
Justiça Zero
TRF-1 manda soltar dono do Banco Master e executivos; liberdade vigiada reacende indignação diante de fraudes bilionárias
Numa decisão que soa como tapa na cara de quem espera rigor diante de crimes financeiros, o Tribunal Regional Federal da 1ª Região decidiu, na noite de ontem, soltar o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, e quatro executivos envolvidos na Operação Compliance Zero — investigação que apura um esquema de fraudes que pode ter drenado mais de R$ 12 bilhões do sistema financeiro.
Eles deixam a cadeia, mas passam a cumprir uma lista de medidas cautelares: tornozeleira eletrônica, restrição de circulação, apresentação periódica à Justiça, proibição de contato entre si e suspensão de operações financeiras. Passaportes seguem retidos.
✈️ A prisão que virou “mal-entendido conveniente”
Vorcaro foi detido no Aeroporto de Guarulhos quando tentava embarcar para Malta — destino conhecido como paraíso fiscal — e, depois, seguir para Dubai. Para a Polícia Federal, a tentativa era clara: uma fuga antecipada ao avanço da operação.
A defesa, porém, sustentou que tudo não passava de uma “viagem de negócios” previamente comunicada ao Banco Central, destinada a concluir a venda do Master para o Grupo Fictor e investidores dos Emirados.
A desembargadora Solange Salgado, do TRF-1, acolheu um pedido de reconsideração da defesa e revogou as prisões. Para ela, apesar da “gravidade gigantesca” das suspeitas, o risco de fuga seria controlável com medidas alternativas.
💼 Quem mais foi solto
Além de Vorcaro, deixaram a prisão:
- Augusto Ferreira Lima – sócio e ex-CEO do Master
- Luiz Antônio Bull – diretor de Riscos, Compliance, RH, Operações e Tecnologia
- Alberto Felix de Oliveira Neto – superintendente-executivo de Tesouraria
- Ângelo Antônio Ribeiro da Silva – sócio do banco
Todos haviam sido presos nos dias 17 e 18, logo após o avanço da PF sobre o esquema.
💣 O escândalo: títulos falsos, lucros inflados e prejuízo bilionário
A PF investiga um rombo que pode ultrapassar R$ 12 bilhões, resultado da venda de carteiras de crédito sem lastro ao Banco de Brasília (BRB).
Especialistas já alertavam que o Master atuava oferecendo rendimentos até 40% acima do mercado — prática considerada temerária e que enfurecia outras instituições financeiras.
A operação teve efeitos rápidos e devastadores: no mesmo dia da ofensiva policial, o Banco Central liquidou o Banco Master, encerrando as atividades da instituição.
📄 Defesa fala em “acusação inexistente”
Em nota, os advogados de Vorcaro afirmaram que não há fraude alguma e que a liquidação do banco foi “forçada” pela operação policial, bloqueando uma solução de mercado que, segundo eles, estava em andamento.
Mais cedo, a defesa ainda tentou levar o caso ao STF, alegando que a Justiça Federal não teria competência para julgar o processo — o relator sorteado foi o ministro Dias Toffoli.
⚖️ Tornozeleira no lugar da prisão
Mesmo defendendo que não há risco concreto à ordem pública, a magistrada reconheceu que o caso é grave demais para deixar tudo como está. Por isso, impôs medidas que considera “robustas”.
Na prática, porém, prevaleceu o caminho mais brando: liberdade monitorada para investigados de um esquema capaz de quebrar um banco e gerar um rombo bilionário.
🏦 Um banqueiro que incomodava o mercado
Vorcaro ganhou fama com operações arriscadas e promessas de lucros muito acima das taxas praticadas no mercado tradicional.
Segundo a PF, muitas dessas operações eram sustentadas por títulos falsos, que nunca entregavam o rendimento prometido.
O então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, chegou a ser afastado após o avanço da investigação.
Até o fechamento desta edição, o Banco Master não se pronunciou sobre a libertação de seus executivos.