Gilmar Mendes diz que STF só teve acesso ao celular de Vorcaro na véspera de julgamento

Gilmar Mendes diz que STF só teve acesso ao celular de Vorcaro na véspera de julgamento

Ministro afirma que íntegra dos dados foi disponibilizada aos demais integrantes da Corte apenas em 14 de setembro, após pedidos reiterados; material estava havia meses sob a guarda de André Mendonça

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou que os integrantes da Corte somente tiveram acesso aos dados brutos extraídos do celular de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, na tarde de 14 de setembro de 2026, um dia antes do julgamento que discutiria os desdobramentos do caso envolvendo o banqueiro e ministros do Supremo.

Segundo Gilmar, o material permanecia havia meses sob a guarda do ministro André Mendonça, que era responsável pelo caso no STF. O decano afirmou que foram necessários “sucessivos ofícios” para que a íntegra dos dados fosse disponibilizada aos demais ministros.

Em documento encaminhado na segunda-feira (28), Gilmar declarou que somente na tarde de 14 de setembro foi franqueado aos demais integrantes do colegiado o acesso aos dados brutos extraídos do aparelho de Daniel Bueno Vorcaro, principal investigado no caso Banco Master.

Disputa pelo acesso ao celular

A discussão sobre o acesso ao conteúdo do aparelho ganhou força às vésperas da sessão do STF marcada para 15 de setembro. Os ministros Cristiano Zanin e Gilmar Mendes solicitaram diretamente à Polícia Federal cópias dos dados extraídos do telefone.

A PF confirmou que tinha condições técnicas de fornecer cópias aos ministros, preservando o aparelho original e os procedimentos relacionados à cadeia de custódia. Os gabinetes de Zanin e Gilmar receberam o material em 14 de setembro. Alexandre de Moraes também havia solicitado acesso.

Mendonça, por sua vez, havia informado que mantinha uma cópia integral do material em seu gabinete, armazenada em um dispositivo criptografado e lacrado. O ministro argumentou que a abertura de todo o conteúdo pouco antes do julgamento poderia prejudicar investigações em andamento e tumultuar a sessão.

O que Gilmar afirma ter encontrado

Em manifestação posterior, Gilmar afirmou que, após o acesso direto ao acervo, surgiram elementos envolvendo outros ministros e familiares de autoridades que, segundo ele, não haviam recebido o mesmo nível de atenção durante a análise anterior.

O ministro destacou, por exemplo, informações relacionadas ao ministro Kassio Nunes Marques e a seu filho, Kevin Marques. Gilmar ressalvou que as mensagens, por si só, não permitem concluir pela existência de irregularidade ou impedimento de Nunes Marques, mas afirmou que os elementos merecem esclarecimento.

Entre as mensagens citadas por Gilmar está uma conversa de 1º de outubro de 2024, na qual Luiz Rennó, então diretor jurídico do Banco Master, teria enviado a Vorcaro uma mensagem sobre um julgamento e, posteriormente, encaminhado o contato de Kevin Marques. Gilmar observou que conversas entre terceiros não comprovam automaticamente a veracidade de seu conteúdo, embora tenha destacado que o resultado mencionado na mensagem coincidiu com o placar efetivamente registrado naquele julgamento.

Mendonça também apresentou sua versão

A disputa não ficou restrita a Gilmar e Mendonça. Cristiano Zanin, Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes solicitaram acesso ao conteúdo antes da sessão de 15 de setembro, enquanto Mendonça defendia que os elementos necessários ao julgamento já estavam disponíveis.

Posteriormente, Mendonça e o ministro Luiz Fux também receberam cópias do material. Em 19 de setembro, porém, os dois informaram à PF que seus gabinetes enfrentavam dificuldades técnicas para acessar efetivamente os dados enviados.

O episódio transformou o acesso ao celular de Vorcaro em um dos principais pontos de tensão dentro do STF, envolvendo Gilmar Mendes, André Mendonça, Cristiano Zanin, Alexandre de Moraes, Luiz Fux, Edson Fachin e a Polícia Federal, além de Daniel Vorcaro, personagem central das investigações relacionadas ao Banco Master.

O caso continua envolvendo discussões sobre acesso às provas, cadeia de custódia, condução das investigações, eventual impedimento de ministros e alcance das informações encontradas no aparelho de Vorcaro. As referências a autoridades ou familiares no material, por si só, não comprovam a prática de crimes ou irregularidades e precisam ser analisadas no contexto das investigações.

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