
Influenciadores católicos saem em defesa de Flávio Bolsonaro após polêmica com Nossa Senhora Aparecida
Perfis conservadores contestam associação do candidato à retirada do título de Padroeira do Brasil; projeto citado nas redes é de 2007 e foi arquivado em 2008
Influenciadores ligados ao catolicismo conservador passaram a defender publicamente o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) após a repercussão de informações que o associaram a uma suposta intenção de retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil.
Entre os nomes que se manifestaram está Leomar Segundo, responsável pelo perfil Segundo Católico, que possui cerca de 1,2 milhão de seguidores no Instagram. Ele publicou vídeos questionando a narrativa que relacionava Flávio ao tema e recuperou referências à consagração do Brasil a Nossa Senhora Aparecida feita durante o governo de Jair Bolsonaro.
Outro nome envolvido é Tiago Prado de Maria, jornalista católico e responsável pela plataforma Católicos de Verdade, que reúne cerca de 112 mil seguidores. Ele compartilhou um trecho de um sermão do padre Adão Dias Martins, da Paróquia Nossa Senhora dos Navegantes, em Porto Rico (PR), além de conteúdos políticos voltados ao eleitorado católico. Tiago também publicou uma espécie de orientação eleitoral com nomes de candidatos a deputado e senador em diferentes estados e manifestou apoio a Flávio Bolsonaro.
Também entrou na discussão Álvaro Mendes, presidente da editora católica Centro Dom Bosco. Ele utilizou suas redes pessoais e os canais da organização para comentar a controvérsia envolvendo Nossa Senhora Aparecida e criticar setores da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Os perfis ligados a Mendes e ao Centro Dom Bosco somam, segundo o levantamento publicado, mais de 320 mil seguidores.
De onde surgiu a polêmica
A controvérsia começou após uma discussão na GloboNews, quando a jornalista Maria Cristina Fernandes mencionou a existência de uma suposta mobilização relacionada ao título de Nossa Senhora Aparecida.
Posteriormente, a emissora corrigiu a informação e esclareceu que o projeto mencionado havia sido apresentado em 2007, pelo então deputado Professor Victório Galli, e arquivado em 2008. A proposta pretendia alterar a denominação de Nossa Senhora Aparecida de “Padroeira do Brasil” para “Padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos”. Não existe atualmente no Congresso um projeto com esse objetivo, segundo as verificações divulgadas.
O levantamento do Projeto Comprova também apontou que Flávio Bolsonaro não foi autor do projeto de 2007 e não há registro de que tenha apresentado proposta para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil.
Flávio Bolsonaro e a CNBB
Flávio Bolsonaro afirmou durante agenda de campanha que a narrativa seria uma “fake news” e acusou o PT de ter ajudado a disseminá-la, mencionando também suposta participação de pessoas ligadas à CNBB.
A CNBB rejeitou a acusação. Em nota, a entidade afirmou que não produziu, autorizou ou participou da elaboração ou divulgação de informações falsas relacionadas ao processo eleitoral. A Conferência também declarou não integrar estruturas político-partidárias e afirmou que atribuir à instituição participação em disseminação de desinformação sem fatos e provas seria injusto.
No dia seguinte, Flávio voltou a mencionar a controvérsia durante ato em São Paulo, ao lado do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). Durante a caminhada, uma apoiadora entregou uma imagem de Nossa Senhora Aparecida ao candidato, que a levantou juntamente com Tarcísio diante dos apoiadores.
Disputa chegou à Justiça Eleitoral e ao STF
O episódio também chegou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O ministro André Mendonça, vice-presidente da Corte, havia determinado liminarmente a retirada de publicações relacionadas ao episódio, entre elas uma publicação do humorista Antonio Tabet.
Posteriormente, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), suspendeu os efeitos dessa decisão e permitiu a republicação do conteúdo, citando a proteção constitucional à liberdade de expressão. A defesa de Flávio recorreu ao STF e pediu a suspensão da decisão de Dino. Após o recurso, Dino encaminhou o caso para análise do plenário do Supremo.
Assim, a controvérsia passou a envolver Flávio Bolsonaro, Jair Bolsonaro, Tarcísio de Freitas, Maria Cristina Fernandes, Leomar Segundo, Tiago Prado de Maria, padre Adão Dias Martins, Álvaro Mendes, Antonio Tabet, André Mendonça, Flávio Dino e a CNBB, além de diferentes grupos religiosos e políticos que passaram a discutir o episódio nas redes sociais.
O ponto factual central permanece: o projeto citado na polêmica é de 2007, foi apresentado por Professor Victório Galli e arquivado em 2008; não há atualmente no Congresso uma proposta com esse conteúdo atribuída a Flávio Bolsonaro. A disputa política posterior envolve interpretações, acusações e respostas entre os diferentes grupos envolvidos.