
Flávio cresce rápido e empata com Lula, acendendo sinal de alerta no PT
Avanço do senador nas pesquisas surpreende governistas e muda o clima no Planalto
O crescimento acelerado de Flávio Bolsonaro nas pesquisas eleitorais começou a incomodar seriamente o núcleo político do governo. Levantamento divulgado nesta quarta-feira (25) pelo instituto AtlasIntel, em parceria com a Bloomberg, mostrou um empate técnico no segundo turno entre o senador e o presidente Lula.
De acordo com os números, Flávio aparece numericamente à frente, com 46,3% das intenções de voto, contra 46,2% do atual presidente. A diferença é mínima, mas o impacto político é enorme. Internamente, o Partido dos Trabalhadores esperava um cenário bem mais confortável, com vantagem de até oito pontos para Lula — expectativa que não se confirmou.
Entre dirigentes petistas, a leitura é de que o avanço de Flávio reflete uma combinação de desgaste do governo e erros recentes de comunicação política. Episódios simbólicos, como críticas envolvendo eventos públicos e a percepção de distanciamento de parte do eleitorado, passaram a ser vistos como fatores que pesaram diretamente no resultado da pesquisa.
O dado que mais preocupa o Planalto, no entanto, é a velocidade do crescimento do senador. Flávio Bolsonaro vem consolidando espaço especialmente entre eleitores conservadores e indecisos, demonstrando fôlego eleitoral e capacidade de polarizar diretamente com o presidente em um eventual segundo turno.
Diante do cenário, o PT já acendeu o sinal vermelho. A estratégia agora passa por tentar ampliar o diálogo com setores mais conservadores e, principalmente, por rever decisões internas. Nos bastidores, aliados avaliam que a escolha do vice na chapa de Lula poderá ter impacto decisivo nas próximas rodadas de pesquisa.
O presidente tem evitado confirmar a permanência de Geraldo Alckmin como vice e trabalha alternativas que envolvem rearranjos políticos mais amplos, inclusive com reflexos nas disputas estaduais e no Congresso.
Enquanto o governo recalcula rotas, o fato concreto é que Flávio Bolsonaro deixou de ser tratado como uma hipótese distante e passou a ser visto como um adversário competitivo, capaz de enfrentar Lula de igual para igual. O empate técnico não apenas mudou o tom das conversas no Planalto, como também redesenhou o tabuleiro eleitoral a mais de um ano da eleição.