Freire Gomes diz que suposta minuta exibida por Bolsonaro era “parecida, mas não igual” à achada com Torres

Freire Gomes diz que suposta minuta exibida por Bolsonaro era “parecida, mas não igual” à achada com Torres

Em acareação no STF, general afirma que documentos sobre estado de sítio e GLO tratavam do mesmo tema, mas nega que fossem idênticos. Defesa de Torres havia pedido confronto por contradições.

Durante acareação realizada nesta terça-feira (24) no Supremo Tribunal Federal (STF), o general Marco Antônio Freire Gomes, ex-comandante do Exército, afirmou que a chamada “minuta do golpe” apresentada por Jair Bolsonaro em uma reunião no dia 7 de dezembro de 2022 não era exatamente igual ao documento apreendido pela Polícia Federal na casa de Anderson Torres — mas ambos tratavam do mesmo assunto.

Segundo o general, embora os dois textos abordassem a possibilidade de decretar um estado de sítio e uma GLO (Garantia da Lei e da Ordem), ele nunca afirmou que se tratava do mesmo documento. “O conteúdo é semelhante, mas são textos diferentes”, reforçou ele, conforme registro da ata da audiência, que não foi gravada.

A declaração foi dada durante o confronto direto com Anderson Torres, solicitado pela própria defesa do ex-ministro da Justiça. Torres é um dos investigados no processo que apura uma suposta articulação golpista para impedir a posse de Lula após a vitória nas eleições de 2022. A ação penal envolve oito réus, incluindo o próprio ex-presidente Bolsonaro.

Minuta foi apresentada e depois “seria enxugada”, diz general

Freire Gomes relatou que, no dia 7 de dezembro, um documento foi apresentado com uma série de justificativas (“considerandos”) que levavam à proposta de se instaurar um estado de sítio. De acordo com ele, foi dito que o presidente ainda estudaria o conteúdo e que o texto passaria por revisões.

Já Anderson Torres, em sua explicação, afirmou que recebeu a minuta em seu gabinete no Ministério da Justiça e que a levou para casa com outros papéis, sem ter discutido o conteúdo com ninguém. Ele também alegou que o documento circulava publicamente e que outras autoridades do governo tiveram acesso a ele.

Reuniões pós-eleição e ausência de Torres

Freire Gomes confirmou que o conteúdo da minuta foi pauta de discussões posteriores em reuniões de governo, com propostas mais detalhadas. Entretanto, ele deixou claro que, na reunião ocorrida no Ministério da Defesa, em 14 de dezembro, não houve leitura de qualquer minuta. A reunião foi encerrada antes disso.

O general também mencionou que, após a derrota de Bolsonaro nas urnas, participou de encontros sobre os acampamentos em frente aos quartéis, mas destacou que Anderson Torres não esteve presente em nenhuma dessas ocasiões.

A fala de Freire Gomes reforça o fio tênue entre intenção e execução nos bastidores do governo Bolsonaro, em um momento de transição turbulenta e sob forte investigação. A diferença entre uma minuta “parecida” e uma ação concreta pode ser o ponto que separa defesa de responsabilidade penal.

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