
Greve dos bancários paralisa Caixa e atinge Banco do Brasil em vários estados
Paralisação começou em 10 de setembro após rejeição das propostas apresentadas pelas instituições; principal impasse envolve o plano de saúde dos empregados da Caixa e questões específicas do acordo coletivo do Banco do Brasil
Os funcionários da Caixa Econômica Federal iniciaram, na quinta-feira (10), uma greve nacional por tempo indeterminado, enquanto trabalhadores do Banco do Brasil aderiram parcialmente à paralisação em diferentes regiões do país. O movimento ocorre depois de meses de negociações entre representantes dos empregados e as instituições financeiras e ganhou força após a rejeição das propostas apresentadas durante a campanha salarial de 2026.
A mobilização envolve sindicatos e entidades representativas dos bancários, que pressionam as duas instituições públicas por mudanças em pontos específicos dos acordos coletivos. No caso da Caixa, um dos principais focos de conflito é o Saúde Caixa, plano de assistência médica dos empregados. Também estão em discussão condições de trabalho, metas, saúde ocupacional e outros direitos previstos no acordo específico da instituição.
No Banco do Brasil, a situação é diferente: a paralisação não atingiu todas as unidades do país. Diversas bases sindicais aceitaram a proposta apresentada, enquanto outras rejeitaram o acordo e decidiram manter a mobilização.
Caixa entra em greve nacional
Na Caixa Econômica Federal, mais de 90% das bases sindicais rejeitaram a proposta de renovação do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT), segundo as entidades que representam os empregados.
O Saúde Caixa tornou-se um dos principais pontos de divergência. A proposta apresentada pela instituição alterava regras de custeio e participação dos empregados, provocando forte resistência entre os trabalhadores.
Também entraram na pauta questões relacionadas à Norma Regulamentadora 1 (NR-1), combate às metas consideradas abusivas e melhoria das condições de saúde e segurança no ambiente profissional.
A Caixa, por sua vez, afirma que permanece aberta ao diálogo e que retomou as negociações com os representantes dos empregados para tentar alcançar um entendimento.
Entre os pontos apresentados pela instituição posteriormente estavam um prêmio de R$ 3 mil por empregado, pagamento da Participação nos Lucros e Resultados (PLR) e mudanças no custeio do Saúde Caixa.
Mesmo com a nova proposta, os empregados da Caixa decidiram manter a greve. O principal conflito continua concentrado nas condições do plano de saúde e em outros itens do acordo específico.
Banco do Brasil tem paralisação parcial
No Banco do Brasil, a greve começou de maneira diferente. Parte das entidades sindicais aceitou a proposta apresentada, enquanto outras rejeitaram o acordo e optaram pela paralisação.
Entre as bases que inicialmente rejeitaram a proposta estavam representações de Brasília, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Pernambuco e Florianópolis, entre outras localidades.
O banco informou que participou das negociações nacionais conduzidas pela Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) e também manteve uma mesa específica para discutir reivindicações próprias dos funcionários do BB.
Um dos pontos apresentados foi um aporte de aproximadamente R$ 360 milhões para a Cassi, entidade responsável pelo plano de saúde dos funcionários do Banco do Brasil. Parte das representações sindicais considerou a proposta insuficiente e decidiu manter a mobilização.
Posteriormente, a situação começou a ser normalizada em grande parte das bases. A proposta do BB acabou sendo aprovada por ampla maioria das representações, levando ao encerramento da greve em diversas localidades.
O que está por trás da greve
A paralisação ocorre dentro de uma campanha salarial que envolveu toda a categoria bancária.
A nova Convenção Coletiva de Trabalho, negociada entre a Fenaban e as entidades sindicais, estabeleceu reposição integral da inflação medida pelo INPC, acompanhada de 0,6% de aumento real em 2026 e 2027. O acordo também alcança benefícios como vale-refeição, vale-alimentação, PLR e auxílio-creche ou babá.
A convenção tem vigência até agosto de 2028 e abrange aproximadamente 414 mil bancários, distribuídos por cerca de 3,6 mil municípios, envolvendo aproximadamente 171 instituições financeiras.
Também foram incluídas medidas relacionadas à saúde mental, combate ao assédio, direito à desconexão fora do horário de trabalho, transparência no monitoramento digital e programas de qualificação profissional.
O problema é que Caixa e Banco do Brasil possuem acordos específicos com seus empregados. Por isso, mesmo com a assinatura da convenção geral, permaneceram pendências particulares em cada banco.
Roraima também é atingido
Em Roraima, a paralisação alcançou unidades da Caixa, do Banco do Brasil e do Banco da Amazônia.
O Sindicato dos Trabalhadores do Ramo Financeiro do Estado de Roraima (Sintraf-RR) anunciou greve por tempo indeterminado a partir de 10 de setembro. A mobilização atingiu o atendimento presencial em agências do estado.
A situação demonstra que o movimento não ficou restrito aos grandes centros financeiros. Diferentes sindicatos estaduais aprovaram paralisações conforme o resultado das assembleias realizadas durante a campanha salarial.
Impacto para os clientes
Apesar da paralisação das agências, os clientes continuam podendo utilizar boa parte dos serviços bancários por meios digitais e eletrônicos.
Na Caixa, permanecem disponíveis o aplicativo, Internet Banking, Caixa Tem, WhatsApp, caixas eletrônicos, Banco24Horas, casas lotéricas e correspondentes Caixa Aqui.
No Banco do Brasil, os clientes podem utilizar o aplicativo, Internet Banking, correspondentes bancários, WhatsApp e a Central de Relacionamento.
A greve não significa, automaticamente, a suspensão de pagamentos ou benefícios. Entretanto, serviços que dependem exclusivamente do atendimento presencial podem sofrer atrasos ou dificuldades conforme o nível de adesão em cada agência.
Partes envolvidas
Entre os principais envolvidos na disputa estão:
- Caixa Econômica Federal — instituição e direção responsável pelas negociações com os empregados;
- Banco do Brasil — instituição que enfrenta paralisações parciais em determinadas bases;
- empregados da Caixa e do Banco do Brasil — trabalhadores que aprovaram a mobilização nas assembleias;
- sindicatos dos bancários — responsáveis pela representação das categorias e condução das assembleias;
- Comissão Executiva dos Empregados (CEE) da Caixa — representação dos trabalhadores nas negociações específicas;
- Fenaban — entidade que participa das negociações da convenção coletiva nacional;
- Cassi — plano de saúde dos funcionários do Banco do Brasil, diretamente envolvido nas discussões sobre custeio;
- Saúde Caixa — plano de assistência médica dos empregados da Caixa e um dos principais pontos de conflito;
- clientes das instituições — diretamente afetados por eventuais interrupções no atendimento presencial.
Uma disputa que ultrapassa o reajuste salarial
O movimento revela que a atual disputa entre bancários e bancos públicos não está limitada simplesmente à discussão sobre salários.
Embora a convenção nacional tenha assegurado reposição da inflação e aumento real, os trabalhadores consideram que determinadas condições específicas dos bancos públicos precisam ser renegociadas.
Na Caixa, o Saúde Caixa tornou-se o principal símbolo do impasse. No Banco do Brasil, a discussão também envolve a estrutura de assistência médica e outras condições específicas de trabalho.
Do outro lado, as instituições defendem que apresentaram propostas capazes de manter os benefícios e garantir a continuidade dos serviços, enquanto procuram equilibrar os custos de suas estruturas.
A consequência imediata é sentida pelo cidadão que precisa resolver problemas presencialmente. Embora Pix, aplicativos, caixas eletrônicos e outros canais continuem funcionando, nem todo atendimento pode ser substituído integralmente pelo meio digital.
A greve e o direito de paralisação
A greve é um instrumento previsto constitucionalmente para os trabalhadores. No caso dos bancários, a decisão foi tomada por meio de assembleias das respectivas bases sindicais.
O movimento, portanto, é resultado de uma disputa trabalhista entre empregados e instituições financeiras e não deve ser confundido com uma interrupção completa das atividades bancárias.
Enquanto as entidades sindicais pressionam por mudanças nos acordos específicos, Caixa e Banco do Brasil procuram preservar o atendimento por canais alternativos e manter as negociações.
O desfecho dependerá das próximas assembleias e da capacidade de sindicatos e bancos chegarem a um acordo que seja aceito pelas bases que ainda permanecem em greve.
Texto em destaque
Caixa enfrenta greve nacional por tempo indeterminado, enquanto Banco do Brasil tem paralisação parcial. O principal foco de tensão na Caixa está no Saúde Caixa e nas condições específicas do acordo coletivo dos empregados.
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GREVE DOS BANCÁRIOS: CAIXA PARA E BANCO DO BRASIL TEM PARALISAÇÃO EM VÁRIOS ESTADOS
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Bancários rejeitam propostas, entram em greve e pressionam Caixa e Banco do Brasil por mudanças em planos de saúde, condições de trabalho e acordos coletivos.