Ferrari lança primeiro carro elétrico da história e vê ações despencarem após reação negativa do mercado

Ferrari lança primeiro carro elétrico da história e vê ações despencarem após reação negativa do mercado

SUV elétrico de luxo criado por designer do iPhone divide opiniões e provoca queda bilionária nas ações da montadora italiana

A estreia do primeiro carro totalmente elétrico da Ferrari era para marcar uma nova era tecnológica da marca italiana. Mas o que deveria simbolizar inovação acabou provocando turbulência em Maranello e forte reação do mercado financeiro.

Batizado de “Luce”, o novo SUV elétrico da Ferrari foi apresentado oficialmente nesta semana como o modelo mais ousado da história da fabricante. Com impressionantes 1.050 cavalos de potência, velocidade máxima de 310 km/h e autonomia superior a 530 quilômetros, o veículo chamou atenção pelos números extraordinários. Ainda assim, bastaram poucas horas para que o entusiasmo inicial desse lugar a críticas, memes nas redes sociais e uma queda brusca nas ações da empresa.

Os papéis da Ferrari negociados na bolsa de Milão despencaram mais de 8% após a apresentação do modelo. A montadora viu bilhões evaporarem em valor de mercado enquanto investidores reagiam com desconfiança ao novo posicionamento da marca no universo dos carros elétricos.

O problema, segundo analistas e fãs da Ferrari, não estaria apenas no fato de a empresa entrar no mercado elétrico — algo considerado inevitável na indústria automotiva global —, mas principalmente na identidade visual e no conceito do novo veículo.

O Luce foge radicalmente da imagem clássica associada à Ferrari.

Com linhas arredondadas, perfil elevado e aparência de SUV futurista minimalista, o modelo abandonou boa parte dos elementos agressivos e esportivos que fizeram a fama da fabricante italiana ao longo de décadas. Para muitos apaixonados pela marca, o carro parece distante da essência emocional que transformou a Ferrari em símbolo mundial de desempenho e exclusividade.

A comparação mais repetida nas redes sociais foi curiosa: muitos internautas disseram que o Luce “parece mais um produto da Apple do que uma Ferrari”.

A observação não surgiu por acaso.

O design do modelo foi desenvolvido pelo estúdio LoveFrom, comandado por Jony Ive, responsável pelo visual de várias gerações do iPhone e considerado um dos designers mais influentes do mundo da tecnologia.

A Ferrari deu liberdade criativa total ao estúdio para desenvolver a identidade do projeto. O resultado foi um veículo com filosofia visual minimalista, telas limpas, comandos simplificados e um interior fortemente inspirado no universo da Apple.

Por dentro, o Luce aposta em superfícies elegantes, poucos botões físicos e uma experiência digital sofisticada. Já por fora, porém, o modelo gerou estranhamento até entre admiradores históricos da marca italiana.

O SUV possui detalhes considerados pouco convencionais para uma Ferrari, como o enorme para-brisa panorâmico, limpadores posicionados verticalmente nas laterais do vidro e portas traseiras com abertura invertida. Elementos pretos espalhados pela carroceria tentam suavizar o porte avantajado do veículo, algo incomum em um esportivo tradicional da marca.

Apesar das críticas ao visual, o desempenho impressiona.

O Luce utiliza quatro motores elétricos — um em cada roda — capazes de entregar aceleração brutal. O SUV vai de 0 a 100 km/h em apenas 2,5 segundos e alcança os 200 km/h em menos de sete segundos. A bateria de 122 kWh utiliza sistema de 800 volts e permite recargas ultrarrápidas em postos compatíveis.

Segundo a Ferrari, o modelo representa “uma Ferrari 360 graus” e simboliza não apenas um carro elétrico, mas uma nova filosofia para a empresa no futuro da mobilidade de luxo.

O preço acompanha a exclusividade: o Luce custará cerca de US$ 610 mil, valor equivalente a mais de R$ 3 milhões na conversão direta.

Mesmo com especificações impressionantes, investidores demonstraram preocupação com o impacto da mudança na identidade da marca. Analistas avaliam que parte do mercado teme que a Ferrari esteja se afastando do DNA emocional que sempre diferenciou a empresa de outras fabricantes de luxo.

O episódio mostrou que, para marcas icônicas como a Ferrari, entrar na era elétrica envolve muito mais do que tecnologia. Trata-se também de preservar tradição, emoção e identidade — elementos que, para muitos fãs, parecem ter ficado em segundo plano no nascimento do Luce.

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