
Flávio Bolsonaro defende o Pix em audiência nos EUA e pede que sistema fique fora de possíveis sanções comerciais
Senador afirma que o Pix ampliou a inclusão financeira, nega que o sistema prejudique empresas americanas e propõe limitar integração da plataforma com sistemas de pagamento de países não ocidentais.
O senador e pré-candidato à Presidência da República pelo PL, Flávio Bolsonaro, defendeu nesta terça-feira (7) a permanência do Pix fora da lista de possíveis sanções comerciais que os Estados Unidos estudam aplicar contra o Brasil. A manifestação ocorreu durante o segundo dia da audiência pública promovida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), em Washington, que debate a adoção de tarifas e outras medidas comerciais envolvendo produtos e serviços brasileiros.
Em seu discurso, Flávio argumentou que o Pix não representa uma ameaça às empresas americanas do setor financeiro. Segundo ele, o sistema brasileiro de pagamentos instantâneos ampliou a inclusão financeira ao permitir que milhões de brasileiros passassem a utilizar serviços bancários digitais, além de atuar de forma complementar aos meios de pagamento tradicionais.
De acordo com relatos de pessoas presentes na audiência, o senador também afirmou que o Pix foi desenvolvido durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro e destacou que a plataforma trouxe benefícios para a população de baixa renda ao facilitar transações financeiras de forma rápida, gratuita e segura.
Proposta enviada ao governo dos Estados Unidos
Antes da audiência, Flávio Bolsonaro encaminhou uma manifestação oficial ao USTR defendendo uma alternativa às sanções comerciais. No documento, o parlamentar sugeriu que o Brasil aprovasse uma legislação impedindo a integração do Pix com sistemas internacionais de liquidação de pagamentos ligados a países considerados não ocidentais.
Na avaliação do senador, essa medida responderia às preocupações do governo americano sem a necessidade de impor tarifas ou restrições que poderiam afetar empresas brasileiras e consumidores.
Viagem aos Estados Unidos e diálogo com autoridades
A defesa do Pix ocorre durante uma série de compromissos de Flávio Bolsonaro nos Estados Unidos. Nas últimas semanas, o senador intensificou reuniões com representantes do governo americano em meio à investigação comercial aberta contra o Brasil.
Durante a viagem, Flávio recebeu uma resposta do secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, a uma carta enviada anteriormente pelo parlamentar. No documento, Rubio agradeceu o convite para que representantes do governo americano participassem de uma eventual equipe de transição, caso Flávio seja eleito presidente nas eleições de outubro, e afirmou esperar manter diálogo com uma futura administração liderada pelo senador.
Ao mesmo tempo, o secretário reforçou as críticas da administração do presidente Donald Trump a políticas adotadas pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e indicou que as investigações conduzidas pelo USTR terão continuidade.
Eduardo Bolsonaro também atuou no caso
Paralelamente à atuação de Flávio, o deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro também vem mantendo interlocução com integrantes do governo americano sobre a investigação comercial envolvendo o Brasil.
Em junho deste ano, Eduardo chegou a sugerir que o Zelle, sistema de pagamentos utilizado nos Estados Unidos, poderia substituir o Pix em determinadas operações. A declaração provocou forte repercussão e recebeu críticas nas redes sociais, principalmente de usuários que defenderam a manutenção do sistema brasileiro.
Investigação comercial dos EUA
A audiência realizada pelo USTR faz parte da investigação conduzida com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos, mecanismo utilizado para analisar práticas comerciais consideradas prejudiciais aos interesses americanos.
Entre os temas em análise estão o comércio digital, serviços de pagamento eletrônico, incluindo o Pix, propriedade intelectual, acesso ao mercado brasileiro, tarifas comerciais e outras políticas econômicas adotadas pelo Brasil.
Ao defender o Pix diante das autoridades americanas, Flávio Bolsonaro buscou separar o sistema de pagamentos das demais discussões comerciais, argumentando que a ferramenta beneficia consumidores, empresas e também mantém integração com operadores internacionais, sem representar concorrência desleal às empresas dos Estados Unidos.