
PF cancela depoimento de Valdemar Costa Neto em investigação sobre emendas parlamentares
Defesa do presidente do PL alegou falta de acesso integral aos autos; investigação da Operação Transparência apura suspeita de participação de pessoas sem mandato na indicação de recursos públicos
O depoimento do presidente nacional do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto, previsto para esta segunda-feira (3), foi cancelado pela Polícia Federal no âmbito de uma investigação que apura supostas irregularidades na destinação de emendas parlamentares.
A oitiva estava marcada para ocorrer às 14h, em Brasília, mas a defesa do dirigente partidário solicitou o adiamento alegando que não teve acesso completo aos documentos que integram o processo. A Polícia Federal ainda não informou uma nova data para o depoimento.
A investigação faz parte da chamada Operação Transparência, que apura suspeitas de interferência de pessoas sem mandato eletivo na distribuição de recursos públicos por meio de emendas parlamentares.
Segundo as apurações, o caso envolve a suspeita de que agentes externos ao Congresso Nacional teriam participado da escolha e direcionamento de verbas utilizando a estrutura administrativa da Câmara dos Deputados.
Investigação envolve bloqueio de R$ 119 milhões em bens
O cancelamento do depoimento ocorre semanas após uma decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 119,2 milhões em bens de Valdemar Costa Neto.
A medida foi autorizada como forma de preservar possíveis recursos para um eventual ressarcimento aos cofres públicos, caso as irregularidades investigadas sejam confirmadas.
De acordo com a decisão judicial, a investigação aponta que Valdemar teria participado da indicação de pelo menos 21 emendas parlamentares, totalizando cerca de R$ 119 milhões.
As suspeitas envolvem a possibilidade de que recursos do orçamento federal tenham sido direcionados por pessoas que não possuíam mandato parlamentar ou autorização formal para definir a aplicação das verbas.
Defesa nega irregularidades e diz que Valdemar não indica emendas
Valdemar Costa Neto nega que tenha feito indicações de emendas parlamentares e afirma que sua atuação dentro do PL seria apenas de articulação política.
Segundo o dirigente, ele recebe demandas de prefeitos e parlamentares e encaminha essas solicitações aos líderes partidários, que seriam os responsáveis legais pela indicação dos recursos.
“Eu sugiro quando um prefeito vem, ou quando um deputado vem falar comigo: ‘Olha, Valdemar, gastei todo o dinheiro das minhas emendas e não tenho como atender os outros municípios’. Aí a gente estuda com o líder, que é o líder que assina, que manda e que vê se está sobrando emenda de algum deputado”, afirmou.
A defesa sustenta que Valdemar não possui competência para definir a aplicação das emendas e que qualquer participação dele teria ocorrido apenas como presidente de partido, intermediando demandas políticas.
PF investiga possível uso da estrutura da Câmara
A Operação Transparência foi aberta para investigar suspeitas relacionadas ao cumprimento das regras de transparência e rastreabilidade das emendas parlamentares.
A Polícia Federal apura se servidores e estruturas administrativas da Câmara dos Deputados teriam sido utilizados para viabilizar repasses considerados irregulares.
O ponto central da investigação é identificar quem tinha poder de decisão sobre a destinação dos recursos públicos e se houve participação de pessoas sem mandato na escolha dos beneficiários.
A apuração ocorre em um contexto de maior fiscalização sobre as chamadas emendas parlamentares, especialmente após decisões do STF que determinaram mais transparência na execução desses recursos.
Pressão política sobre o comando do PL
O caso aumenta a pressão sobre Valdemar Costa Neto, que ocupa uma posição estratégica dentro do Partido Liberal e é um dos principais articuladores políticos da legenda.
Presidente nacional do PL, Valdemar tem papel central na organização das campanhas eleitorais do partido e na articulação das alianças políticas em torno da candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República em 2026.
A investigação ocorre justamente durante o período eleitoral, quando o partido busca fortalecer sua estrutura nacional e ampliar sua presença no Congresso.
Próximos passos da investigação
Apesar do cancelamento do depoimento, a Polícia Federal informou que a investigação continua em andamento.
Ainda não há definição sobre uma nova data para Valdemar Costa Neto prestar esclarecimentos.
A defesa aguarda acesso integral aos autos para avaliar os documentos e preparar a manifestação do dirigente partidário.
O avanço da investigação dependerá da análise dos documentos apreendidos, dos depoimentos e das informações levantadas pelos investigadores sobre a possível participação de agentes sem mandato na distribuição de recursos públicos.
Roteiro para vídeo jornalístico
Abertura:
“Uma nova investigação envolvendo emendas parlamentares coloca o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, no centro das atenções. O depoimento que estava marcado para esta segunda-feira foi cancelado após a defesa alegar falta de acesso completo aos autos.”
Desenvolvimento:
“A Polícia Federal investiga se pessoas sem mandato teriam participado da indicação de recursos públicos utilizando a estrutura da Câmara dos Deputados. A Operação Transparência apura possíveis irregularidades envolvendo cerca de R$ 119 milhões em emendas.”
Contexto político:
“Valdemar nega qualquer irregularidade e afirma que apenas intermediava demandas de prefeitos e parlamentares. O caso acontece em meio ao calendário eleitoral de 2026 e aumenta a pressão sobre a direção nacional do PL.”
Encerramento:
“A Polícia Federal ainda deve remarcar o depoimento, enquanto a investigação segue para esclarecer se houve participação irregular na distribuição de recursos públicos.”