
Lira dispara contra Moraes e defende Bolsonaro: “Medidas exageradas”
Ex-presidente da Câmara critica prisão domiciliar imposta ao ex-chefe do Executivo e reforça pressão por anistia no Congresso.
Arthur Lira (PP-AL), ex-presidente da Câmara dos Deputados, não poupou críticas às decisões do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), contra Jair Bolsonaro (PL). Nesta terça-feira (5), Lira classificou como “exageradas” as medidas cautelares e a prisão domiciliar impostas ao ex-presidente.
“O Brasil precisa tratar melhor seus ex-presidentes. Já defendo isso há tempos. Essas medidas só aumentam a tensão em um país já dividido, quando, na verdade, precisamos de paz e estabilidade para seguir em frente”, publicou Lira no X (antigo Twitter).
A fala do parlamentar veio em meio a protestos de senadores e deputados da oposição, que decidiram travar votações na Câmara e no Senado. O vice-presidente da Câmara, Altineu Côrtes (PL-RJ), chegou a cogitar colocar a anistia em pauta na ausência do presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), que cumpre agenda na Paraíba.
A reação política acontece após Moraes determinar, na segunda-feira (4), a prisão domiciliar de Bolsonaro, alegando que o ex-presidente descumpriu restrições impostas anteriormente. A decisão também incluiu a apreensão de celulares e a proibição de visitas.
Segundo Moraes, Bolsonaro usou redes sociais — por meio de perfis de aliados e familiares — para incentivar ataques ao STF e apoiar intervenção estrangeira no Judiciário brasileiro. O ministro citou um vídeo gravado em Copacabana e divulgado pelo filho Flávio Bolsonaro (PL-RJ), posteriormente apagado.
Para Moraes, as publicações configuram tentativa deliberada de coagir a Corte e interferir no processo judicial, inclusive com apelos a autoridades estrangeiras — algo que, segundo ele, fere a soberania nacional.
Enquanto isso, Bolsonaro, impedido de sair de casa nos fins de semana, acompanhou virtualmente atos de apoiadores em diversas cidades no último domingo (3). Vídeos mostraram o ex-presidente à beira da piscina, em Brasília, conversando por videochamada com sua base de apoio.
A crise escalou em Brasília, com oposição e aliados de Bolsonaro pressionando pela aprovação de uma anistia ampla — movimento que promete transformar o Congresso em um campo de batalha política nos próximos dias.