Flávio Bolsonaro rebate fake news sobre Nossa Senhora e reafirma respeito a todas as religiões

Flávio Bolsonaro rebate fake news sobre Nossa Senhora e reafirma respeito a todas as religiões

Candidato diz que boato sobre a retirada do título de Padroeira do Brasil foi uma “espécie de facada” e afirma que defende um Estado laico, sem interferência na fé dos brasileiros

O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) voltou a se manifestar sobre a polêmica envolvendo Nossa Senhora Aparecida e reafirmou que respeita todas as religiões. A declaração ocorreu após uma informação divulgada na GloboNews provocar repercussão nas redes sociais e ser posteriormente corrigida pela própria emissora.

A controvérsia surgiu depois de uma fala da jornalista Maria Cristina Fernandes, durante o programa Em Pauta, da GloboNews. Na ocasião, ela mencionou um suposto movimento relacionado a um projeto para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil. O conteúdo posteriormente passou a circular nas redes associado a Flávio Bolsonaro. A GloboNews corrigiu a informação e pediu desculpas pelo erro.

O projeto citado, entretanto, não é de autoria de Flávio Bolsonaro. Trata-se do PL 2.623/2007, apresentado pelo então deputado federal Professor Victório Galli. A proposta foi rejeitada na Câmara e definitivamente arquivada em 22 de agosto de 2008. Não há atualmente tramitação daquele projeto no Congresso.

Diante da repercussão, Flávio classificou a informação como uma fake news e afirmou que não existe proposta de sua autoria ou apoiada por ele para retirar de Nossa Senhora Aparecida a condição de Padroeira do Brasil.

Em entrevista ao podcast SantoFlow, o candidato comparou a repercussão do episódio ao atentado sofrido por seu pai, Jair Bolsonaro, em 2018. “Posso considerar uma espécie de facada essa fake news em mim”, afirmou. Flávio também disse ter ficado surpreso com a velocidade com que o conteúdo se espalhou e afirmou que pretende apresentar uma ação contra o PT, alegando que perfis ligados à esquerda participaram da disseminação da informação.

Flávio também reforçou sua posição sobre liberdade religiosa. Segundo o candidato, o Estado não deve interferir na religião de ninguém. Ele declarou defender um Estado laico e o respeito às diferentes manifestações religiosas.

“Cada um tem que se conectar com Deus da forma que achar melhor, o Estado não tem que se meter nisso, na religião de ninguém”, afirmou Flávio. Em seguida, defendeu o respeito a todas as religiões e a manutenção da isenção tributária para igrejas e templos religiosos, argumentando que essas instituições realizam trabalhos sociais.

Na terça-feira (29), a campanha voltou a se manifestar oficialmente e afirmou que Flávio “sempre defendeu o total respeito a todas as religiões e formas de expressão da fé”. A equipe também explicou uma declaração anterior do candidato sobre “entregar o Brasil a Jesus Cristo”: caso eleito, Flávio pretende realizar uma oração antes de ler o termo de posse, como gesto simbólico de agradecimento e pedido de proteção aos brasileiros.

A campanha também destacou que Flávio levantou uma imagem de Nossa Senhora Aparecida durante uma caminhada ao lado do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), em São Paulo, em meio à repercussão da polêmica.

A própria GloboNews havia reconhecido o erro relacionado ao projeto. Segundo o histórico divulgado pelo Correio Braziliense, a emissora esclareceu que a proposta mencionada era antiga, de 2007, e pediu desculpas pela informação incorreta.

O episódio também chegou à Justiça Eleitoral. O ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), determinou a retirada de publicações que atribuíam a Flávio ou à sua família a intenção de retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil. Posteriormente, o caso passou a envolver discussão sobre liberdade de expressão no Supremo Tribunal Federal (STF).

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) também entrou na discussão. Após Flávio acusar integrantes da entidade de participação na disseminação da informação, a CNBB negou ter produzido, autorizado ou participado da divulgação de informações falsas relacionadas às eleições e afirmou não integrar estruturas político-partidárias.

Assim, o episódio reúne Flávio Bolsonaro, Jair Bolsonaro, Maria Cristina Fernandes, GloboNews, Professor Victório Galli, André Mendonça, Tarcísio de Freitas e CNBB em uma controvérsia que ganhou dimensão eleitoral e religiosa.

O ponto documental central é que o projeto citado na polêmica foi apresentado por Victório Galli em 2007 e arquivado em 2008, não sendo uma proposta de Flávio Bolsonaro. A GloboNews posteriormente corrigiu a informação, enquanto Flávio passou a reafirmar publicamente seu respeito a todas as religiões e sua defesa de um Estado laico.

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