Feminicídio em sala de aula choca Porto Velho e expõe a brutalidade da violência contra mulheres

Professora de Direito é assassinada por aluno dentro de faculdade; crime gera comoção, revolta e pedidos por justiça

A morte da professora de Direito Juliana Santiago, de 41 anos, deixou Porto Velho em estado de choque e reacendeu um debate doloroso sobre a violência contra mulheres no Brasil. Juliana foi assassinada a facadas dentro de uma sala de aula, em um ambiente que deveria simbolizar conhecimento, segurança e respeito. O crime é investigado como feminicídio.

O ataque aconteceu após o fim da aula, quando a professora ficou sozinha na sala. Segundo testemunhas e informações da polícia, um aluno do quinto período do curso de Direito esperou o momento de isolamento para iniciar uma discussão e, em seguida, desferir golpes de faca contra Juliana. Ela foi atingida no tórax e nos seios e ainda sofreu ferimentos no braço, indicando tentativa de defesa.

Mesmo socorrida por estudantes e levada às pressas ao Hospital João Paulo II, Juliana não resistiu e morreu antes de receber atendimento médico. O agressor tentou fugir, mas foi contido por outros alunos, entre eles um policial militar, e acabou preso em flagrante. A Justiça converteu a prisão em preventiva.

Em depoimento, o autor confessou o crime e alegou motivação passional, afirmando ter mantido um relacionamento com a professora. Essa versão, no entanto, não foi confirmada pela família da vítima nem pelas autoridades. Qualquer tentativa de justificar o assassinato, porém, não apaga a realidade brutal: trata-se de mais um caso de feminicídio, expressão máxima do ódio e do controle exercido contra mulheres.

Juliana Santiago era muito mais do que uma professora. Advogada, escrivã da Polícia Civil e docente de Direito Penal, ela era descrita pelos alunos como uma mulher generosa, dedicada e apaixonada pelo ensino. Buscava inovar em sala de aula, criava atividades diferentes, estimulava o pensamento crítico e tratava os estudantes com empatia e humanidade.

Pouco antes de morrer, Juliana havia prometido tornar suas aulas ainda mais envolventes. Organizou quizzes, distribuiu chocolates e incentivou a participação da turma. Ironia cruel do destino: entre os alunos que participaram dessas atividades estava o próprio autor do crime.

A faculdade suspendeu as aulas por três dias e divulgou nota de pesar, assim como diversas instituições e entidades jurídicas, que manifestaram solidariedade à família e repúdio ao assassinato. O corpo da professora foi levado para Salvador, onde será velado e sepultado.

O caso não é apenas uma tragédia individual. É um retrato brutal de uma violência estrutural que continua tirando a vida de mulheres em diferentes espaços — inclusive dentro de universidades. O feminicídio de Juliana Santiago exige mais do que luto: exige indignação, justiça e compromisso real para que crimes assim não se repitam.

Nenhuma mulher deve pagar com a própria vida por rejeitar, seguir em frente ou simplesmente existir. O que aconteceu em Porto Velho é inadmissível, revoltante e não pode ser normalizado. Justiça por Juliana. Repúdio ao feminicídio.

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