Groenlândia reage e rejeita discurso sobre anexação após falas de Trump

Groenlândia reage e rejeita discurso sobre anexação após falas de Trump

Líderes locais e aliados europeus afirmam que o futuro do território deve ser decidido apenas por seu povo

Autoridades da Groenlândia reagiram com firmeza aos recentes comentários do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a possibilidade de os EUA assumirem o controle do território ártico. O primeiro-ministro groenlandês, Jens-Frederik Nielsen, foi direto ao afirmar que já chega de especulações e deixou claro que não há espaço para conversas sobre anexação.

As declarações de Trump ocorreram logo após a operação americana que resultou na captura do ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro, ação que levou autoridades da Dinamarca a temerem que a Groenlândia — região autônoma sob soberania dinamarquesa — pudesse enfrentar pressões semelhantes no futuro.

Desde seu primeiro mandato, em 2019, Trump demonstra interesse em assumir o controle da Groenlândia, citando razões estratégicas. Em entrevista recente à revista The Atlantic, o presidente voltou ao tema ao afirmar que os Estados Unidos “precisam da Groenlândia” para fins de defesa. Questionado novamente nesta segunda-feira (5), Trump indicou que pretende retomar o assunto nas próximas semanas.

A resposta das lideranças locais foi imediata. Em publicação nas redes sociais, Nielsen afirmou que ameaças, pressão política e discursos sobre anexação não fazem parte de uma relação entre parceiros. “Chega. Basta de fantasias sobre anexação”, escreveu.

O tema também gerou reação em Copenhague. A primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, classificou as declarações americanas como sem sentido e reiterou que a soberania do Reino da Dinamarca sobre a Groenlândia não está em negociação.

O apoio à Groenlândia se espalhou rapidamente pela Europa. Líderes de países nórdicos e bálticos manifestaram solidariedade, destacando que apenas a Groenlândia e a Dinamarca têm autoridade para decidir o futuro do território. O presidente da Finlândia, Alexander Stubb, afirmou que nenhum outro país pode falar em nome dos groenlandeses.

A França também se posicionou. O presidente Emmanuel Macron reafirmou que a ilha pertence ao seu povo e alertou, em declaração anterior, para o que chamou de “ambições predatórias” sobre a região.

Apesar das críticas, o interesse estratégico dos EUA na Groenlândia permanece evidente. A localização da ilha é considerada fundamental para o sistema de defesa norte-americano, especialmente contra mísseis balísticos, além de possuir vastos recursos minerais que se alinham ao objetivo de Washington de reduzir a dependência da China.

Mesmo assim, líderes europeus reforçam que qualquer debate sobre o futuro da Groenlândia deve respeitar a autodeterminação do território e a soberania dinamarquesa, afastando, ao menos por ora, qualquer cenário de anexação.

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