
Flávio Bolsonaro chega a empate técnico com Lula no 2º turno, com 45,4% contra 45%, aponta pesquisa
Levantamento Futura/100% Cidades mostra disputa praticamente empatada entre o senador e o presidente; resultado reforça crescimento de Flávio e coloca o projeto político de Jair Bolsonaro no centro da eleição de 2026
A corrida presidencial de 2026 ganhou um novo capítulo de forte impacto político. Flávio Bolsonaro (PL) aparece com 45,4% das intenções de voto contra 45% de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em um eventual segundo turno, segundo a nova pesquisa Futura/100% Cidades, divulgada nesta sexta-feira (11).
A diferença de apenas 0,4 ponto percentual está muito abaixo da margem de erro do levantamento, configurando empate técnico entre os dois candidatos. O resultado coloca Flávio numericamente à frente de Lula e reforça a percepção de que a eleição presidencial poderá ser uma das disputas mais apertadas dos últimos anos.
O levantamento ouviu 2.000 eleitores, entre 4 e 10 de setembro de 2026, em todo o país. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-02322/2026.
Flávio ultrapassa numericamente Lula
Embora a diferença seja pequena e esteja dentro da margem de erro, o resultado chama atenção porque Flávio aparece 0,4 ponto à frente do atual presidente.
Na prática, isso significa que o cenário é de empate estatístico.
Mas, politicamente, o número tem peso.
Flávio Bolsonaro consolidou-se como um dos principais nomes da direita para enfrentar Lula depois que Jair Bolsonaro ficou impedido de disputar novamente a Presidência.
O resultado também mostra que o eleitorado alinhado ao bolsonarismo continua representando uma força eleitoral relevante.
A pesquisa não permite afirmar que Flávio venceria uma eleição hoje. Entretanto, permite dizer que o senador está competitivo e, no cenário testado, aparece tecnicamente empatado com Lula.
A pesquisa e seus números
Segundo turno
- Flávio Bolsonaro (PL): 45,4%
- Lula (PT): 45,0%
- Diferença: 0,4 ponto percentual
- Margem de erro: 2,2 pontos percentuais
- Confiança: 95%
- Entrevistados: 2.000
- Período: 4 a 10 de setembro de 2026
- Registro no TSE: BR-02322/2026
- Instituto: Futura/100% Cidades
Como a diferença de 0,4 ponto é inferior à margem de erro, não há vantagem estatisticamente comprovada de Flávio sobre Lula. O dado correto é empate técnico, embora o senador apareça numericamente na frente.
Primeiro turno ainda mostra Lula na liderança
O cenário muda quando a pesquisa simula o primeiro turno.
Lula aparece com 39,2%, enquanto Flávio Bolsonaro registra 33,6%.
Na sequência aparecem:
- Augusto Cury (Avante): 6,4%
- Ronaldo Caiado (PSD): 4,4%
- Renan Santos (Missão): 4,3%
- Pablo Marçal (PRTB): 2,3%
- Romeu Zema (Novo): 0,7%.
Portanto, não se deve interpretar o levantamento como uma liderança geral de Flávio.
No primeiro turno, Lula permanece à frente. No segundo turno, os dois aparecem tecnicamente empatados.
Essa diferença é fundamental para compreender os números.
O que realmente chama atenção na pesquisa
O dado mais importante está na capacidade de Flávio de transformar uma desvantagem de primeiro turno em uma disputa praticamente igual no segundo.
Isso significa que o senador possui espaço para ampliar sua votação além do eleitorado tradicionalmente identificado com o bolsonarismo.
Em uma eleição presidencial de dois turnos, essa capacidade de agregar votos de outros candidatos pode ser decisiva.
Eleitores de candidatos que ficam pelo caminho podem escolher entre Lula e Flávio no segundo turno.
É justamente nesse momento que alianças, rejeição, avaliação do governo, economia, segurança pública e a atuação das instituições passam a ter peso ainda maior.
Rejeição também está praticamente empatada
Outro dado importante da pesquisa é a rejeição.
Lula aparece com 45,8%, enquanto Flávio registra 45,7%.
Ou seja, a diferença é de apenas 0,1 ponto percentual.
Isso significa que os dois chegam ao cenário de segundo turno com níveis praticamente idênticos de rejeição dentro da pesquisa.
O dado é particularmente relevante porque uma eleição apertada tende a ser decidida não apenas pela capacidade de conquistar novos eleitores, mas também pela capacidade de reduzir a rejeição.
Avaliação de Lula também preocupa o governo
A pesquisa apresenta ainda números desfavoráveis ao governo Lula.
Entre os entrevistados:
- 45% avaliam o governo como ruim ou péssimo;
- 36,4% consideram ótimo ou bom;
- 17,1% classificam como regular.
Na avaliação direta da aprovação presidencial, Lula tem 51,2% de desaprovação contra 45,4% de aprovação.
Esse cenário ajuda a explicar por que o presidente, apesar da liderança no primeiro turno, encontra dificuldades para abrir vantagem contra Flávio no confronto direto.
STF enfrenta forte rejeição
Outro número que merece atenção é a avaliação do Supremo Tribunal Federal.
Em meio à crise envolvendo ministros da Corte e às controvérsias relacionadas ao Banco Master, 56,2% dos entrevistados desaprovam o STF, enquanto 30,8% aprovam.
O Congresso Nacional também apresenta números negativos: 60,4% de desaprovação contra 26,8% de aprovação.
Esse ambiente de baixa confiança institucional pode influenciar diretamente a eleição.
A crise do STF deixou de ser exclusivamente um assunto jurídico e passou a integrar o debate político nacional.
O fator Jair Bolsonaro
A ascensão eleitoral de Flávio não pode ser analisada separadamente da força política de Jair Bolsonaro.
O ex-presidente continua sendo uma das figuras mais importantes da direita brasileira e, mesmo fora da disputa presidencial, sua capacidade de transferência de votos poderá ser determinante.
Flávio carrega o sobrenome Bolsonaro, a identificação com o eleitorado conservador e uma relação direta com o projeto político construído por seu pai.
Por isso, a eleição de 2026 também será, em boa medida, uma disputa sobre a continuidade ou não do bolsonarismo no poder nacional.
Não é possível afirmar, a partir de uma única pesquisa, que Jair Bolsonaro será responsável por uma eventual vitória do filho.
Mas é evidente que seu apoio político poderá ter grande peso na campanha.
“Bolsonaro futuro presidente do Brasil”: o que os números permitem dizer
Para os apoiadores do ex-presidente, o resultado representa um sinal importante de continuidade do projeto político iniciado por Jair Bolsonaro.
É possível afirmar que Flávio Bolsonaro se apresenta como um dos principais representantes do campo bolsonarista na disputa de 2026.
Mas uma análise jornalística responsável precisa fazer uma distinção: a pesquisa não permite afirmar que Bolsonaro ou Flávio serão futuros presidentes do Brasil.
Ela mostra um cenário eleitoral específico no qual Flávio aparece tecnicamente empatado com Lula.
A eleição ainda depende de campanha, alianças, debates, rejeição, acontecimentos políticos, economia e comportamento do eleitor até outubro.
Portanto, dizer que “Bolsonaro será o futuro presidente” seria uma previsão política, não uma conclusão da pesquisa.
A direita ganha argumento para a campanha
Mesmo com essa ressalva, o resultado oferece um argumento poderoso para a campanha de Flávio.
A narrativa de que Lula teria uma vantagem confortável começa a perder força diante de uma série de levantamentos que mostram uma disputa apertada.
O PoderData/Aya, por exemplo, já havia registrado Lula e Flávio em situação de empate técnico em um eventual segundo turno. Em uma rodada anterior, Lula tinha 46% contra 45% de Flávio, com margem de erro de 2 pontos.
Em outra pesquisa, da Futura/Apex, divulgada em julho, Lula tinha 46,3% contra 46,1% de Flávio — diferença de apenas 0,2 ponto.
Portanto, o novo levantamento não aparece isolado.
Ele se soma a outros estudos que vêm mostrando uma disputa extremamente competitiva entre Lula e Flávio.
Lula ainda tem vantagem no primeiro turno
Apesar do entusiasmo que os números podem provocar entre os apoiadores de Flávio, o campo bolsonarista precisa observar um detalhe.
Lula ainda lidera o primeiro turno no levantamento.
Os 39,2% do presidente contra 33,6% de Flávio representam uma diferença de 5,6 pontos percentuais.
Isso mostra que a disputa não está decidida.
Para chegar à Presidência, Flávio precisará ampliar sua capacidade de atração no primeiro turno ou consolidar alianças capazes de transferir votos para sua candidatura em um eventual segundo turno.
Uma eleição que pode ser decidida pela rejeição
Com os dois candidatos praticamente empatados na rejeição, cada ponto percentual conquistado durante a campanha poderá fazer diferença.
Lula precisa reduzir a rejeição ao governo e convencer eleitores que ainda estão indecisos.
Flávio precisa ampliar sua imagem para além do eleitorado que já vota no bolsonarismo.
Essa será provavelmente uma das grandes batalhas eleitorais de 2026.
Partes envolvidas
Luiz Inácio Lula da Silva (PT): atual presidente e líder no cenário de primeiro turno da pesquisa.
Flávio Bolsonaro (PL): senador e candidato que aparece tecnicamente empatado com Lula no segundo turno.
Jair Bolsonaro: ex-presidente e principal referência política do bolsonarismo, cujo apoio pode ter peso na campanha do filho.
Futura Inteligência/100% Cidades: responsável pelo levantamento citado.
Tribunal Superior Eleitoral (TSE): responsável pelo registro das pesquisas eleitorais e fiscalização das regras aplicáveis aos levantamentos.
Eleitorado brasileiro: 2.000 pessoas foram entrevistadas na pesquisa, realizada entre 4 e 10 de setembro.
Crítica política: a eleição está aberta
O resultado coloca Lula diante de um problema que sua campanha não pode ignorar.
O presidente ainda lidera o primeiro turno, mas não consegue transformar essa vantagem em uma dianteira confortável no segundo.
Ao mesmo tempo, Flávio Bolsonaro demonstra que o eleitorado de direita continua competitivo e que o sobrenome Bolsonaro permanece com força suficiente para colocar a candidatura em condições de disputar a Presidência.
A situação fica ainda mais delicada para Lula diante da desaprovação de 51,2% ao presidente e dos 56,2% de rejeição ao STF apontados pelo levantamento.
Para o campo bolsonarista, o número representa combustível político.
Para o PT, representa um alerta.
E para o eleitor, representa algo ainda mais importante: a eleição de 2026 está longe de estar definida.
Se Flávio conseguir transformar o empate técnico em vantagem real, ampliar sua presença fora de sua base tradicional e manter o apoio de Jair Bolsonaro, o cenário poderá se tornar ainda mais difícil para Lula.
Mas, até o momento, a conclusão responsável é uma só:
Lula lidera o primeiro turno; Flávio empata tecnicamente no segundo; e a disputa presidencial está aberta.