Flávio e Tarcísio erguem imagem de Nossa Senhora Aparecida em ato em São Paulo

Flávio e Tarcísio erguem imagem de Nossa Senhora Aparecida em ato em São Paulo

Gesto ocorreu durante caminhada no centro da capital após dias de polêmica envolvendo uma falsa associação entre Flávio Bolsonaro e uma suposta retirada do título de Padroeira do Brasil

O senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o governador de São Paulo e candidato à reeleição, Tarcísio de Freitas (Republicanos), protagonizaram nesta segunda-feira (28) um momento de forte repercussão durante uma caminhada de campanha no centro de São Paulo: os dois ergueram juntos uma imagem de Nossa Senhora Aparecida diante dos apoiadores.

A imagem foi entregue a Flávio por uma participante do ato. Depois de receber a representação da padroeira, o senador posou para registros e, em seguida, Tarcísio se aproximou. Os dois levantaram a imagem diante da multidão, em uma cena acompanhada por aplausos.

O gesto aconteceu justamente depois de vários dias de polêmica nas redes sociais envolvendo uma informação falsa segundo a qual Flávio Bolsonaro teria intenção de retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil.

Flávio voltou a negar qualquer iniciativa nesse sentido e afirmou, durante a agenda, que aguardava um posicionamento da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Ao comentar a nota divulgada pela entidade, classificou a história como falsa e disse que se tratava da maior fake news da campanha.

A origem da polêmica

A controvérsia foi alimentada pela circulação nas redes sociais de referências a um projeto apresentado em 2007, pelo então deputado federal Professor Victório Galli. A proposta previa alterar a denominação de Nossa Senhora Aparecida de “Padroeira do Brasil” para “Padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos”.

O projeto, entretanto, não é de autoria de Flávio Bolsonaro, foi arquivado em 22 de agosto de 2008 e não está atualmente em tramitação no Congresso Nacional. Também não há, segundo as informações divulgadas nesta segunda-feira, projeto em andamento para retirar da santa o título de Padroeira do Brasil.

Foi justamente a associação desse antigo projeto com Flávio que provocou a reação do candidato e de sua campanha.

CNBB nega participação em desinformação

A CNBB entrou diretamente na controvérsia depois de Flávio afirmar que pessoas ligadas à instituição teriam ajudado o PT a disseminar o conteúdo. A entidade negou a acusação e afirmou que não produziu, autorizou ou participou da elaboração ou divulgação de informações falsas relacionadas ao processo eleitoral.

A conferência também declarou que não integra estruturas político-partidárias e que atribuir à instituição participação na disseminação de desinformação, sem fatos ou provas, seria injusto.

Nesta segunda-feira, Flávio agradeceu publicamente a manifestação da CNBB, embora tenha mantido sua acusação de que o conteúdo teria sido potencializado por adversários políticos. Ele citou, entre outros nomes, a primeira-dama Janja Lula da Silva e a candidata ao Senado Simone Tebet, sem apresentar provas para sustentar essa acusação.

A disputa chegou à Justiça

A polêmica também chegou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ao Supremo Tribunal Federal (STF).

Na sexta-feira (25), o ministro André Mendonça, do TSE, determinou a retirada de publicações que associavam Flávio Bolsonaro e integrantes de sua família à suposta intenção de retirar o título de Nossa Senhora Aparecida.

No domingo (27), o ministro Flávio Dino, do STF, suspendeu os efeitos da decisão em relação a uma publicação do humorista Antonio Tabet. Dino entendeu que, naquele conteúdo específico, não havia demonstração suficiente de ilicitude para justificar a restrição à liberdade de expressão e encaminhou a discussão ao plenário do Supremo. A defesa de Flávio recorreu.

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