Lula aguarda parecer da AGU para decidir se recorre ao STF contra derrubada do decreto do IOF

Lula aguarda parecer da AGU para decidir se recorre ao STF contra derrubada do decreto do IOF

Haddad afirma que presidente vê como possível invasão de prerrogativa do Executivo a anulação do aumento do IOF pelo Congresso e avalia ação judicial

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, declarou nesta sexta-feira (27) que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva solicitou formalmente à Advocacia-Geral da União (AGU) um parecer para avaliar se a decisão do Congresso Nacional de cancelar o decreto que reajustava as alíquotas do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) configura uma “usurpação das competências do Executivo”. Caso a AGU conclua que houve violação da Constituição, Lula deve recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF).

“O presidente perguntou à AGU se o decreto legislativo está invadindo uma prerrogativa do Executivo. Se a resposta for afirmativa, ele vai entrar com recurso, pois se trata de uma usurpação constitucional”, explicou Haddad em entrevista à GloboNews. “Ele não pode simplesmente abrir mão dessa prerrogativa, já que jurou defender a Constituição.”

O posicionamento do ministro vem dois dias após o Congresso ter derrubado, em votações simbólicas na Câmara e no Senado, o decreto presidencial que aumentava o IOF sobre operações como câmbio e crédito internacional. A medida, anunciada em maio, tinha potencial para gerar uma receita extra de cerca de R$ 10 bilhões em 2025.

Haddad defendeu a iniciativa do governo e rebateu críticas de que o aumento teria caráter meramente arrecadatório. Segundo ele, o decreto buscava corrigir distorções e fechar brechas que permitiam a evasão do imposto. “Quando a alíquota era 6,38%, ninguém reclamava. Agora que caiu para 3,5%, dizem que é aumento para arrecadar? Isso é uma inversão da lógica. Estávamos corrigindo uma distorção que facilitava a evasão.”

O ministro também garantiu que o governo vai continuar empenhado em corrigir irregularidades, principalmente no sistema tributário. “Não vou abrir mão, enquanto estiver no cargo, de combater essas distorções. É um absurdo o que aconteceu com as casas de apostas, que ficaram quatro anos sem pagar impostos”, afirmou.

A decisão sobre o eventual recurso ao STF dependerá do parecer da AGU, que foi solicitado nesta sexta-feira. “Se a AGU disser que houve usurpação, o presidente vai recorrer. Caso contrário, vamos buscar o diálogo e a negociação”, resumiu Haddad.

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