Lula critica poder das big techs e pede regras para frear o caos digital

Lula critica poder das big techs e pede regras para frear o caos digital

Em encontro com líderes da América Latina e Europa, presidente cobra transparência das plataformas e denuncia uso da “liberdade de expressão” como escudo para crimes e ataques à democracia

Durante o evento “Democracia Sempre”, realizado nesta segunda-feira (21), no Chile, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a bater na tecla que incomoda os gigantes da tecnologia: a necessidade urgente de regulamentar as plataformas digitais. Ao lado de líderes do Chile, Colômbia, Uruguai e Espanha, Lula criticou o avanço da desinformação e o uso político da internet como arma contra o Estado democrático.

“Liberdade de expressão não pode ser confundida com passe livre para propagar ódio, incitar violência ou ameaçar instituições”, afirmou o presidente, que reforçou que governos não podem continuar reféns dos algoritmos e das diretrizes obscuras das big techs. Para ele, é preciso devolver ao Estado o poder de proteger seus cidadãos também no ambiente digital — um espaço cada vez mais vulnerável à manipulação e ao extremismo.

Lula ainda destacou que a defesa da democracia não deve ser um fardo carregado apenas pelos governos. O compromisso, segundo ele, tem que partir de toda a sociedade: do meio acadêmico, da imprensa, dos parlamentos, da iniciativa privada e, principalmente, dos cidadãos. A fala foi reforçada por outros líderes presentes, que também demonstraram preocupação com a escalada de discursos autoritários impulsionados pelas redes.

O evento também serviu como pano de fundo para críticas indiretas à postura internacional do ex-presidente dos EUA, Donald Trump, que recentemente atacou o sistema Pix e impôs barreiras comerciais ao Brasil. Lula defendeu a soberania nacional e mandou o recado: “No Brasil, ninguém está acima da lei — nem as big techs, nem governos estrangeiros”.

A reunião no Chile reforçou o recado que muitos fingem não ouvir: sem regras claras para o espaço digital, a democracia vira um jogo manipulado por quem tem mais cliques — e menos escrúpulos.

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