Tapete vermelho, punhos cerrados

Tapete vermelho, punhos cerrados

Mark Ruffalo transforma o Globo de Ouro em palanque e chama Trump de “o pior ser humano”

O Globo de Ouro mal havia começado e Mark Ruffalo já tinha deixado claro que não estava ali só para fotos e sorrisos. No tapete vermelho, o ator resolveu trocar o figurino neutro pelo discurso inflamado e disparou críticas duríssimas contra Donald Trump, a quem chamou, sem rodeios, de “o pior ser humano”.

Ao lado de outros nomes de Hollywood — como Jean Smart, Wanda Sykes, Ariana Grande e Natasha Lyonne — Ruffalo participou de um protesto silencioso, porém chamativo. Todos usavam broches com as frases “Be Good” (Seja bom) e “ICE Out”, em referência à morte de Renee Nicole Good, baleada por um agente do serviço de imigração dos EUA em Minneapolis.

Segundo o ator, a homenagem era necessária porque, para ele, o episódio simboliza o medo e a insegurança vividos por parte da população americana. Já o governo Trump sustenta que o agente agiu em legítima defesa, versão que Ruffalo rejeitou publicamente.

Mas o discurso não parou aí. Com a cerimônia como pano de fundo, o intérprete do Hulk resolveu ampliar o ataque e comentou as recentes ações militares dos Estados Unidos na Venezuela. Para Ruffalo, trata-se de uma invasão ilegal que demonstra desprezo pelo direito internacional.

Em tom indignado — e sem economia de palavras — o ator afirmou que Trump não tem autoridade moral para liderar o país mais poderoso do mundo. Segundo ele, confiar esse papel a alguém com histórico judicial controverso coloca todos em risco. “Se isso é liderança, estamos em perigo”, resumiu, num misto de alerta e desabafo.

Ruffalo também deixou claro que fala como cidadão, não apenas como celebridade. Disse amar os Estados Unidos, mas afirmou não reconhecer o país que vê hoje. O protesto, segundo ele, foi dedicado a Renee Good e a todos os americanos que vivem com medo.

No fim da noite, Ruffalo saiu do Globo de Ouro sem o troféu — perdeu o prêmio de Melhor Ator em Série Dramática para Noah Wyle —, mas com certeza levou para casa o título informal de discurso mais explosivo da cerimônia. Em Hollywood, ao que tudo indica, o tapete vermelho continua sendo também um campo de batalha ideológico.

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