
Flávio Bolsonaro diz estar aberto ao diálogo com Michelle e aposta em reconciliação antes da campanha presidencial
Pré-candidato do PL afirma que espera o “tempo necessário” para que a ex-primeira-dama volte a participar da disputa eleitoral e defende união da direita contra o governo Lula
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, afirmou nesta quinta-feira (9) que está aberto a uma conversa com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e que aguarda o momento considerado adequado por ela para retornar ao grupo político e participar oficialmente da campanha eleitoral.
A declaração ocorreu durante o retorno do parlamentar ao Brasil, no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, após uma viagem aos Estados Unidos. O posicionamento veio em meio à crise pública entre os dois integrantes da família Bolsonaro, que expôs divergências internas no Partido Liberal (PL) e mobilizou a direção da legenda em busca de uma reconciliação.
“Eu estou sempre aberto aqui a conversar, sempre esperando o tempo que ela achar que é o suficiente para ela estar com a gente na campanha, vestindo a camisa, porque tenho certeza que a Michelle pensa igual a mim”, afirmou Flávio.
Segundo o senador, a união do grupo político de direita será fundamental para a disputa presidencial de 2026. Ele afirmou que seus aliados precisam estar juntos para enfrentar o atual governo federal.
“Ninguém aguenta mais quatro anos de PT. O Brasil não aguenta mais quatro anos de PT. No final das contas, tem que estar todo mundo junto para combater esse inimigo do Brasil, que é o atual governo”, declarou.
Crise entre Flávio e Michelle expôs divergências dentro do PL
O conflito entre Flávio Bolsonaro e Michelle Bolsonaro veio a público no fim de junho, após divergências envolvendo articulações políticas do PL no Ceará.
Michelle afirmou, em vídeos publicados nas redes sociais, que teria sido “maltratada”, “humilhada” e desrespeitada durante uma discussão com o senador. A ex-primeira-dama também declarou que interpretou que seu apoio à pré-candidatura de Flávio não estaria sendo desejado.
Na ocasião, Michelle disse que os dois estavam sem conversar havia meses e que teria entendido que sua participação na campanha poderia ser considerada irrelevante.
Após as declarações da ex-primeira-dama, Flávio divulgou um pedido público de desculpas e afirmou que estava disposto a conversar. O senador disse que não teve intenção de ofendê-la e destacou a importância política de Michelle dentro do movimento conservador.
Mesmo depois do pedido de desculpas, a ex-primeira-dama continuou fazendo críticas indiretas ao senador e, posteriormente, deixou a presidência do PL Mulher, aumentando a pressão sobre a legenda.
Valdemar Costa Neto tenta reconstruir relação entre aliados
O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, passou a atuar como articulador de uma aproximação entre Flávio e Michelle.
Valdemar afirmou que a direita precisa evitar conflitos internos e defendeu que os integrantes do partido estejam unidos antes do início oficial da campanha presidencial.
Segundo o dirigente, o grupo político precisa resolver as divergências para fortalecer a candidatura do partido e chegar organizado à convenção nacional da legenda, marcada para julho.
“Não podemos sair brigando dentro de casa”, teria afirmado Valdemar ao defender um entendimento entre os aliados.
A crise também chamou atenção porque Michelle é considerada uma das principais lideranças femininas do PL e possui forte influência entre setores do eleitorado conservador.
Viagem aos Estados Unidos e defesa contra tarifas
Durante a entrevista, Flávio Bolsonaro também comentou sua viagem aos Estados Unidos, onde participou de reuniões e audiências relacionadas às possíveis tarifas comerciais contra produtos brasileiros.
O senador afirmou que buscou convencer autoridades americanas a evitar novas sobretaxas sobre empresas brasileiras.
“Eu fui pedir o cancelamento desse processo de tarifação no Brasil pelas razões técnicas e também pelas razões políticas que eu expus lá pessoalmente”, declarou.
Flávio afirmou ainda que tratou do tema em encontros com autoridades americanas, incluindo o presidente Donald Trump, o vice-presidente JD Vance e o secretário de Estado Marco Rubio.
Segundo ele, uma tarifa adicional poderia prejudicar empresas brasileiras e consumidores dos Estados Unidos.
O parlamentar também criticou a atuação do governo federal no episódio e afirmou não ter visto representantes do Executivo brasileiro defendendo os interesses do país nas negociações.
O governo informou que não enviou representantes para falar oficialmente nas audiências, mas acompanhou os debates por meio de observadores.
Flávio defende manutenção do Pix
Outro tema abordado pelo senador foi a discussão envolvendo o Pix, sistema brasileiro de pagamentos instantâneos criado pelo Banco Central.
Flávio afirmou que o mecanismo deve ser preservado e classificou o Pix como um patrimônio nacional.
“O Pix é bom para o Brasil e, por incrível que pareça, é bom também para os Estados Unidos. Essa parte do Pix, especificamente, eu acho que não tem nenhuma dúvida de que tem que permanecer como está porque é patrimônio do povo brasileiro”, declarou.
O tema ganhou repercussão após declarações de Eduardo Bolsonaro (PL), irmão de Flávio, sobre possíveis negociações comerciais entre Brasil e Estados Unidos envolvendo o sistema.
A discussão gerou críticas de parlamentares governistas, que acusaram integrantes da oposição de tentar utilizar o Pix como instrumento de negociação política.
Caminho eleitoral e desafio de unificar o grupo Bolsonaro
A reaproximação entre Flávio Bolsonaro e Michelle Bolsonaro passou a ser vista como um dos principais desafios internos do PL para a construção da campanha presidencial.
Enquanto Flávio busca consolidar sua pré-candidatura, Michelle mantém influência entre apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro e setores conservadores.
A expectativa dentro do partido é que uma solução para o impasse permita que ambos atuem juntos na eleição, evitando divisões no principal núcleo político ligado ao bolsonarismo.
Com a aproximação do calendário eleitoral, a capacidade de reorganização interna do grupo será um dos fatores determinantes para a estratégia do PL na disputa presidencial.