
Keiko Fujimori assume a Presidência do Peru e promete combate ao crime, estabilidade econômica e resposta às mudanças climáticas
Filha do ex-presidente Alberto Fujimori torna-se a primeira mulher eleita para comandar o Peru após vitória apertada nas eleições de 2026; novo governo prioriza segurança pública, crescimento econômico e infraestrutura climática.
Lima – A líder conservadora Keiko Fujimori tomou posse como presidente da República do Peru em cerimônia realizada no Congresso Nacional, tornando-se a primeira mulher eleita para chefiar o Executivo peruano. A posse representa o retorno da família Fujimori ao Palácio de Pizarro, sede do governo peruano, mais de duas décadas após o fim do governo de seu pai, Alberto Fujimori, figura que permanece uma das mais controversas da história política do país.
A cerimônia reuniu autoridades nacionais e representantes estrangeiros, entre eles o presidente da Argentina, Javier Milei, além do vice-secretário de Estado dos Estados Unidos, Christopher Landau. O Brasil foi representado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira.
Vitória após quatro disputas presidenciais
A eleição de Keiko Fujimori encerrou uma longa trajetória de tentativas de chegar ao poder. Esta foi sua quarta candidatura à Presidência e, pela primeira vez, conseguiu vencer a disputa eleitoral. Nas eleições anteriores, havia sido derrotada sempre por margens reduzidas.
No segundo turno das eleições de 2026, Keiko derrotou o candidato Roberto Sánchez por uma diferença de pouco mais de 49 mil votos, resultado considerado um dos mais apertados da história recente do Peru. Após dias de apuração e análise de recursos, a Justiça Eleitoral confirmou oficialmente sua vitória.
Durante seu discurso de posse, a nova presidente procurou transmitir uma mensagem de conciliação nacional.
“Viva a reconciliação do Peru”, declarou diante do Congresso.
A fala buscou sinalizar uma tentativa de reduzir a polarização política que marcou o país ao longo da última década.
Segurança pública será prioridade do governo
Em seu primeiro pronunciamento como presidente, Keiko Fujimori afirmou que o combate à criminalidade será uma das principais prioridades de sua administração.
Segundo ela, o governo pretende ampliar a atuação conjunta entre as Forças Armadas e a Polícia Nacional do Peru nas regiões mais afetadas pela violência.
Entre as medidas anunciadas estão:
- implantação de um sistema nacional de videomonitoramento;
- utilização de inteligência artificial para mapear organizações criminosas;
- criação de novos centros integrados de comando;
- reforço das operações de inteligência;
- modernização dos equipamentos das forças de segurança.
A presidente afirmou que pretende enfrentar o crescimento da criminalidade organizada e reduzir os índices de violência registrados em diversas regiões do país.
Economia e estabilidade institucional
Keiko também destacou que pretende recuperar a confiança dos investidores e impulsionar o crescimento econômico.
Segundo a presidente, haverá incentivo aos investimentos privados, fortalecimento da infraestrutura nacional e ampliação da geração de empregos.
Ela afirmou que o Peru precisa recuperar a estabilidade institucional depois de anos marcados por sucessivas crises políticas, trocas de presidentes e confrontos entre Executivo e Congresso.
Desde 2016, o país passou por diversos presidentes sem que a maioria conseguisse concluir integralmente o mandato presidencial.
Combate às mudanças climáticas
Outro eixo central apresentado por Keiko Fujimori foi o enfrentamento dos impactos das mudanças climáticas.
A presidente anunciou que editará decretos de urgência para acelerar ações relacionadas ao fenômeno El Niño, responsável por enchentes, secas e grandes prejuízos econômicos no território peruano.
Entre os investimentos previstos estão:
- construção de barragens;
- novos diques de contenção;
- canais de irrigação;
- poços artesianos;
- estações de bombeamento;
- sistemas de abastecimento de água;
- ampliação da infraestrutura rodoviária.
Segundo Keiko, o objetivo é aumentar a capacidade do país de responder aos eventos climáticos extremos e proteger áreas vulneráveis.
Relações internacionais
A posse também chamou atenção pelo contexto geopolítico.
Os Estados Unidos têm ampliado o interesse estratégico pelo Peru devido às reservas de cobre, minerais críticos e terras raras, considerados essenciais para a indústria tecnológica e para a transição energética mundial.
Além disso, a posição geográfica do país no Oceano Pacífico amplia sua importância na disputa de influência entre Washington e Pequim na América Latina.
A presença de representantes norte-americanos e de líderes conservadores da região, como Javier Milei, foi interpretada por analistas como demonstração do fortalecimento de alianças políticas entre governos de direita no continente.
Desafios no Congresso
Apesar da vitória eleitoral, Keiko Fujimori inicia seu mandato sem maioria parlamentar.
Seu partido, Força Popular, conquistou a maior bancada tanto na Câmara quanto no Senado, mas dependerá de negociações com legendas de centro e direita para aprovar projetos considerados estratégicos.
Especialistas avaliam que a capacidade de diálogo político será decisiva para evitar novos episódios de instabilidade institucional, um problema recorrente no Peru nos últimos anos.
Trajetória política
Aos 51 anos, Keiko Fujimori atua na política desde a juventude. Filha do ex-presidente Alberto Fujimori, acompanhou o pai em compromissos oficiais durante seu governo.
Formada em Administração de Empresas nos Estados Unidos, foi eleita congressista em 2006 com votação recorde para o Legislativo peruano.
Entre 2018 e 2020 permaneceu presa preventivamente durante investigações relacionadas ao suposto financiamento irregular de campanhas eleitorais. Posteriormente, o caso foi arquivado.
Sua eleição marca um novo capítulo da política peruana e inaugura um governo que promete priorizar segurança pública, crescimento econômico, investimentos em infraestrutura e políticas de adaptação às mudanças climáticas, ao mesmo tempo em que enfrentará o desafio de governar um país ainda marcado pela polarização política e pela fragmentação do Congresso.