
Janones endurece discurso, critica “campanha fofa” da esquerda e diz a Lula que está disposto a agir “sem medo, sem pudor e sem remorso”
Deputado federal afirma que está disposto a “matar ou morrer” para impedir o avanço da extrema direita, critica a estratégia digital da esquerda e anuncia retorno à linha de frente da campanha presidencial de Lula; declaração reacende debates sobre a radicalização do discurso político e ocorre enquanto o parlamentar tem histórico recente de acordo judicial relacionado ao caso das rachadinhas.
O deputado federal André Janones (Rede-MG) anunciou publicamente seu retorno à linha de frente da campanha presidencial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e afirmou que pretende atuar de maneira mais incisiva durante o processo eleitoral de 2026. Em publicação divulgada nas redes sociais, Janones afirmou ter comunicado pessoalmente ao presidente que está disposto a fazer “o que for necessário” para impedir o retorno da extrema direita ao poder.
A declaração foi acompanhada de uma fotografia ao lado de Lula e rapidamente repercutiu no meio político por causa do tom adotado pelo parlamentar.
Em sua publicação, Janones escreveu:
“Aceitei a missão mais uma vez! Hoje à tarde avisei ao Presidente, pessoalmente, que tô disposto a matar ou morrer pra livrar nosso país da extrema direita de uma vez por todas. Tirem as crianças da sala porque o jogo agora é de gente grande e eu, assim como há quatro anos atrás, farei o que precisa ser feito. Sem medo, sem pudor e sem remorso.”
A mensagem marcou oficialmente o retorno do deputado à estratégia digital da campanha petista, área na qual ganhou notoriedade durante as eleições presidenciais de 2022 por sua intensa atuação nas redes sociais em defesa de Lula.
Críticas à estratégia da esquerda
Dias antes da publicação, Janones havia feito críticas públicas à condução da comunicação de setores da esquerda, classificando parte da estratégia eleitoral como excessivamente branda diante do ambiente de polarização política.
Segundo o deputado, enquanto aliados estariam concentrados em produzir conteúdos leves e campanhas consideradas “fofas”, adversários políticos continuariam dominando o debate digital e ampliando seu alcance nas redes sociais.
Em outra publicação, Janones afirmou que:
- a campanha eleitoral entra em uma nova fase;
- a esquerda precisa abandonar uma postura considerada por ele excessivamente moderada;
- será necessário enfrentar a disputa digital de forma mais agressiva para evitar uma derrota nas urnas.
O parlamentar sustentou que o grupo político precisa reagir ao que considera um ambiente dominado por desinformação e intensa disputa de narrativas nas plataformas digitais.
Reunião com Lula
Segundo o deputado, a conversa ocorreu pessoalmente com o presidente Lula, ocasião em que recebeu a missão de integrar novamente a estratégia eleitoral.
Embora o Palácio do Planalto não tenha divulgado detalhes da conversa, a publicação de Janones indica que ele voltará a exercer papel ativo na comunicação política da campanha presidencial.
Desde 2022, Janones é considerado um dos principais articuladores da atuação digital do campo governista, especialmente na produção de conteúdos voltados às redes sociais.
Discurso provoca repercussão
A expressão “matar ou morrer”, utilizada pelo parlamentar, repercutiu amplamente entre políticos, juristas e usuários das redes sociais.
A declaração foi interpretada por aliados como uma figura de linguagem para demonstrar disposição política e intensidade na disputa eleitoral. Já adversários criticaram o tom empregado, argumentando que ele contribui para aumentar a polarização e a tensão do debate público.
Até o momento, não há informação de investigação ou medida judicial relacionada especificamente à publicação.
Histórico recente envolvendo acordo com a Justiça
A repercussão das novas declarações ocorre pouco tempo depois de Janones firmar um Acordo de Não Persecução Penal (ANPP) com a Procuradoria-Geral da República (PGR), homologado pelo ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal.
O acordo refere-se à investigação sobre um esquema conhecido como “rachadinha”, envolvendo assessores parlamentares.
No âmbito do ANPP:
- Janones reconheceu a prática investigada prevista no acordo;
- admitiu ter utilizado cartão de crédito de um assessor para despesas pessoais entre 2019 e 2020;
- comprometeu-se ao pagamento de aproximadamente R$ 157,8 mil entre multa e reparação;
- assumiu o compromisso de não repetir a conduta durante o período de cumprimento do acordo.
O instrumento jurídico permite o encerramento da persecução penal mediante o cumprimento das condições estabelecidas, sem condenação criminal, conforme previsto na legislação brasileira.
Dois ex-assessores investigados no mesmo caso recusaram o acordo oferecido pela PGR, fazendo com que seus processos fossem remetidos à Justiça Federal para prosseguimento.
Campanha entra em nova etapa
A manifestação de Janones sinaliza uma mudança de tom na estratégia eleitoral defendida pelo deputado para a campanha de Lula.
Ao defender uma atuação “sem medo, sem pudor e sem remorso”, o parlamentar afirma que pretende ampliar sua participação na disputa política, sobretudo nas redes sociais, ambiente em que construiu grande parte de sua projeção nacional.
A declaração também evidencia a continuidade da forte polarização entre os principais grupos políticos do país, às vésperas do início oficial da campanha eleitoral de 2026, período em que a comunicação digital deverá novamente ocupar papel central na disputa pelo Palácio do Planalto.