
Fux reage a críticas ao Rio e expõe incoerência no STF: “escândalos não são exclusivos”
Ministro rebate colegas, defende políticos do estado e afirma que responsabilidades devem alcançar também “altas autoridades”
Em meio a um clima tenso no Supremo, o ministro Luiz Fux decidiu romper o silêncio e confrontar diretamente o que chamou de “descrédito generalizado” contra o Rio de Janeiro — uma crítica que, segundo ele, revela mais preconceito do que análise justa dos fatos.
Durante sessão do Supremo Tribunal Federal realizada na quinta-feira (9), Fux reagiu às falas de colegas que colocavam o estado como símbolo de corrupção, lembrando que escândalos políticos não têm CEP definido.
“Não é só o Rio”: Fux aponta incoerência
Sem rodeios, o ministro deixou claro que o problema é mais amplo do que tentam pintar:
Segundo ele, episódios como o Mensalão, a Operação Lava Jato e até investigações recentes envolvendo INSS e Banco Master mostram que irregularidades atravessam diferentes estados e esferas de poder.
Na visão de Fux, culpar apenas o Rio é ignorar a realidade nacional — e, mais grave ainda, desvalorizar políticos sérios que atuam no estado.
Defesa do Rio e recado direto
Natural do Rio de Janeiro, Fux fez questão de destacar que há parlamentares comprometidos e competentes representando a população fluminense no Congresso.
Mas foi além. Em uma fala carregada de crítica, ele disparou:
Se políticos tiverem que “pagar pelos erros”, isso não deve acontecer de forma seletiva. Segundo o ministro, eventuais culpados não estarão sozinhos — “irão acompanhados das altas autoridades”, numa clara referência a figuras de alto escalão.
Divergência no julgamento
No caso em análise, que trata da sucessão no governo do estado, Fux divergiu do ministro Cristiano Zanin e se posicionou a favor da realização de eleições indiretas.
Seu entendimento acabou acompanhado por André Mendonça, formando maioria momentânea na Corte.
Contexto de tensão no STF
O debate ocorre em meio a declarações fortes de Alexandre de Moraes, que apontou indícios de infiltração do crime organizado na política do Rio, especialmente na Assembleia Legislativa.
Para Moraes, o cenário é grave e concreto — não uma suposição.
Fux, no entanto, não negou os problemas, mas criticou o que considera um julgamento desigual: para ele, transformar o Rio em bode expiatório nacional não resolve o problema — apenas desvia o foco de responsabilidades mais amplas.