
Governo quer transformar o Enem de 2026 na prova oficial do 3º ano do ensino médio — e estuda aplicar exame no exterior
Ministro Camilo Santana diz que unificar avaliações evita desmotivação dos alunos e quer levar o Enem para capitais do Mercosul já no próximo ano.
O ministro da Educação, Camilo Santana, anunciou neste domingo uma mudança importante no futuro do ensino médio no Brasil: a partir de 2026, o Enem passará a valer também como avaliação oficial dos alunos do 3º ano, substituindo a prova do Saeb nessa etapa.
Segundo Santana, a decisão foi motivada por algo que os professores veem na prática: muitos estudantes do último ano simplesmente não se engajam na prova do Saeb, já que o foco deles, naturalmente, é o Enem — porta de entrada para o ensino superior.
— O jovem do terceiro ano concentra toda a energia no Enem. Então faz muito mais sentido usarmos essa avaliação, que já mobiliza os alunos e acontece todos os anos — explicou o ministro, ao apresentar os dados da edição 2025 do exame.
Ele argumenta que a mudança deve trazer resultados mais confiáveis sobre o desempenho dos estudantes e tornar o processo de avaliação do ensino médio mais simples e eficiente.
Saeb segue existindo — mas não para o 3º ano
O Saeb, que hoje ocorre a cada dois anos e usa testes e questionários para medir a qualidade da educação básica, continuará sendo aplicado nas outras etapas do ensino médio. A diferença é que, para quem está concluindo a escola, a régua de medição será o próprio Enem.
Enem no exterior: ideia inédita
Outra novidade está sendo estudada pelo Inep: aplicar o Enem em português para brasileiros e estrangeiros em capitais do Mercosul, como Buenos Aires, Montevidéu e Assunção.
A proposta permitiria que estudantes de fora do Brasil também participassem do processo seletivo para universidades brasileiras.
— Já pedi ao Inep para avaliar a viabilidade da aplicação internacional em 2026. É uma demanda antiga e queremos tentar colocar em prática — afirmou Santana.
O ministério ainda não sabe qual será o custo da operação, nem o impacto no número de inscritos. Há também a possibilidade de que essa versão do exame seja digital, segundo o presidente do Inep, Manuel Palácios.
A decisão precisa sair rápido: se houver Enem internacional em 2026, isso terá que estar definido antes da abertura das inscrições.