
Flávio Bolsonaro acusa ministros do STF de interferência nas eleições e projeta debate sobre impeachment em 2027
Durante entrevista ao Flow Podcast, o senador e pré-candidato à Presidência criticou decisões dos ministros Alexandre de Moraes e Flávio Dino, afirmou que a Primeira Turma do STF estaria assumindo atribuições do TSE, contestou medidas judiciais envolvendo sua família e disse que um eventual novo Senado poderá discutir impeachment de magistrados da Suprema Corte.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, fez duras críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF) durante entrevista concedida ao Flow Podcast, na quarta-feira (15). Na conversa, o parlamentar acusou os ministros Alexandre de Moraes e Flávio Dino de atuarem politicamente para influenciar as eleições e afirmou que a Primeira Turma do STF estaria exercendo funções que, segundo sua avaliação, caberiam ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Ao longo da entrevista, Flávio sustentou que decisões recentes da Suprema Corte fazem parte de uma estratégia para enfraquecer lideranças da direita e, especialmente, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Segundo ele, as medidas adotadas pelo colegiado buscam impedir o avanço político do grupo nas eleições de 2026.
Críticas à atuação da Primeira Turma do STF
Durante a entrevista, o senador afirmou que a Primeira Turma do Supremo estaria funcionando como uma espécie de “atalho” institucional para exercer funções relacionadas ao processo eleitoral.
Na avaliação do parlamentar, ministros da Corte estariam utilizando decisões judiciais para atingir parlamentares e lideranças conservadoras, interferindo diretamente no ambiente político nacional.
Flávio declarou que esse movimento representaria uma atuação incompatível com as atribuições constitucionais do Supremo, tese defendida por ele durante a conversa.
Ataques a Flávio Dino
Grande parte das críticas foi direcionada ao ministro Flávio Dino.
O senador questionou a decisão do magistrado que determinou o bloqueio de R$ 119,2 milhões em bens do presidente nacional do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto, no contexto das investigações relacionadas às emendas parlamentares.
Segundo Flávio Bolsonaro, não haveria elementos que justificassem a medida cautelar. O parlamentar afirmou que não identifica crimes ou atos de corrupção atribuídos ao dirigente partidário e classificou a atuação de Dino como motivada por interesses políticos.
Durante a entrevista, o senador também fez críticas pessoais ao ministro, afirmando que seu objetivo seria enfraquecer a direita e instituições que considera importantes para esse segmento político, como igrejas e famílias.
Críticas a Alexandre de Moraes
Flávio também voltou a criticar decisões do ministro Alexandre de Moraes, especialmente a medida que o proibiu de visitar o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, durante o período de 90 dias estabelecido pela decisão judicial.
Segundo o parlamentar, a restrição foi aplicada após ele tornar pública uma carta escrita por Jair Bolsonaro.
Na entrevista, Flávio argumentou que outras quatro correspondências semelhantes já haviam sido divulgadas anteriormente sem que houvesse qualquer questionamento por parte da Justiça, motivo pelo qual classificou a decisão como desproporcional.
Caso Eduardo Bolsonaro
Outro episódio mencionado pelo senador foi a condenação do irmão, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, pelo crime de calúnia em julgamento realizado pela Primeira Turma do STF.
Flávio afirmou que o caso integra uma sequência de decisões que, segundo ele, demonstrariam tratamento diferenciado contra integrantes de sua família e contra representantes da direita.
“Enterrar Bolsonaro vivo”
Ao comentar os processos envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro, Flávio afirmou que o objetivo das decisões judiciais seria “enterrar Bolsonaro vivo” politicamente.
Segundo ele, haveria uma tentativa de desgastar a imagem do ex-presidente e de parlamentares do Partido Liberal perante a opinião pública.
O senador também declarou que existiria uma estratégia para equiparar politicamente o PL ao Partido dos Trabalhadores (PT) em relação a acusações de irregularidades, rejeitando essa comparação.
Impeachment de ministros
Ao tratar do cenário político após as eleições de 2026, Flávio Bolsonaro afirmou acreditar que a composição do Senado poderá sofrer mudanças favoráveis aos partidos de direita.
Na avaliação do parlamentar, caso esse cenário se confirme, o debate sobre o impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal se tornará “inevitável” a partir de 2027.
Segundo ele, uma eventual nova maioria no Senado poderia eleger uma presidência da Casa alinhada à pauta e permitir o avanço de processos destinados a apurar supostos abusos de autoridade atribuídos a integrantes da Suprema Corte.
Defesa da direita
Apesar das decisões judiciais envolvendo integrantes de sua família e do Partido Liberal, Flávio Bolsonaro afirmou acreditar que esses episódios não impedirão o crescimento político da direita.
Ao encerrar a entrevista, utilizou uma metáfora para defender a continuidade do movimento conservador no país, afirmando que adversários políticos tentaram “enterrar” a direita, mas “esqueceram que ela era semente”, sugerindo que as medidas judiciais acabariam fortalecendo o grupo em vez de enfraquecê-lo.
As declarações do senador foram dadas em meio ao aumento das tensões entre integrantes da oposição e ministros do Supremo Tribunal Federal, em um contexto marcado por decisões judiciais envolvendo Jair Bolsonaro, parlamentares do Partido Liberal e investigações relacionadas ao cenário político e eleitoral brasileiro.