Menina da Bota, disputou uma vaga de deputada federal por Minas Gerais.
Aos 23 anos, recebeu 9.610 votos, mas ficou fora da Câmara.
Gyselle Soares — PP/PI
A atriz e ex-BBB Gyselle Soares (PP) chegou a ser anunciada entre as candidaturas, mas sua situação eleitoral terminou registrada como renúncia, não tendo efetivamente participado da disputa.
A lista consolidada dos famosos que não conseguiram mandato
Entre os nomes citados nos levantamentos consultados estão:
Tiririca — PSD/CE
Rachel Sheherazade — PSD/SP
Datena — PSB/SP
Geraldo Luís — Avante/SP
Silvia Abravanel — PSD/SP
Manoel Gomes, o Caneta Azul — Avante/SP
MC Gui — PSD/SP
Sikêra Jr. — Republicanos/SP
Luís Fabiano — MDB/SP
Lucas Penteado — PT/SP
Humberto Martins — DC/RJ
Edmundo — PSDB/RJ
Sarah Poncio — Solidariedade/RJ
Antônia Fontenelle — PSDB/RJ
Inês Brasil — PSB/RJ
Andréa Sorvetão — DC/RJ
Vanderlei Luxemburgo — Podemos/TO
Vivian Amorim — União Brasil/AM
Matteus Amaral — PP/RS
Marcelinho Carioca — Republicanos/DF
Menina da Bota — União Brasil/MG
E, entre os eleitos destacados:
Thiago Gagliasso — PL/RJ
Ana Elisa — MG
Thammy Miranda — PSD/SP
Luiz Philippe de Orleans e Bragança — PL/SP
Mario Frias — SP.
Fama ajuda, mas a urna não distribui autógrafos
A eleição de 2026 deixou uma mensagem bastante objetiva para quem pretende transformar celebridade em carreira política.
Televisão ajuda.
Música ajuda.
Redes sociais ajudam.
Fama ajuda.
Mas nenhum desses elementos substitui voto.
Tiririca descobriu isso de maneira especialmente simbólica: depois de quatro mandatos consecutivos, mudou de Estado e ficou fora.
Caneta Azul tentou novamente e não conseguiu.
Datena levou dezenas de milhares de votos, mas também ficou sem cadeira.
Rachel Sheherazade, Silvia Abravanel, Geraldo Luís e Sikêra Jr. não transformaram a audiência televisiva em mandato.
Ex-jogadores como Edmundo, Luís Fabiano e Marcelinho Carioca também descobriram que a torcida não necessariamente comparece à urna.
E nomes de reality shows, como Matteus Amaral e Vivian Amorim, tiveram de lidar com a mesma matemática.
No fim, a urna não pede foto, autógrafo nem audiência.
Ela pede voto.
E em 2026 alguns famosos ganharam o passaporte para Brasília e para as assembleias legislativas.
Outros, porém, terão de voltar aos palcos, aos estúdios, aos campos, às redes sociais ou simplesmente para casa.
Porque, na política, até quem já foi muito famoso precisa fazer uma coisa bastante pouco glamourosa:
convencer o eleitor a apertar o número certo.