Paulo Figueiredo apela a Trump e pede sanções contra Alexandre de Moraes

Paulo Figueiredo apela a Trump e pede sanções contra Alexandre de Moraes

Réu por tentativa de golpe no STF, empresário chama ministro de “ditador” em audiência nos EUA e diz viver exilado; democrata rebate e clima esquenta

O empresário e comentarista político Paulo Figueiredo, atualmente foragido da Justiça brasileira e um dos investigados por participação em uma suposta trama golpista, resolveu apelar diretamente ao ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Em uma audiência realizada nesta terça-feira (24) no Congresso norte-americano, ele pediu que Trump imponha sanções ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), dentro de um prazo de 30 dias.

Figueiredo, que vive nos EUA desde que virou alvo do STF, usou palavras duras para se referir ao magistrado. Chamou Moraes de “ditador disfarçado de juiz” e afirmou que vem sendo perseguido desde 2019. “Meus bens no Brasil foram congelados, minhas redes sociais foram bloqueadas, meu passaporte foi cancelado. Ele me condenou ao exílio sem direito de defesa”, afirmou diante da Comissão de Direitos Humanos Tom Lantos, na Câmara dos Deputados americana.

Acusação de censura e reação dos democratas

Durante o depoimento, o empresário afirmou que seu caso faz parte de uma “operação sistemática de repressão política”. Ele aproveitou o momento para mencionar os nomes de Eduardo Bolsonaro, que também está nos Estados Unidos, e de Carla Zambelli, que se encontra na Itália, como outros exemplos de perseguição por parte do Judiciário brasileiro.

Figueiredo também disse não saber se há um mandado internacional de prisão contra ele. “Moraes me insulta me chamando de fugitivo e diz que tem um mandado secreto contra mim, ao qual eu não tenho acesso e contra o qual não posso me defender”, acusou.

A audiência, no entanto, não foi pacífica. O deputado democrata James P. McGovern, que presidia a sessão, rebateu as falas de Figueiredo e classificou como “exagerada” a versão apresentada por ele. O clima ficou tenso quando o brasileiro alegou que sua liberdade de expressão estava sendo esmagada.

Trump pode mirar Moraes?

No mês passado, o governo Trump — que se prepara para uma possível volta ao poder — anunciou que poderá restringir a entrada nos EUA de autoridades estrangeiras acusadas de censurar americanos ou empresas sediadas no país. Ainda sem lista oficial divulgada, o secretário de Estado Marco Rubio insinuou que Alexandre de Moraes estaria entre os possíveis alvos.

A ideia está amparada pela chamada Global Magnitsky Act, legislação que permite aos Estados Unidos aplicar sanções econômicas e diplomáticas a estrangeiros acusados de violações graves de direitos humanos. Entre as punições previstas estão congelamento de bens, bloqueio de transações com empresas americanas e proibição de entrada no país. A aplicação, porém, ainda depende do aval do Departamento do Tesouro americano.

Réu ausente e com paradeiro incerto

No Brasil, Figueiredo é acusado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) de atuar no “núcleo 4” da tentativa de golpe de 2022, responsável por espalhar desinformação e tentar influenciar setores das Forças Armadas contra o resultado das urnas.

Como ele reside fora do país e não informou endereço às autoridades brasileiras, a notificação da denúncia ocorreu por meio de edital. A Defensoria Pública da União chegou a ser nomeada para representá-lo no processo, mas informou que não consegue apresentar defesa em nome dele, por não saber seu paradeiro.

Enquanto o processo segue sem decisão no STF, Paulo Figueiredo aposta agora no campo internacional, tentando transformar seu caso em um símbolo de “censura política” — e buscando apoio justamente nos bastidores do trumpismo, onde encontrou ouvidos atentos e também algumas respostas desconfiadas.

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