Governo suspende vacina contra dengue após casos graves e mortes sob investigação

Governo suspende vacina contra dengue após casos graves e mortes sob investigação

Ministro Alexandre Padilha pede monitoramento especial de vacinados nos últimos 21 dias enquanto autoridades tentam esclarecer reações adversas registradas após aplicação do imunizante do Butantan

A decisão do Ministério da Saúde de suspender temporariamente a aplicação da vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan acendeu um alerta em todo o país e trouxe novas preocupações para milhares de brasileiros que receberam o imunizante nos últimos meses.

O anúncio foi feito pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, após o registro de 42 casos de reações adversas consideradas graves entre cerca de 500 mil pessoas vacinadas. Entre os episódios investigados, três pacientes precisaram de internação em unidades de terapia intensiva (UTI) e dois acabaram morrendo.

Apesar da gravidade dos casos, o governo afirma que ainda não existem evidências científicas suficientes para estabelecer uma relação direta entre a vacina e os óbitos registrados. As investigações continuam sendo conduzidas por órgãos de vigilância sanitária, especialistas e equipes técnicas do Ministério da Saúde.

Durante coletiva, Padilha ressaltou que as pessoas vacinadas nos últimos 21 dias devem receber acompanhamento especial e permanecer atentas a qualquer sintoma considerado fora do padrão.

Segundo o ministro, a suspensão foi adotada por precaução, uma medida que busca garantir a máxima segurança enquanto os episódios são analisados em profundidade.

“Na saúde pública, muitas vezes agir com cautela é a melhor forma de proteger a população”, afirmou.

Os números divulgados pelo ministério mostram que os 42 eventos adversos representam aproximadamente oito ocorrências para cada 100 mil doses aplicadas. Mesmo assim, diante da repercussão dos casos graves, o governo decidiu interromper temporariamente a estratégia de vacinação em municípios que participavam da aplicação ampliada do imunizante.

Entre as localidades afetadas estão Nova Lima, em Minas Gerais; Maranguape, no Ceará; Botucatu, em São Paulo; e a região de Araguaína, no Tocantins.

Os casos sob investigação chamam atenção pelo curto intervalo entre a vacinação e o surgimento dos sintomas.

Uma mulher de 39 anos desenvolveu febre, dores musculares e náuseas poucos dias após receber a dose. O quadro evoluiu para uma condição compatível com dengue grave, exigindo internação em UTI. Ela conseguiu se recuperar e recebeu alta.

Já uma mulher de 48 anos apresentou sintomas graves associados a complicações neurológicas, incluindo meningoencefalite. O quadro evoluiu para óbito.

Outro caso envolve um homem de 58 anos que apresentou febre poucos dias após a vacinação e sofreu rápida piora clínica, evoluindo para choque grave e falecendo posteriormente.

As duas mortes seguem sendo investigadas pelas autoridades sanitárias, que buscam determinar se houve coincidência temporal ou alguma ligação efetiva com o imunizante.

Mesmo diante da suspensão, Padilha procurou tranquilizar a população ao afirmar que os dados analisados até o momento continuam demonstrando eficácia da vacina contra a dengue e que a medida não representa uma condenação do produto, mas sim um procedimento de segurança previsto nos protocolos de vigilância.

A partir desta semana, o Ministério da Saúde ampliará o monitoramento de possíveis eventos adversos em todo o país. Técnicos da pasta pretendem aprofundar a análise dos casos para determinar se existe qualquer vínculo entre a vacinação e as complicações registradas.

O episódio, no entanto, aumenta a pressão sobre o governo federal, que agora enfrenta o desafio de esclarecer rapidamente os fatos para evitar insegurança na população e preservar a confiança em campanhas de imunização, consideradas fundamentais no combate à dengue, uma das doenças que mais desafiam a saúde pública brasileira.

Compartilhe nas suas redes sociais
Categorias
Tags