
Lula convoca “tropa de ex-governadores” para salvar seus projetos de segurança
Em meio à pressão e críticas sobre o avanço da criminalidade, o presidente reuniu ministros no Planalto para discutir o PL Antifacção e a PEC da Segurança. Entre discursos e promessas, o governo tenta mostrar firmeza num tema em que sempre foi cobrado: o combate ao crime.
Enquanto o país assiste a uma escalada de violência nas ruas e dentro das penitenciárias, Luiz Inácio Lula da Silva decidiu reunir, no Palácio do Planalto, sua tropa de elite ministerial — todos ex-governadores — para traçar um plano de sobrevivência política e tentar acelerar a votação de projetos sobre segurança pública.
Segundo a ministra Gleisi Hoffmann, o objetivo foi pedir o apoio dos ministros que já comandaram estados para mobilizar suas bases e empurrar no Congresso o PL Antifacção e a PEC da Segurança Pública. A pressa é tanta que o governo quer “resolver tudo até o fim do ano”.
🚨 Reunião de emergência
Participaram da conversa nomes de peso do governo: Ricardo Lewandowski, Fernando Haddad, Geraldo Alckmin, Rui Costa, Renan Filho, Camilo Santana, Wellington Dias e Waldez Góes. Todos foram chamados a dar depoimentos sobre como lidaram com o tema da segurança nos tempos de governo estadual — experiências que, segundo Lula, podem “inspirar soluções conjuntas”.
Mas, na prática, o encontro teve outro objetivo: evitar que o governo continue apanhando politicamente da oposição, que vem explorando o recuo de Lula no texto do PL Antifacção — aquele mesmo projeto que tirava do papel a ideia de classificar facções criminosas como grupos terroristas.
🧩 O discurso é bonito, a prática é outra
Gleisi disse que a reunião foi “muito produtiva”, mas a fala soa mais como tentativa de mostrar liderança num tema em que o governo patina. Desde abril, a tal PEC da Segurança está parada na Câmara. O texto pretende integrar as forças de segurança federal, estadual e municipal, mas enfrenta resistência até dentro da própria base aliada.
Enquanto isso, nas ruas, o medo não espera PEC nem consenso partidário.
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, ainda aproveitou o encontro para dizer que o projeto do devedor contumaz — aquele que pune empresas que vivem de burlar o fisco — também seria “fundamental no combate ao crime organizado”. Parece que, para o governo, combater o tráfico e o caixa dois faz parte do mesmo pacote de “segurança”.
⚖️ Entre promessas e atrasos
O discurso de Gleisi encerra com uma frase de efeito: “Até o fim do ano, esses instrumentos legislativos têm que estar definidos”. Soa bonito — mas o país já se acostumou a ver promessas do Planalto ficarem na gaveta até o próximo escândalo ocupar as manchetes.
Enquanto Lula articula discursos e convoca reuniões estratégicas, as facções continuam ditando regras nas periferias e nos presídios. E o que era para ser uma ofensiva contra o crime parece, mais uma vez, um projeto de imagem, não de segurança.