
Lula sinaliza que buscará conversar com Trump na próxima semana em meio à crise diplomática entre Brasil e Estados Unidos
Durante reunião com parlamentares do PSOL e da Rede no Palácio da Alvorada, presidente afirmou que pretende telefonar ao presidente norte-americano Donald Trump para defender uma articulação das principais potências em favor do fim da guerra na Ucrânia. Declaração ocorre em meio ao agravamento das tensões diplomáticas entre Brasília e Washington e à intensificação da campanha eleitoral de 2026.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) informou a aliados que pretende conversar, na próxima semana, com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em uma tentativa de ampliar o diálogo internacional sobre a guerra na Ucrânia e discutir temas relacionados ao cenário geopolítico global. A sinalização foi feita durante uma reunião realizada no Palácio da Alvorada, em Brasília, com parlamentares do PSOL e da Rede Sustentabilidade, ocasião em que a federação oficializou apoio à candidatura de Lula à reeleição.
Segundo relatos de participantes do encontro, o presidente afirmou que já manteve conversas recentes com o presidente da China, Xi Jinping, e com o presidente da Rússia, Vladimir Putin, e que pretende incluir Trump nessa rodada de contatos diplomáticos.
Proposta de articulação entre as grandes potências
Durante a reunião, Lula voltou a defender uma atuação mais efetiva das principais potências mundiais para buscar uma solução negociada para o conflito entre Rússia e Ucrânia.
De acordo com participantes do encontro, o presidente criticou a dificuldade do Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU) em promover avanços concretos nas negociações de paz e afirmou que considera necessária uma reunião entre os principais líderes mundiais.
Mais cedo, em entrevista ao canal Os Três Elementos, Lula detalhou sua proposta:
“Na semana passada, liguei para o Xi Jinping para falar da necessidade do Conselho de Segurança se reunir. Ontem falei com meu amigo Putin para eles se reunirem e vou falar com o Trump também. São cinco pessoas, se reúnam, tomem um café, um vinho, um uísque, qualquer coisa. Você não tem, a nível internacional, uma esfera para discutir isso e chamar a negociação. Eu falei para o Putin e para o Xi Jinping e vou falar para o Trump: se reúnam, pelo amor de Deus. São os membros mais importantes do Conselho de Segurança, as três maiores potências. Se reúnam e coloquem fim nesse conflito.”
Segundo interlocutores, Lula não informou uma data específica para o telefonema, mas indicou que a conversa deverá ocorrer na próxima semana.
Relação entre Brasil e Estados Unidos vive momento de tensão
Embora tenha enfatizado a guerra na Ucrânia como principal tema do contato pretendido, Lula não esclareceu se pretende aproveitar a conversa para tratar da atual crise diplomática entre Brasil e Estados Unidos.
As relações entre os dois países atravessam um período de tensão após recentes medidas adotadas pelo governo Trump, entre elas:
- a imposição de novas tarifas sobre produtos brasileiros;
- sanções direcionadas a autoridades brasileiras;
- a revogação do visto diplomático da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Viotti.
A Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom) foi procurada por veículos de imprensa, mas, segundo as reportagens, não confirmou oficialmente a realização do telefonema nem informou uma data definida para o contato entre os dois presidentes.
Lula relata conversas com Xi Jinping e Vladimir Putin
Durante o encontro com os parlamentares, Lula afirmou que conversou recentemente com o presidente chinês Xi Jinping e com o presidente russo Vladimir Putin para defender uma articulação diplomática em favor da paz.
Segundo relatos dos presentes, o presidente brasileiro avalia que os países com assento permanente no Conselho de Segurança da ONU precisam assumir protagonismo na busca por uma solução negociada para o conflito no Leste Europeu.
Eleições de 2026 também dominaram a reunião
Além dos assuntos internacionais, Lula dedicou parte da reunião ao cenário eleitoral brasileiro.
Segundo participantes, o presidente afirmou que a campanha pela reeleição será altamente disputada e pediu mobilização das forças políticas de esquerda tanto nas ruas quanto nas redes sociais.
Entre os temas abordados estiveram:
- fortalecimento da militância durante a campanha;
- ampliação da presença digital dos apoiadores;
- construção de uma base parlamentar mais ampla no Congresso Nacional;
- elaboração de propostas para um eventual quarto mandato presidencial.
Prioridades para um eventual quarto mandato
Ainda conforme os relatos, Lula afirmou que não pretende repetir simplesmente políticas implementadas em seus governos anteriores.
O presidente indicou como prioridades de um eventual novo mandato:
- ampliação dos investimentos em educação;
- fortalecimento da ciência, tecnologia e inovação;
- investimentos na área de defesa nacional;
- políticas públicas voltadas ao envelhecimento da população e aos cuidados com a terceira idade.
Segundo participantes, Lula afirmou que deseja apresentar novas iniciativas para enfrentar desafios atuais do país.
Críticas às emendas parlamentares
Durante a reunião, o presidente voltou a criticar o atual modelo de distribuição das emendas parlamentares.
Segundo Lula, o elevado volume de recursos direcionado por meio das emendas reduz a capacidade de investimento direto do Poder Executivo e dificulta a execução de políticas públicas consideradas estratégicas pelo governo.
O presidente afirmou que esse modelo precisará ser debatido futuramente caso seja reeleito.
Preocupação com possível interferência externa
De acordo com participantes do encontro, Lula também manifestou preocupação com uma eventual interferência estrangeira nas eleições brasileiras.
Segundo os relatos, o presidente mencionou nominalmente Donald Trump e o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, ao comentar manifestações públicas que, em sua avaliação, demonstrariam interesse dos Estados Unidos no fortalecimento de grupos políticos de direita na América Latina.
Debates eleitorais ainda serão definidos
Lula também foi questionado sobre sua participação nos debates durante a campanha presidencial.
Na reunião, o presidente nacional do PT, Edinho Silva, afirmou que existem dezenas de convites para eventos e debates e que a definição da agenda será feita pela coordenação da campanha.
Segundo ele, a expectativa é que todos os partidos aliados participem da coordenação eleitoral, contribuindo para a organização das atividades da campanha presidencial.
A eventual conversa entre Lula e Donald Trump, caso seja confirmada, ocorrerá em um momento de elevada tensão diplomática entre Brasil e Estados Unidos e poderá representar uma oportunidade para discutir tanto questões internacionais, como a guerra na Ucrânia, quanto temas relacionados às relações bilaterais entre os dois países.