Flávio Bolsonaro busca aproximação com o Nordeste e muda tom sobre Bolsa Família em discurso eleitoral

Flávio Bolsonaro busca aproximação com o Nordeste e muda tom sobre Bolsa Família em discurso eleitoral

Candidato do PL à Presidência tenta ampliar apoio na região historicamente ligada ao lulismo, promete manter programa social e defende geração de empregos; discurso também teve críticas ao governo Lula e propostas mais duras na segurança pública

Em uma tentativa de ampliar sua presença política no Nordeste, região considerada estratégica para a disputa presidencial de 2026, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato do Partido Liberal ao Palácio do Planalto, afirmou neste domingo (2) que o Nordeste será decisivo para o futuro do país. Durante convenção partidária realizada em João Pessoa, na Paraíba, o parlamentar fez um aceno direto ao eleitorado nordestino e adotou um discurso voltado à manutenção de programas sociais, especialmente o Bolsa Família, uma das principais marcas dos governos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

“O Nordeste é a solução do Brasil”, declarou Flávio diante de apoiadores. Segundo o candidato, a região teria novamente um papel determinante na política nacional. “Foi assim em 2018, quando o Nordeste elegeu o presidente Jair Bolsonaro, e agora em 2026 vai ser o Nordeste que vai mudar o Brasil de novo”, afirmou.

A declaração ocorreu no mesmo dia em que Lula oficializou sua candidatura à reeleição durante a convenção nacional do PT, em São Paulo. O movimento de Flávio foi interpretado como uma tentativa de dialogar com uma parcela do eleitorado nordestino que tradicionalmente tem maior identificação com o Partido dos Trabalhadores.

Mudança de discurso sobre o Bolsa Família

Durante o evento, Flávio Bolsonaro afirmou que, em um eventual governo do PL, o Bolsa Família será mantido. O candidato, porém, defendeu uma mudança de foco no programa, argumentando que a transferência de renda deve ser acompanhada de políticas de geração de emprego.

“O Bolsa Família não pode ser o final do caminho”, afirmou. Para ele, o objetivo deve ser criar oportunidades para que os beneficiários conquistem autonomia financeira.

Flávio destacou a situação de trabalhadores qualificados que, segundo ele, enfrentam dificuldades para ingressar no mercado de trabalho. “Muitos paraibanos hoje têm um diploma pendurado na parede de sua casa, mas não têm emprego. É isso que nós vamos garantir”, disse.

A posição apresentada na campanha representa uma mudança em relação a declarações anteriores feitas por integrantes do grupo político de Bolsonaro. Em 2006, quando era deputado estadual no Rio de Janeiro, Flávio criticou o programa durante discurso na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), questionando seus efeitos sociais.

O próprio Jair Bolsonaro também fez críticas ao Bolsa Família antes de chegar à Presidência, embora durante seu mandato tenha ampliado os valores pagos pelo programa, que posteriormente voltou ao nome original no governo Lula.

Críticas ao governo Lula e ao endividamento das famílias

No discurso na Paraíba, Flávio aproveitou para atacar a política econômica do governo federal. O candidato criticou programas de renegociação de dívidas, como o Desenrola Brasil, e afirmou que o país vive um cenário de alto endividamento.

Ele também ironizou uma promessa feita por Lula durante a campanha presidencial anterior, ao afirmar: “A picanha prometida não chegou”.

O senador acusou o atual governo de manter uma política que, segundo ele, aumentaria a dependência dos cidadãos em relação ao Estado.

“O atual governo quer manter o pobre na pobreza, quer fazer com que a classe média vire pobre, porque o atual governo quer que milhões de brasileiros sejam dependentes dele”, afirmou.

Flávio disse defender um modelo em que as pessoas tenham condições de melhorar de vida sem depender de programas governamentais. “Se você não tem, eu tenho um plano para você deixar de ser pobre”, declarou aos apoiadores.

Segurança pública como uma das principais bandeiras

Além da agenda social e econômica, Flávio Bolsonaro voltou a destacar a segurança pública como um dos pilares de sua campanha.

O candidato criticou o que classificou como uma postura de tolerância do governo Lula em relação à criminalidade e prometeu endurecer as punições para crimes contra o patrimônio.

Ao citar o roubo de celulares, afirmou que infratores desse tipo deveriam receber penas mais severas. “Ladrão de celular vai começar com no mínimo oito anos de cadeia”, declarou em outro momento do discurso.

Em uma fala que repercutiu entre os apoiadores, Flávio afirmou que o Brasil só teria solução com medidas mais rígidas contra criminosos. “O Brasil só vai ter jeito assim, na porrada”, disse.

A declaração reforçou uma das principais bandeiras históricas do bolsonarismo: a defesa do endurecimento das leis penais e de uma política de segurança baseada em maior rigor contra crimes.

Estratégia eleitoral e disputa por votos no Nordeste

A aproximação de Flávio com o Nordeste faz parte de uma estratégia para ampliar o alcance nacional de sua candidatura. A região representa um dos maiores colégios eleitorais do país e, historicamente, tem sido uma das principais bases eleitorais de Lula e do PT.

Durante o evento, o candidato também afirmou que um presidente precisa contar com apoio no Congresso Nacional e defendeu a eleição de parlamentares alinhados ao seu projeto político.

“Um presidente não faz nada sozinho”, declarou, pedindo apoio para candidaturas conservadoras nas eleições legislativas.

A convenção do PL na Paraíba também oficializou a candidatura de Efraim Filho ao governo estadual, com Nayana Pontes como vice na chapa.

Com o discurso voltado ao Nordeste, Flávio Bolsonaro busca equilibrar duas marcas centrais de sua campanha: manter a identidade conservadora ligada ao bolsonarismo e, ao mesmo tempo, apresentar propostas capazes de dialogar com eleitores que dependem de políticas sociais e programas de transferência de renda.

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