
“Humilhação em Mossoró: caso de racismo contra menino vendedor de paçocas gera revolta e investigação”
MP e Polícia Civil apuram injúria racial, possível trabalho infantil e violência contra criança em vídeo que chocou o Rio Grande do Norte
🍬 O vídeo que não teve graça nenhuma — só vergonha
Um caso registrado em vídeo em Mossoró (RN) provocou indignação nacional. As imagens mostram um menino, aparentemente com cerca de 12 anos, vendendo paçocas em um semáforo quando é alvo de humilhação por ocupantes de um carro.
O episódio, que circulou rapidamente nas redes sociais, não tem nada de “brincadeira” — apesar de alguns tentarem minimizar. O que aparece ali é constrangimento, desrespeito e ofensas raciais direcionadas a uma criança em situação de vulnerabilidade.
⚖️ Ministério Público e polícia entram no caso
O caso passou a ser investigado pelo Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN) e pela Polícia Civil, que apuram possível ato infracional análogo ao crime de racismo e outras violações de direitos.
A investigação está sob responsabilidade da Delegacia Especializada de Atendimento à Criança e ao Adolescente (DEA) de Mossoró.
Segundo as autoridades, também há apurações sobre relatos de que a criança poderia estar em situação de trabalho infantil e exposição indevida.
🚓 O que aparece no vídeo (e o que revolta)
Nas imagens, um dos jovens dentro de um veículo se aproxima do menino e simula interesse na compra das paçocas. Em seguida, ele tenta pegar os produtos sem pagar, derrubando parte deles no chão.
Durante a ação, também são registradas ofensas de cunho racista contra o menino, que permanece no local tentando recolher sua mercadoria.
O detalhe mais pesado não é só o ato em si — é a naturalidade com que ele acontece, como se fosse entretenimento.
🧒 Conselho Tutelar aponta violações graves
O Conselho Tutelar também foi acionado e classificou o caso como possível violação de direitos fundamentais.
Entre os pontos destacados:
- exposição indevida de imagem de menor;
- possível trabalho infantil;
- violação da dignidade humana;
- e relatos de situações semelhantes anteriores.
Ou seja: não é um episódio isolado, é um alerta.
🔍 Investigação ampliada e sigilo do caso
O MPRN informou que instaurou uma Notícia de Fato para apurar as denúncias. A 10ª Promotoria de Justiça de Mossoró conduz a análise sobre possível racismo e ato infracional.
Já a 12ª Promotoria deve atuar na rede de proteção social da criança.
O caso segue sob sigilo por envolver menores de idade.
🧨 Reação nas ruas: protesto e indignação
O episódio também saiu das redes e foi para as ruas. Motoboys realizaram uma manifestação em frente a um condomínio onde supostamente mora um dos envolvidos.
O protesto reuniu dezenas de pessoas cobrando responsabilização e justiça.
🧠 Quando “brincadeira” vira violência
Há uma tentativa recorrente nas redes sociais de transformar esse tipo de episódio em “zoeira”, “meme” ou “exagero da internet”. Mas o caso de Mossoró expõe outra realidade: quando a humilhação é filmada, compartilhada e rida, ela deixa de ser apenas um ato individual e vira sintoma coletivo.
E aqui não há espaço para relativização: criança vendendo paçoca não deveria ser cenário de deboche, muito menos de racismo.
⚠️ Conclusão: o vídeo viral passa, as marcas ficam
O caso segue em investigação, mas já deixou uma marca clara: a normalização da violência contra crianças vulneráveis não pode ser tratada como entretenimento.
Enquanto o processo avança, resta uma pergunta incômoda — não para o menino, mas para quem assistiu e compartilhou: em que momento isso deixou de parecer errado?