Justiça manda Daniel Vorcaro pagar honorários em processo defendido pela esposa de Alexandre de Moraes

Justiça manda Daniel Vorcaro pagar honorários em processo defendido pela esposa de Alexandre de Moraes

Ex-controlador do Banco Master perdeu ação por calúnia e difamação contra Vladimir Timerman, fundador da Esh Capital; dívida de R$ 5.678,69 deve ser paga em 15 dias, sob pena de multa e novos honorários

O banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, foi intimado pela Justiça de São Paulo a pagar R$ 5.678,69 em honorários advocatícios decorrentes de uma ação judicial que perdeu. O processo envolve a advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que atuou na defesa de Vorcaro e do Banco Master em uma queixa-crime.

A decisão foi proferida pela juíza Paula da Rocha e Silva, da 39ª Vara Cível de São Paulo. Vorcaro e o Banco Master foram intimados a efetuar o pagamento no prazo de 15 dias.

Embora o valor da cobrança seja relativamente baixo, o processo envolve personagens de destaque dos setores financeiro, jurídico e institucional do país, além de estar relacionado a uma disputa que antecedeu investigações posteriores sobre o Banco Master.

Dívida pode aumentar em caso de não pagamento

O valor cobrado atualmente é de R$ 5.678,69. Caso o pagamento não seja realizado voluntariamente dentro do prazo estabelecido pela Justiça, poderá ser aplicada multa de 10% sobre o débito, além de outros 10% referentes a honorários advocatícios.

Na decisão, a magistrada determinou que, depois do prazo de 15 dias para o pagamento voluntário, será aberto novo prazo para que a parte executada apresente eventual impugnação, sem necessidade de penhora ou de uma nova intimação.

A decisão também menciona as regras previstas no Código de Processo Civil sobre a validade da intimação quando o devedor muda de endereço sem comunicar previamente o Judiciário.

Processo começou com queixa-crime contra Vladimir Timerman

A origem do caso está em uma queixa-crime apresentada por Daniel Vorcaro contra Vladimir Timerman, fundador da gestora Esh Capital.

Vorcaro acusou Timerman de calúnia e difamação após o empresário encaminhar ao Ministério Público Federal (MPF) uma notícia de fato na qual relatava supostos indícios de irregularidades e crimes contra o sistema financeiro envolvendo o banqueiro e o Banco Master.

A defesa de Vorcaro e da instituição financeira foi realizada pela advogada Viviane Barci de Moraes. No entanto, a Justiça rejeitou a queixa-crime.

A primeira decisão desfavorável ocorreu em outubro de 2024, quando a 14ª Vara Criminal de São Paulo considerou que não havia justa causa suficiente para o prosseguimento do processo.

Durante a tramitação, o Ministério Público também se manifestou pela rejeição da queixa. Segundo os promotores, o simples encaminhamento de uma notícia de fato ao MPF não poderia ser considerado, por si só, um ato criminoso.

Após perder a ação nas instâncias judiciais, Vorcaro foi condenado ao pagamento de honorários aos três advogados que defenderam Vladimir Timerman. A cobrança que agora tramita na Justiça paulista refere-se a esses honorários.

Denúncias feitas por Timerman antecederam investigações sobre o Banco Master

Segundo os documentos mencionados no processo, Vladimir Timerman havia levado ao Ministério Público Federal informações sobre supostas fraudes e crimes contra o sistema financeiro relacionados ao Banco Master.

Posteriormente, as suspeitas passaram a ser investigadas por órgãos de controle e pela Polícia Federal. O material também relaciona as denúncias à Operação Compliance Zero, que investigou irregularidades envolvendo instituições financeiras e operações ligadas ao banco.

A operação resultou na prisão de Daniel Vorcaro e de outros investigados, embora as apurações ainda estejam em andamento e a responsabilidade individual de cada envolvido dependa das conclusões das investigações e das decisões judiciais.

Investigação envolve pessoas ligadas ao Banco Master

Entre os nomes citados no contexto das investigações estão Henrique Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro; Paulo Henrique Costa, ex-diretor do Banco de Brasília (BRB); Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro; Luiz Phillipi Mourão, conhecido como “Sicário”, que morreu na prisão; Daniel Monteiro, apontado como operador jurídico; e Marilson Roseno, policial federal.

Outros intermediários também são investigados pelas autoridades.

Os agentes continuam analisando grandes volumes de informações apreendidas em dispositivos eletrônicos e documentos recolhidos em endereços ligados ao banqueiro. Segundo as informações divulgadas, a Polícia Federal trabalha com centenas de gigabytes de arquivos que podem ajudar a esclarecer a estrutura financeira e operacional investigada.

Quebra de instituições financeiras ampliou impacto do caso

O caso ganhou dimensão ainda maior após a crise envolvendo o Banco Master e o WillBank. As informações apresentadas estimam que a quebra das instituições tenha provocado um rombo próximo de R$ 50 bilhões.

O valor seria superior ao impacto associado ao fechamento de instituições financeiras históricas, como o Banco Nacional e o Bamerindus.

A investigação busca esclarecer a origem dos recursos, as operações realizadas e a eventual participação de diferentes pessoas e empresas no esquema sob apuração.

Enquanto o inquérito e os processos relacionados avançam, Daniel Vorcaro também enfrenta cobranças judiciais decorrentes de processos anteriores. Em um deles, a Justiça de São Paulo determinou o pagamento de R$ 5.678,69 em honorários advocatícios, após a derrota na queixa-crime apresentada contra Vladimir Timerman.

O caso conecta uma disputa judicial iniciada em 2024 à crise posterior envolvendo o Banco Master e às investigações que passaram a apurar suspeitas de irregularidades financeiras em escala bilionária.

Compartilhe nas suas redes sociais
Categorias
Tags