Ciro Nogueira comprou triplex de R$ 22 milhões antes de apresentar “Emenda Master”, diz investigação

Ciro Nogueira comprou triplex de R$ 22 milhões antes de apresentar “Emenda Master”, diz investigação

Polícia Federal apura relação entre senador, Banco Master e proposta que ampliava proteção do Fundo Garantidor de Crédito

O senador Ciro Nogueira voltou ao centro das investigações da Polícia Federal após a revelação de que adquiriu uma cobertura triplex avaliada em R$ 22 milhões em São Paulo poucas semanas antes de apresentar no Congresso a chamada “Emenda Master”, proposta considerada de interesse direto do Banco Master.

Segundo documentos investigados pela PF na Operação Compliance Zero, a proposta apresentada por Ciro Nogueira teria beneficiado diretamente o banco comandado pelo empresário Daniel Vorcaro. Os investigadores apuram se houve troca de favores políticos, vantagens financeiras e atuação do senador em favor da instituição financeira dentro do Congresso Nacional.

Triplex milionário fica em área de luxo de São Paulo

De acordo com reportagens divulgadas pela imprensa, o imóvel adquirido por Ciro Nogueira está localizado na tradicional Rua Oscar Freire, na zona oeste da capital paulista, uma das regiões mais valorizadas do Brasil.

A cobertura possui 514 metros quadrados, três suítes, três vagas de garagem e faz parte de um empreendimento de alto padrão ainda em fase final de construção.

A compra teria ocorrido em julho de 2024, cerca de um mês antes da apresentação da PEC que ampliava a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão por depositante — medida que, segundo investigadores, favoreceria diretamente o Banco Master em meio a dificuldades financeiras enfrentadas pela instituição.

PF aponta suposta relação entre senador e banqueiro

As investigações apontam que Ciro Nogueira teria se tornado sócio de empresas ligadas à família Vorcaro poucos meses antes da apresentação da proposta no Senado.

Segundo a PF, mensagens interceptadas indicariam pagamentos mensais ao parlamentar. Em um dos diálogos citados pela investigação, aparece a discussão sobre uma suposta “parceria” envolvendo valores de R$ 300 mil por mês.

Os investigadores também afirmam que a chamada “Emenda Master” teria sido elaborada pela própria equipe do banco e posteriormente apresentada integralmente pelo senador no Congresso.

A defesa de Ciro Nogueira nega irregularidades. O parlamentar afirma que a compra do triplex foi feita de forma legal, utilizando recursos da empresa da família e envolvendo a troca de outro apartamento avaliado em cerca de R$ 8 milhões no mesmo empreendimento.

Operação aumenta pressão política sobre senador

Na quinta fase da Operação Compliance Zero, a Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão relacionados ao caso. Após a ação, Ciro Nogueira afirmou nas redes sociais que estaria sendo alvo de perseguição política.

O caso ampliou a pressão sobre o senador, especialmente por envolver valores milionários, imóveis de luxo e suspeitas de influência de interesses privados em propostas legislativas.

Além do triplex na Oscar Freire, reportagens também apontam que o parlamentar negocia uma mansão de alto padrão no Jardim Europa, bairro nobre da capital paulista, com estrutura de luxo incluindo spa, academia e piscina aquecida.

Troca de advogado chamou atenção em Brasília

Outro detalhe que movimentou os bastidores políticos foi a saída do advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, conhecido como Kakay, da defesa do senador.

Pouco antes de deixar o caso, o criminalista afirmou em entrevista que possui posições políticas diferentes das de Ciro Nogueira, ressaltando que sua atuação era apenas técnica e jurídica.

O caso segue sob investigação da Polícia Federal e pode avançar para novas fases nos próximos meses.

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