
Flávio Bolsonaro desmente boatos sobre privatização da Petrobras e acusa adversários de espalhar fake news para influenciar eleitores
Candidato do PL à Presidência afirma que não pretende privatizar a estatal e classifica as informações como “boataria”. Declaração ocorre em meio à disputa eleitoral e à circulação de publicações que associam uma eventual vitória de Flávio à venda de empresas públicas e à perda de benefícios sociais.
O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, negou que pretenda privatizar a Petrobras caso seja eleito. Em declaração a jornalistas na sexta-feira, 9 de outubro de 2026, o parlamentar classificou como “boataria” os rumores de que um eventual governo seu venderia a estatal e outras empresas públicas.
“Isso é uma boataria, é uma boataria atrás da outra”, afirmou Flávio ao conversar com a imprensa antes de um encontro com apoiadores e empresários na zona sudoeste do Rio de Janeiro.
A declaração foi dada em meio à disputa pelo segundo turno presidencial e à circulação de mensagens que associam a candidatura do senador à privatização da Petrobras, do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal. A campanha de Flávio contesta essas afirmações e sustenta que não há intenção de vender essas empresas.
O tema ganhou importância porque a Petrobras é uma das principais empresas brasileiras, com atuação estratégica no setor de energia e influência sobre a economia nacional. Por isso, qualquer discussão sobre a manutenção do controle estatal, a venda de ativos ou mudanças na política da companhia tem impacto sobre trabalhadores, consumidores, investidores e o mercado de combustíveis.
Flávio afirma que privatização da Petrobras é boato
Questionado diretamente sobre a possibilidade de privatizar a Petrobras, Flávio negou que essa seja sua intenção. O candidato também evitou antecipar quem poderia assumir a presidência da companhia em um eventual governo.
A resposta foi uma reação às publicações que atribuem ao senador um plano de venda da estatal. Para Flávio, a circulação de rumores faz parte de uma estratégia de adversários para prejudicar sua candidatura e influenciar a percepção dos eleitores.
A informação precisa, porém, ser apresentada com uma distinção importante: a negativa do candidato é um posicionamento público sobre suas intenções. Para avaliar a política que seria adotada em um eventual governo, também é necessário examinar o programa registrado pela candidatura, as declarações de sua equipe econômica e eventuais propostas formais.
Coordenador econômico também negou privatizações
Adolfo Sachsida, coordenador econômico da campanha de Flávio Bolsonaro, também afirmou que um eventual governo do senador não pretende privatizar a Petrobras, o Banco do Brasil ou a Caixa Econômica Federal.
Segundo Sachsida, as três empresas seriam preservadas, e o ajuste das contas públicas seria buscado por meio de medidas como a redução de ministérios, o combate a supersalários e a diminuição de despesas governamentais.
A declaração procurou afastar os rumores de que a campanha planeja vender as principais estatais federais para equilibrar o orçamento.
Há, contudo, um ponto que merece atenção: reportagens sobre o programa econômico de Flávio registraram que a candidatura defende ampliar a participação privada na economia e avaliar privatizações caso a caso. Essa orientação geral precisa ser considerada ao lado das declarações mais recentes de Sachsida e Flávio sobre a Petrobras, o Banco do Brasil e a Caixa.
Portanto, a afirmação de que a Petrobras será privatizada não deve ser tratada como fato confirmado. Ao mesmo tempo, a posição definitiva sobre a política para todas as empresas estatais precisa ser confrontada com o conteúdo integral do programa de governo e com compromissos formais da candidatura.
Propaganda eleitoral e acusações sobre empresas públicas
A discussão sobre a Petrobras ocorre em meio a outras publicações que atribuem a Flávio Bolsonaro planos para extinguir programas sociais, alterar benefícios previdenciários ou reduzir recursos destinados a serviços públicos.
O senador nega parte dessas acusações. A campanha também contestou materiais que associam uma eventual vitória do candidato à perda de benefícios como o Farmácia Popular.
O ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), determinou a suspensão de determinados conteúdos pagos que atribuíam a Flávio propostas como a privatização da Petrobras. As decisões judiciais devem ser interpretadas de acordo com o material específico examinado em cada processo, sem que isso signifique uma proibição geral de críticas políticas ou uma confirmação automática de todas as declarações de qualquer campanha.
A distinção é essencial durante uma eleição: candidatos podem apresentar críticas e alertar sobre riscos, mas afirmações concretas sobre propostas adversárias precisam ser sustentadas por documentos, declarações ou elementos verificáveis.
Petrobras, política de combustíveis e disputa eleitoral
Flávio também criticou a atuação do governo Lula em relação aos preços dos combustíveis. O senador afirmou que o governo estaria utilizando medidas de subsídio e desoneração de forma eleitoral e alertou para a possibilidade de aumentos depois do encerramento das medidas temporárias.
O governo federal, por sua vez, justificou a ampliação dos subsídios e das desonerações como uma tentativa de reduzir os efeitos da alta internacional do petróleo, relacionada à guerra no Oriente Médio.
As medidas anunciadas incluem mudanças temporárias na tributação da gasolina e subvenções para combustíveis. O impacto final para o consumidor dependerá das condições do mercado, dos custos de distribuição e de como os benefícios serão repassados pelos postos.
A discussão sobre a Petrobras, portanto, não se limita à privatização. Também envolve política de preços, investimentos, abastecimento, distribuição de combustíveis e o papel do Estado na gestão de uma companhia estratégica.
O que está confirmado e o que ainda precisa ser esclarecido
Até o momento, a informação central é que Flávio Bolsonaro negou publicamente a intenção de privatizar a Petrobras e classificou os rumores como “boataria”. Seu coordenador econômico também declarou que a estatal, o Banco do Brasil e a Caixa seriam preservados em um eventual governo do senador.
A existência de uma proposta geral de ampliação da participação privada na economia, por outro lado, torna importante examinar o programa de governo completo e esclarecer quais empresas poderiam ser objeto de mudanças futuras.
Não há base para apresentar como fato consumado que Flávio privatizará a Petrobras apenas com base em publicações que atribuem essa intenção ao candidato. Da mesma forma, a avaliação definitiva de sua política econômica depende de compromissos formais e de propostas concretas.
Em uma eleição marcada pela circulação de informações sobre o futuro das empresas públicas e dos benefícios sociais, o eleitor precisa ter acesso a declarações completas, documentos e propostas verificáveis. A disputa política não deve substituir a checagem dos fatos: rumores não são planos confirmados, e declarações de intenção precisam ser confrontadas com os compromissos oficiais de cada candidatura.