Gleisi entra em campo para “passar pano” no caso Master — e jura que tá tudo normal

Gleisi entra em campo para “passar pano” no caso Master — e jura que tá tudo normal

Ministra diz que Lewandowski avisou Lula sobre “atividades privadas” e trata ligação com o Banco Master como se fosse detalhe sem importância

A crise do Banco Master segue rendendo capítulos que parecem mais novela do que investigação séria — e, como sempre, quando a coisa aperta, aparece alguém do governo com aquele discurso pronto pra tentar transformar um escândalo em “mal-entendido”.

Dessa vez, quem resolveu sair em defesa foi Gleisi Hoffmann, ministra das Relações Institucionais, que afirmou que Ricardo Lewandowski teria avisado Lula, ainda em 2024, quando foi chamado para comandar o Ministério da Justiça, que fazia consultorias privadas e que precisaria se afastar ao assumir o cargo.

Até aí, tudo bem. O problema é o “tom” da explicação: Gleisi fala como se fosse algo banal, quase como quem diz “ah, ele tinha uns trabalhos aí, acontece”.

Lewandowski, vale lembrar, já foi membro de um conselho consultivo do Banco Master, além de ter tido contrato do seu escritório com a instituição. Mas, na visão da ministra, não existe nada que mereça desconfiança.

E aí vem a parte mais “confortável” do discurso: segundo ela, não sabe se Lewandowski mencionou exatamente o Master, mas “deve” ter comentado.

Sim, “deve”.

Ou seja: no meio de uma crise desse tamanho, a explicação vira um “acho que sim”, um “provavelmente”, um “não lembro direito”… e pronto, querem que o país inteiro engula isso como se fosse transparência.

“Ele avisou que prestava atividades privadas… não sei se falou exatamente do Master… ele deve ter comentado”, disse Gleisi, defendendo que isso não seria impeditivo para assumir o cargo.

E a pergunta que fica é simples, direta e impossível de ignorar: se fosse ministro do Bolsonaro, Gleisi estaria falando com essa calma toda?
Ou estaria gritando “escândalo”, “imoralidade” e “aparelhamento” em letras garrafais?

Porque a régua moral, no Brasil, quase sempre funciona assim: quando é aliado, vira coincidência; quando é adversário, vira crime.

“Não tem crime nenhum”, diz Gleisi — como se o país fosse bobo

Gleisi também afirmou que não vê problema algum em Lewandowski ter prestado serviço ao Master e tentou encerrar o assunto com um argumento pronto:

Segundo ela, foi justamente durante a gestão de Lewandowski que a Polícia Federal prendeu Daniel Vorcaro, dono do Master, e iniciou investigações.

Só que isso não apaga o ponto central: uma coisa é a PF investigar, outra é o governo fingir que não existe conflito de interesse nenhum quando um ex-ministro tem relação com um banco investigado.

A ministra ainda criticou o que chamou de tentativa da oposição de “colar” o caso Master no governo Lula, dizendo que, na verdade, políticos adversários é que precisam se explicar.

Ela citou, por exemplo, o BRB, banco do Distrito Federal que tentou comprar parte do Master antes da liquidação, e também mencionou investimentos ligados ao Rio de Janeiro.

Ou seja: na versão oficial, o governo não tem culpa de nada, não tem responsabilidade de nada, não tem nem “cheiro” de nada — mas a oposição, essa sim, teria muito o que explicar.

Conveniente, né?

E quando o assunto é Vorcaro no Planalto… “é normal”

Sobre a reunião de Daniel Vorcaro com Lula, fora da agenda oficial, Gleisi afirmou que não participou e nem estava no governo em 2024, então não poderia detalhar. Mas fez questão de “normalizar”:

Disse que o presidente se reúne com muita gente, inclusive com outros banqueiros e pessoas do mercado financeiro, e que a orientação é agir tecnicamente.

Aí pronto: virou isso.
Reunião fora da agenda? Normal.
Contrato milionário? Normal.
Conselho consultivo? Normal.
Tudo “muito tranquilo”.

O Brasil, no fim, fica com a sensação de sempre: quando é do lado deles, é só “atividade privada”; quando é do lado de lá, é escândalo nacional.

E Gleisi, mais uma vez, aparece como aquela voz que tenta convencer todo mundo de que o problema não é o problema — é quem tá falando do problema.

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