Flávio Bolsonaro participa de audiência nos EUA, defende o Pix e pede suspensão de tarifa de 25% contra produtos brasileiros

Flávio Bolsonaro participa de audiência nos EUA, defende o Pix e pede suspensão de tarifa de 25% contra produtos brasileiros

Senador do PL discursa em Washington durante audiência do USTR, cita investigações de corrupção, volta a criticar o governo Lula e prolonga viagem aos Estados Unidos para cumprir agenda oficial

O senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), participou nesta terça-feira (7) de uma audiência pública promovida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), em Washington, que debate a proposta do governo norte-americano de aplicar uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros.

O encontro faz parte da investigação conduzida com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos de 1974, instrumento utilizado pelo governo americano para apurar práticas comerciais consideradas prejudiciais aos interesses dos Estados Unidos.

Entre os temas analisados pelo USTR estão o funcionamento do Pix, políticas relacionadas ao comércio digital, tarifas de importação, proteção à propriedade intelectual, acesso ao mercado brasileiro para o etanol norte-americano, medidas de combate ao desmatamento ilegal e regras consideradas discriminatórias contra empresas dos Estados Unidos.

Flávio defende suspensão do tarifaço

Durante sua participação, Flávio Bolsonaro reiterou o posicionamento já encaminhado oficialmente ao USTR na semana anterior, defendendo que a aplicação das tarifas seja suspensa.

Segundo o senador, uma sobretaxa neste momento acabaria produzindo efeito político contrário ao desejado pelos Estados Unidos, fortalecendo o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Flávio argumentou ainda que a medida atingiria diretamente empresas brasileiras e exportadores, além de gerar impactos econômicos para ambos os países.

Pix foi defendido pelo senador

Outro ponto central do discurso foi a defesa do sistema brasileiro de pagamentos instantâneos.

Flávio afirmou que o Pix não representa um problema comercial e que sua existência não prejudica empresas americanas do setor financeiro.

Segundo ele, operadoras internacionais de cartões continuam ampliando seus negócios no Brasil, o que demonstraria que ambos os sistemas atuam de forma complementar.

O posicionamento contrasta com a argumentação apresentada pelo USTR, que sustenta que o Banco Central brasileiro favoreceria o Pix em detrimento de empresas norte-americanas de pagamentos eletrônicos.

Caso Banco Master é citado

Ao abordar temas relacionados ao combate à corrupção, Flávio Bolsonaro mencionou investigações envolvendo o Banco Master, afirmando que o caso demonstra a necessidade de maior transparência institucional.

Durante o discurso, porém, o senador não fez referência ao chamado caso “Dark Horse”, investigação revelada pelo portal Intercept Brasil.

Segundo a reportagem, mensagens atribuídas a Flávio Bolsonaro mostram pedidos de recursos ao empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, para financiar o filme biográfico “Dark Horse”, produção inspirada na trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.

As reportagens afirmam que o projeto teria previsão de receber até R$ 134 milhões, dos quais cerca de R$ 61 milhões teriam sido transferidos em operações realizadas entre fevereiro e maio de 2025. O caso segue sendo objeto de investigações e discussões públicas.

Investigações e críticas ao governo

Durante sua apresentação nos Estados Unidos, Flávio também citou investigações envolvendo o empresário Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, além de mencionar o escândalo do mensalão.

O senador voltou a afirmar que, durante o governo de seu pai, Jair Bolsonaro, o país teria vivido um período sem grandes escândalos de corrupção envolvendo o Poder Executivo, ao mesmo tempo em que direcionou críticas à atual administração federal.

Audiência reúne representantes brasileiros

Além de Flávio Bolsonaro, participaram da audiência representantes de importantes entidades empresariais brasileiras.

Entre eles estiveram o ex-diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Roberto Azevêdo, representando a Confederação Nacional da Indústria (CNI), e Letícia Sperb Masselli, representante da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados).

O objetivo dos representantes brasileiros foi apresentar argumentos técnicos sobre os possíveis impactos econômicos da aplicação das tarifas propostas pelo governo norte-americano.

Viagem aos Estados Unidos é prolongada

Em razão da audiência e de compromissos adicionais em Washington, Flávio Bolsonaro confirmou que permanecerá mais um dia nos Estados Unidos.

A decisão levou ao adiamento de uma agenda política que seria realizada na próxima quinta-feira (9), no Recife, em Pernambuco.

Em vídeo publicado nas redes sociais, o senador informou que o compromisso será remarcado em nova data.

“Infelizmente, vou ter que adiar a nossa agenda em Pernambuco porque vou precisar permanecer mais um dia aqui nos Estados Unidos. Assim que possível, remarcaremos esse encontro”, declarou.

Reação do governo Lula

As manifestações de Flávio Bolsonaro junto ao USTR provocaram reação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que criticou a atuação da família Bolsonaro durante as discussões comerciais com os Estados Unidos.

Lula classificou como “entreguismo” a iniciativa de recorrer ao governo norte-americano para discutir a aplicação das tarifas e afirmou que o Brasil continuará defendendo seus interesses nas negociações internacionais.

Enquanto isso, o debate sobre a proposta de sobretaxa continua em análise pelas autoridades norte-americanas, que ainda deverão decidir se manterão ou não a aplicação das medidas comerciais contra produtos brasileiros.

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