
Filhos de Bolsonaro crítica Moraes e dizem que operação foi “humilhação calculada”
Flávio e Eduardo reagem com revolta às medidas da PF contra o pai; Justiça vê risco de fuga e ligação com Trump nos EUA
A nova investida da Polícia Federal contra Jair Bolsonaro provocou uma resposta imediata e inflamada de seus filhos, Flávio e Eduardo Bolsonaro. Nas redes sociais, ambos classificaram as ações autorizadas pelo ministro Alexandre de Moraes como abusivas, desnecessárias e movidas por motivações políticas.
Flávio, senador pelo PL do Rio de Janeiro, afirmou que o pai foi alvo de uma “humilhação planejada” e acusou Moraes de agir com “ódio”. Ele reclamou da proibição de Bolsonaro manter contato com diplomatas e com o próprio filho, chamando a medida de uma tentativa deliberada de ferir a família. “Fica firme, pai. Não vão nos calar!”, escreveu. Em tom dramático, afirmou que as restrições deixarão “cicatrizes na alma”.
A data da operação também foi alvo de críticas. Flávio ironizou o fato de ela ter ocorrido no início do recesso parlamentar, dizendo que foi um movimento “ardiloso” para aproveitar Brasília esvaziada. Ele ainda fez referência simbólica ao dia 18 de julho, o Mandela Day, sugerindo que a coincidência teria sido ignorada pelos autores da operação.
Enquanto isso, Eduardo Bolsonaro, que está nos Estados Unidos, recorreu ao inglês para denunciar o que chamou de retaliação de Moraes à carta enviada por Donald Trump em apoio ao ex-presidente brasileiro. Eduardo tem liderado articulações com aliados do ex-presidente norte-americano e, segundo a PF, Bolsonaro teria financiado parte dessas ações com ao menos R$ 2 milhões. A corporação acredita que as recentes tarifas impostas pelos EUA ao Brasil teriam relação com essas articulações — o que motivou o endurecimento das medidas.
Entre as medidas impostas estão o uso de tornozeleira eletrônica, o recolhimento domiciliar noturno (das 19h às 7h, inclusive nos fins de semana), a proibição de uso de redes sociais, e a vedação de contato com embaixadores e demais réus no processo. A PF aponta risco de fuga e cita que Bolsonaro já teria cogitado buscar abrigo em uma embaixada.
A operação ocorre no rastro do processo em que o ex-presidente é réu no Supremo Tribunal Federal por tentativa de golpe de Estado. A Procuradoria-Geral da República (PGR) endossou a ação e alertou para sinais de obstrução de Justiça e ameaça à soberania nacional.
Enquanto as investigações avançam, os filhos de Bolsonaro mantêm a linha de confronto com o Judiciário, transformando o episódio em mais um capítulo da guerra entre bolsonarismo e instituições.