
Patrimônio declarado de Jaques Wagner cresce 630% em oito anos enquanto senador é alvo de investigação da PF sobre o caso Banco Master
Candidato à reeleição pelo PT na Bahia, senador declarou R$ 24,5 milhões em bens à Justiça Eleitoral; investigação da Polícia Federal apura suspeitas relacionadas ao Banco Master, enquanto parlamentar nega irregularidades
O senador Jaques Wagner (PT-BA) registrou um expressivo crescimento em seu patrimônio declarado à Justiça Eleitoral nas eleições de 2026. De acordo com os dados apresentados ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o parlamentar informou possuir R$ 24,5 milhões em bens, valor cerca de 630% superior aos aproximadamente R$ 3,3 milhões declarados quando disputou o Senado em 2018.
A evolução patrimonial ocorre em um momento de forte repercussão política, já que Wagner também figura entre os investigados pela Polícia Federal em um dos desdobramentos da Operação Compliance Zero, que apura supostas irregularidades envolvendo empresários ligados ao Banco Master. O senador nega todas as acusações e afirma que demonstrará sua inocência durante o andamento das investigações.
Crescimento patrimonial
Segundo a declaração apresentada ao TSE, o patrimônio do senador aumentou aproximadamente R$ 21,1 milhões ao longo dos últimos oito anos.
Entre os principais bens informados estão:
- um crédito de aproximadamente R$ 13,8 milhões referente à venda de um terreno localizado em Salvador;
- um apartamento na capital baiana avaliado em cerca de R$ 1,6 milhão, conforme parte da documentação divulgada;
- participação em um sítio localizado em Andaraí, no interior da Bahia;
- seis veículos, sendo quatro deles avaliados em mais de R$ 100 mil;
- aplicações financeiras e outros investimentos.
Em outra descrição dos bens divulgada por veículos de imprensa, aparecem ainda um terreno de alto valor, investimentos financeiros, participação societária e recursos mantidos em contas bancárias.
Venda do terreno
O principal ativo declarado por Jaques Wagner é um crédito decorrente da venda de um terreno com aproximadamente 51 mil metros quadrados, localizado às margens da Via Metropolitana, em Salvador.
Segundo o senador, parte da propriedade foi afetada pela construção da rodovia durante obras estaduais. Wagner afirmou anteriormente que abriu mão de eventual indenização relacionada à área.
A negociação do imóvel envolve o Esporte Clube Bahia e a empresa Lagoons Empreendimentos, ligada ao City Football Group, grupo internacional controlador da SAF do clube baiano.
Essa operação imobiliária passou a integrar o conjunto de fatos analisados na investigação conduzida pela Polícia Federal.
Investigação da Polícia Federal
Jaques Wagner é investigado no âmbito da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de:
- corrupção;
- lavagem de dinheiro;
- possível favorecimento político;
- recebimento de vantagens indevidas.
Segundo os investigadores, existem indícios de que empresários ligados ao Banco Master teriam concedido benefícios ao senador ou a pessoas próximas.
Entre os elementos citados na investigação estão:
- aquisição de imóvel de alto padrão;
- utilização de aeronaves particulares;
- recebimento de ingressos para eventos;
- investimentos em produtos financeiros do Banco Master;
- movimentações financeiras envolvendo empresas relacionadas ao círculo familiar do parlamentar.
Na semana anterior, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirou parcialmente o sigilo do inquérito, tornando públicos documentos, mensagens, planilhas financeiras e outros elementos reunidos durante a investigação.
É importante destacar que a divulgação desses documentos não representa conclusão sobre eventual responsabilidade criminal, e o caso permanece em fase de investigação.
Mudança na liderança do governo
Após tornar-se alvo da operação da Polícia Federal, Jaques Wagner deixou a função de líder do governo Lula no Senado.
Na ocasião, o parlamentar afirmou que sua saída ocorreu para evitar desgaste político ao governo federal e para dedicar-se integralmente à própria defesa.
Apesar da mudança, Wagner continua exercendo normalmente seu mandato no Senado e teve sua candidatura à reeleição homologada durante convenção do PT realizada na Bahia, com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Defesa do senador
Jaques Wagner afirma que todas as acusações são infundadas.
Segundo sua defesa:
- a relação com empresários investigados é de amizade pessoal;
- não houve favorecimento político;
- todos os bens declarados possuem origem lícita;
- a evolução patrimonial está registrada oficialmente na Justiça Eleitoral.
O senador sustenta que apresentará documentação para esclarecer todos os fatos investigados.
Declaração de bens não caracteriza irregularidade
Especialistas em direito eleitoral ressaltam que o aumento do patrimônio declarado por um candidato, por si só, não configura qualquer ilegalidade.
A declaração de bens é uma exigência da Justiça Eleitoral e tem como finalidade dar transparência ao patrimônio dos candidatos, permitindo o acompanhamento público de sua evolução ao longo dos anos.
No caso de Jaques Wagner, tanto a evolução patrimonial quanto os fatos investigados pela Polícia Federal seguem sendo analisados em procedimentos distintos. Até o momento, não há condenação judicial contra o senador, e ele permanece respondendo às investigações dentro do devido processo legal.