
Direita portuguesa declara guerra a Moraes
Líder do Chega quer barrar ministro do STF de pisar em Portugal após prisão domiciliar de Bolsonaro
O clima entre parte da política portuguesa e autoridades brasileiras esquentou. André Ventura, deputado e líder do partido de extrema-direita Chega — segunda maior força política em Portugal — anunciou que vai pedir ao governo medidas para impedir que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, entre no país.
A declaração veio logo após o STF determinar a prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro. Para Ventura, Moraes é o “braço judicial” de um “regime ditatorial” comandado por Luiz Inácio Lula da Silva. Sem apresentar provas, ele disse que pretende propor não só a proibição da entrada do ministro, mas também o bloqueio de qualquer relação ou patrimônio de Moraes em território português.
“Ele tem que perceber que não estamos brincando”, disparou Ventura em vídeo postado no X (antigo Twitter).
O político português ecoa um movimento que já ocorreu em outros países. Nos Estados Unidos, Moraes já é alvo de sanções e teve o visto suspenso durante o governo Donald Trump, que o incluiu na lista da Lei Magnitsky — usada contra autoridades acusadas de violações de direitos e corrupção.
Não é a primeira vez que Ventura mira no Judiciário brasileiro. Em junho, ele já havia ameaçado investigar o ministro Gilmar Mendes, levantando suspeitas sobre patrimônio e supostas influências em Portugal.
Com esse novo ataque, a tensão política ganha um contorno internacional — e coloca Alexandre de Moraes no centro de mais uma batalha que ultrapassa fronteiras.