Lula busca reaproximação com Alcolumbre após votação do Orçamento

Lula busca reaproximação com Alcolumbre após votação do Orçamento

Ligação articulada por líder do governo sinaliza tentativa de distensão entre Planalto e Congresso

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva entrou em contato, no fim da tarde de sexta-feira (19), com o presidente do Congresso Nacional, senador Davi Alcolumbre, para agradecer a aprovação do Orçamento da União. A conversa, segundo relatos de bastidores, foi intermediada pelo líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues. Alcolumbre, no entanto, afirma que a ligação não ocorreu.

O Projeto de Lei Orçamentária aprovado pelo Congresso prevê um superávit de R$ 34,5 bilhões, além da destinação de cerca de R$ 61 bilhões para emendas parlamentares, um ponto sensível nas negociações entre Executivo e Legislativo.

O contato marca uma tentativa de reaproximação entre Lula e Alcolumbre, cuja relação vinha desgastada desde a indicação feita pelo presidente para uma vaga no Supremo Tribunal Federal. O senador defendia o nome de Rodrigo Pacheco para o cargo, enquanto Lula optou por indicar o atual advogado-geral da União, Jorge Messias. Desde então, os dois não mantinham diálogo direto.

Antes da ligação, Alcolumbre havia tentado acelerar a votação da indicação de Messias ainda em dezembro, numa movimentação que poderia resultar na rejeição do nome pelo Senado, já que o indicado ainda não teria votos suficientes. A estratégia acabou sendo adiada após o Palácio do Planalto não encaminhar formalmente a mensagem de indicação.

Para ser aprovado no plenário do Senado, Jorge Messias precisa do apoio da maioria simples dos senadores, ou seja, ao menos 41 votos.

Na véspera do contato, Lula buscou publicamente amenizar o clima e elogiou Alcolumbre, negando qualquer crise com o Congresso. O presidente afirmou manter boa relação com os líderes do Legislativo e destacou a importância do diálogo entre os Poderes para resolver eventuais divergências.

Apesar do gesto, o ambiente político segue marcado por tensões recentes. Uma delas envolve a pressa de Alcolumbre em pautar o projeto que altera regras de dosimetria das penas aplicadas aos condenados pelos atos de 8 de janeiro. A proposta gerou desconforto no Planalto, mesmo após um acordo de procedimento articulado para destravar votações econômicas no Senado.

Lula afirmou que não foi consultado sobre esse acordo, assim como a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann. O episódio evidenciou que, embora haja sinais de reaproximação, a relação entre Planalto e Congresso ainda exige cautela e negociação constante.

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