
Hugo Motta aciona ministros do STF enquanto tenta emplacar anistia
đź’Ą Presidente da Câmara, rompido com o PT, busca apoio silencioso para evitar um desgaste polĂtico explosivo
O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), abriu a semana em clima de articulação pesada. Na segunda-feira (24), ele começou uma sĂ©rie de conversas reservadas com ministros do STF sobre a polĂŞmica votação do projeto de anistia — um tema que pode incendiar ainda mais o ambiente polĂtico já inflamado.
Rompido com o PT e tentando marcar posição, Motta quer colocar a proposta na pauta. Mas antes disso, procura criar ao menos um clima de “paz armada” com o Supremo e com o Senado. Ele sabe que, se o Senado resolver barrar tudo, quem fica exposta é a Câmara — e, especialmente, ele próprio.
Entre os ministros acionados estĂŁo Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes e Flávio Dino. O relator da proposta, Paulinho da Força, tambĂ©m foi chamado Ă s pressas para ir a BrasĂlia.
🔥 Nos bastidores: chantagens veladas e promessas não ditas
Há duas leituras circulando nos corredores de BrasĂlia.
A primeira:
Davi Alcolumbre (UniĂŁo Brasil-AP) pode usar a votação da anistia como moeda de troca para tentar enterrar a indicação de Jorge Messias ao STF. Seria a “resposta” dele ao fato de Lula ter deixado Rodrigo Pacheco (PSD-MG) fora da vaga. É a vingança polĂtica na sua forma mais crua.
Lula já teria avisado:
Se perder, não indicará Pacheco.
Alcolumbre, por sua vez, usa o que tem — votos, articulações e ressentimentos acumulados.
A segunda leitura:
O cenário está instável demais para mexer com anistia, especialmente depois da prisão antecipada de Jair Bolsonaro, acusada de ter sido provocada por uma tentativa de manipular a tornozeleira eletrônica. O clima é de pólvora.
⚠️ Nada de anistia total — só redução de pena
O acordo que circula entre os parlamentares prevê redução das penas dos condenados pelo 8 de Janeiro. Mas uma anistia ampla, como muitos desejavam, está fora de cogitação — pelo menos por agora.
Um ministro do Supremo resumiu o problema:
“Os acordos até são costurados antes da votação, mas depois cada um volta para seu discurso eleitoral.”
Ou seja: combinam paz na mesa, mas sobem no palanque fazendo guerra.