
Gleisi chama sanção dos EUA contra Moraes de “ato de violência política e arrogância internacional”
Ministra acusa Bolsonaro de traição e diz que ofensiva americana é parte de um ataque coordenado contra o Brasil e sua soberania
A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, classificou como “violento e arrogante” o gesto do governo dos Estados Unidos ao sancionar Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal, sob a justificativa de violação de direitos humanos. Para ela, a medida é mais um ataque à democracia brasileira — e tem por trás o dedo da família Bolsonaro.
“Essa sanção é mais um capítulo da traição bolsonarista contra o Brasil. É uma atitude externa agressiva, movida por mentiras e interesses políticos que visam enfraquecer nossas instituições”, escreveu Gleisi nas redes sociais nesta quarta-feira (30).
A ministra manifestou solidariedade a Moraes e disse que o ministro do STF apenas cumpre seu papel constitucional com firmeza e coragem, diante de ameaças reais à ordem democrática. Ela também criticou o uso da chamada Lei Magnitsky, uma legislação americana voltada para punir figuras envolvidas em corrupção ou violações graves de direitos humanos.
Acusação de ingerência internacional e ataque à soberania
Gleisi afirmou que a sanção contra Moraes não é apenas uma afronta a um ministro da Suprema Corte, mas uma tentativa de interferência direta nos rumos da política brasileira.
“O que está em jogo aqui é mais do que um nome numa lista estrangeira. É a soberania do nosso país, o respeito às nossas instituições e a resistência contra aqueles que preferem servir a interesses externos a defender o Brasil”, completou.
A ministra apontou ainda que a movimentação para a sanção teve apoio direto de Eduardo Bolsonaro, que está nos Estados Unidos desde o início do ano e mantém diálogo com aliados de Donald Trump.
Clima de tensão entre Planalto e bolsonarismo internacional
A fala de Gleisi reforça o clima de tensão entre o governo Lula e a ala bolsonarista, que vem atuando fora do país para enfraquecer decisões do Judiciário brasileiro. A crise, antes interna, agora ganha contornos internacionais — e reacende o debate sobre até onde vai a influência de ex-autoridades brasileiras na articulação de ataques às instituições nacionais.
Para o Planalto, a ofensiva contra Moraes representa um ataque à estabilidade democrática e exige reação política e diplomática à altura.