
19 senadores tentam voltar, mas urnas fecham a porta: veja quem perdeu a reeleição em 2026
Dos 32 senadores que disputaram a reeleição em 2026, 19 não conseguiram renovar o mandato. Entre os derrotados estão Randolfe Rodrigues, Renan Calheiros, Ciro Nogueira, Soraya Thronicke e Esperidião Amin. A lista mostra uma renovação expressiva no Senado — e, para alguns veteranos, chegou a hora de arrumar as malas.
A eleição de 2026 produziu uma mudança significativa no Senado Federal. De 32 senadores que tentaram a reeleição, 19 foram derrotados, segundo o levantamento baseado nos resultados eleitorais. Isso significa que aproximadamente 59% dos parlamentares que buscaram permanecer na Casa não conseguiram mais oito anos de mandato.
Entre os nomes que ficaram pelo caminho estão políticos com décadas de atuação em Brasília, ex-líderes partidários, presidentes de partidos, integrantes da base do governo Lula e também representantes da oposição.
Em outras palavras: o currículo era grande, o mandato era longo, mas a urna não assinou a renovação.
Veja a lista dos senadores derrotados
Os 19 parlamentares que tentaram a reeleição e não conseguiram foram:
- Sergio Petecão (PSD-AC) — 10,38%;
- Renan Calheiros (MDB-AL) — 22,39%;
- Randolfe Rodrigues (PT-AP) — 18,55%;
- Angelo Coronel (Republicanos-BA) — 20,23%;
- Leila do Vôlei (PDT-DF) — 21,25%;
- Fabiano Contarato (PT-ES) — 12,94%;
- Marcos do Val (Avante-ES) — 4,17%;
- Vanderlan Cardoso (PSD-GO) — 9,48%;
- Weverton Rocha (PDT-MA) — 15,19%;
- Eliziane Gama (PT-MA) — 9,75%;
- Carlos Viana (PSD-MG) — 17,47%;
- Soraya Thronicke (PSB-MS) — 13,07%;
- Carlos Fávaro (PSD-MT) — 11,50%;
- Zequinha Marinho (Podemos-PA) — 21,07%;
- Ciro Nogueira (PP-PI) — 24,68%;
- Zenaide Maia (PSD-RN) — 17,47%;
- Chico Rodrigues (PSB-RR) — 13,43%;
- Esperidião Amin (PP-SC) — 15,31%;
- e outro nome incluído nos levantamentos conforme a totalização e classificação final do pleito.
O levantamento publicado pela VEJA registra 18 nomes entre os derrotados; outro levantamento baseado nos dados do TSE aponta 19 derrotas entre os 32 candidatos à reeleição. A diferença decorre da forma como as listas contabilizam determinadas situações eleitorais e precisa ser conferida na totalização oficial consolidada.
Renan Calheiros: depois de 32 anos, a cadeira acabou
Um dos resultados mais simbólicos foi o de Renan Calheiros (MDB-AL).
Senador desde 1995 e ex-presidente do Senado e do Congresso Nacional em três oportunidades, Renan tentou conquistar seu quinto mandato consecutivo na Casa.
Não conseguiu.
Com 22,39% e 709.173 votos, terminou em terceiro lugar em Alagoas. As duas vagas ficaram com Arthur Lira (PP) e Marina JHC (PSDB).
A derrota encerra uma permanência de aproximadamente três décadas no Senado.
Para um político acostumado às grandes disputas de Brasília, a mensagem foi direta: desta vez, a cadeira não estava reservada.
Randolfe Rodrigues também fica de fora
No Amapá, a derrota foi de Randolfe Rodrigues (PT).
Atual líder do governo Lula no Congresso, Randolfe terminou em terceiro lugar, com 18,55% dos votos.
As vagas ficaram com Rayssa Furlan (Podemos) e Lucas Barreto (PSD).
Depois de dois mandatos no Senado, Randolfe terá de deixar a Casa.
O cargo de líder do governo no Congresso, portanto, não se transformou em passaporte eleitoral.
Ciro Nogueira: presidente do PP também perde
No Piauí, outro nome de enorme influência partidária ficou pelo caminho.
Ciro Nogueira (PP), presidente nacional do Progressistas e líder da oposição no Senado, terminou em terceiro lugar, com 24,68% e 902.026 votos.
As vagas foram conquistadas por Marcelo Castro (MDB) e Júlio César (PSD).
Ciro reconheceu a derrota após a apuração.
Mais uma vez, a eleição mostrou que ocupar uma posição importante dentro de um partido não garante automaticamente a permanência no Senado.
Soraya Thronicke: uma mudança de rota que não terminou em reeleição
Outro resultado de forte simbolismo foi o de Soraya Thronicke (PSB-MS).
Eleita em 2018 com apoio do então candidato Jair Bolsonaro, Soraya posteriormente rompeu politicamente com o ex-presidente, disputou a Presidência em 2022 em posição independente e, mais recentemente, aproximou-se do campo político de Lula.
Em 2026, terminou em quarto lugar, com 13,07%.
E há uma ironia eleitoral evidente no resultado: as duas vagas de Mato Grosso do Sul ficaram com candidatos do PL ligados ao bolsonarismo.
A política permite mudar de partido, mudar de aliança e “recalcular a rota”.
Mas quem decide se o eleitor acompanha a mudança é a urna.
Neste caso, não acompanhou.
Esperidião Amin também ficou fora
Em Santa Catarina, o experiente Esperidião Amin (PP) terminou em terceiro lugar, com 15,31%.
As duas vagas ficaram com Carol De Toni (PL) e Carlos Bolsonaro (PL).
Amin já havia sido senador anteriormente e tentava voltar a garantir uma cadeira para mais um mandato.
Não conseguiu.
O resultado catarinense ainda teve um elemento político particularmente marcante: as duas vagas foram conquistadas pelo PL, consolidando a força do partido no Estado.
Uma lista que atravessa governo e oposição
A renovação não atingiu somente um grupo político.
Entre os derrotados estão nomes ligados ao governo Lula, como Randolfe Rodrigues, Fabiano Contarato e Eliziane Gama, mas também figuras de outros campos, como Ciro Nogueira, Esperidião Amin e Zequinha Marinho.
Isso torna o resultado mais amplo do que uma simples disputa entre governo e oposição.
O eleitorado de diferentes Estados fez suas próprias escolhas.
E muitos senadores que estavam acostumados aos corredores do Congresso terão de encontrar outro caminho político a partir de 2027.
O recado das urnas
O Senado não é um clube com cadeira vitalícia.
A cada oito anos, os eleitores podem renovar ou retirar o mandato de seus representantes.
Em 2026, a renovação foi especialmente expressiva.
Renan perdeu. Randolfe perdeu. Ciro perdeu. Soraya perdeu. Amin perdeu. Petecão perdeu. Contarato perdeu. Leila perdeu.
E a lista continua.
Para alguns, será apenas uma pausa na carreira. Para outros, pode representar o encerramento de um longo ciclo.
Mas uma coisa ficou clara:
não importa quantos anos de Senado um político tenha, quantas lideranças tenha ocupado ou quantas vezes tenha aparecido no centro das grandes articulações de Brasília. No dia da eleição, a urna não reconhece currículo. Reconhece voto.
E, em 2026, para esses senadores, o voto não veio em quantidade suficiente para garantir a passagem de volta ao Senado.
A porta da Casa abriu para novos nomes.
Para os derrotados, resta agora recolher os discursos, guardar o crachá e voltar para casa — pelo menos até a próxima eleição.