
Nikolas Ferreira ironiza governo Lula após tarifa de 25% dos EUA e amplia embate político nas redes
Deputado compartilha publicação de Marco Rubio, publica “Make the L” e intensifica críticas ao governo; Flávio Bolsonaro também responsabiliza Lula pela crise comercial, enquanto Itamaraty reage às acusações norte-americanas
A decisão do governo dos Estados Unidos de impor uma tarifa adicional de 25% sobre a maior parte das importações brasileiras provocou uma forte reação no cenário político nacional e ampliou o confronto entre governo e oposição. Logo após o anúncio oficial da medida, o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) utilizou as redes sociais para ironizar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), compartilhando uma publicação do secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, acompanhada da frase “Make the L”, em referência ao gesto associado aos apoiadores de Lula.
A publicação rapidamente repercutiu entre aliados e adversários do governo, tornando-se um dos assuntos mais comentados nas plataformas digitais. A manifestação de Nikolas ocorreu poucas horas depois de Rubio responsabilizar diretamente Lula pela deterioração das negociações comerciais entre Brasília e Washington.
Marco Rubio atribui tarifa ao governo brasileiro
Em sua declaração, divulgada após a confirmação das novas tarifas pelo governo do presidente Donald Trump, Marco Rubio afirmou que o governo brasileiro não negociou “de boa-fé” durante todo o processo.
Segundo o secretário de Estado norte-americano:
“Hoje, o presidente Trump determinou que o USTR imponha uma tarifa de 25% sobre a maioria das importações brasileiras. Não haja confusão sobre o motivo: o presidente Lula e seu governo não negociaram com os EUA de boa-fé.”
Rubio também criticou a política econômica do governo brasileiro, afirmando que ela seria prejudicial tanto aos cidadãos americanos quanto aos brasileiros.
Em outro trecho da manifestação, acrescentou:
“No último ano, Lula colocou seu próprio ego à frente de fazer um acordo pelo bem-estar do povo brasileiro, e essas tarifas são o preço por isso.”
As declarações representam uma das críticas mais duras feitas por integrantes do governo norte-americano ao presidente brasileiro desde o início da atual disputa comercial entre os dois países.
Nikolas usa declaração para atacar Lula
Pouco depois da divulgação da mensagem de Rubio, Nikolas Ferreira compartilhou a publicação em suas redes sociais e escreveu apenas:
“Make the L.”
A expressão faz uma adaptação do conhecido slogan eleitoral americano “Make America Great Again” (MAGA), utilizando a letra “L”, símbolo frequentemente associado à campanha de Lula. A publicação foi interpretada por apoiadores do parlamentar como uma provocação ao governo petista diante da imposição das tarifas.
O deputado não fez comentários adicionais sobre a política comercial entre Brasil e Estados Unidos, mas a postagem reforçou o posicionamento crítico que vem mantendo em relação à condução da política externa e econômica do governo federal.
Flávio Bolsonaro também responsabiliza Lula
Outro integrante da oposição que reagiu imediatamente foi o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República.
Ao comentar a publicação de Marco Rubio, Flávio afirmou que o Brasil estaria sendo conduzido por um governo incapaz de enfrentar a crise diplomática.
Segundo o senador:
“Estamos em um avião sem piloto.”
Em seguida, elevou o tom das críticas ao presidente Lula.
“O Biden brasileiro está ranzinza, inconsequente e se tornou um perigo para a nossa nação. Quem olha para o Lula não enxerga futuro. Enxerga passado, atraso, incerteza, desconfiança, corrupção, incompetência, vingança… Chega!”
Mudança de posição sobre o tarifaço
As declarações de Flávio ocorrem dias depois de o senador participar de uma audiência pública nos Estados Unidos, realizada em 7 de julho, quando defendeu que a entrada em vigor das tarifas fosse adiada até depois das eleições presidenciais brasileiras.
Na ocasião, argumentou que uma aplicação imediata poderia fortalecer politicamente Lula.
Segundo Flávio:
“O Brasil realizará eleições presidenciais em outubro. Em apenas 90 dias, o cenário político mudará completamente, e impor agora uma tarifa, que seria difícil de reverter, recompensaria os responsáveis pelas ações em questão.”
Posteriormente, diante da repercussão negativa da declaração, o senador afirmou que sua posição seria favorável ao cancelamento integral das tarifas.
Em entrevista, declarou:
“Quem quer a tarifa é o Lula. A gente tem que usar os argumentos políticos aqui. Quero o cancelamento. Eu não quero tarifa para o Brasil. Só quem quer tarifa é o Lula.”
Tarifa amplia tensão diplomática
A tarifa adicional de 25% foi anunciada após a conclusão da investigação conduzida pelo USTR (Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos), baseada na Seção 301 da legislação comercial americana.
O procedimento investigou práticas consideradas desleais por parte do Brasil em áreas como:
- comércio internacional;
- economia digital;
- regulamentação de plataformas;
- sistema de pagamentos Pix;
- questões ambientais e desmatamento.
Ao final da investigação, Washington concluiu pela adoção das novas tarifas sobre a maioria das exportações brasileiras destinadas ao mercado americano.
Governo Lula reage às acusações
O governo brasileiro contestou duramente a decisão norte-americana.
Em nota oficial divulgada após o anúncio das tarifas, o Palácio do Planalto afirmou que utilizará os mecanismos previstos na Lei da Reciprocidade Econômica, recentemente aprovada pelo Congresso Nacional, para responder às medidas adotadas pelos Estados Unidos.
O Executivo também informou que continuará buscando ampliar mercados para os produtos brasileiros por meio de novos acordos internacionais, destacando as negociações entre o Mercosul, a União Europeia, a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA) e Singapura.
O governo brasileiro ainda ressaltou que:
- os Estados Unidos acumularam aproximadamente US$ 424,5 bilhões de superávit comercial em bens e serviços com o Brasil nos últimos quinze anos;
- em 2025, cerca de 76% das importações norte-americanas entraram no Brasil sem pagar imposto de importação;
- a tarifa média aplicada pelo Brasil sobre produtos americanos foi de aproximadamente 3,1%.
Clima político se intensifica
O anúncio das tarifas norte-americanas rapidamente extrapolou o campo econômico e passou a dominar o debate político brasileiro.
Enquanto parlamentares da oposição utilizam a decisão dos Estados Unidos para responsabilizar Lula pela deterioração das relações bilaterais, o governo sustenta que a medida possui caráter unilateral e injustificado, afirmando que manteve diálogo permanente com Washington durante todo o processo de negociação.
Com a aproximação das eleições presidenciais, a disputa em torno do tarifaço promete permanecer no centro do debate político, sendo explorada tanto pelo governo quanto pela oposição como um dos principais temas da campanha eleitoral.