
Lula Critica Tornozeleira para Agressores, Mas Demora em Tomar Medidas Concretas
Em meio à escalada da violência contra mulheres, presidente condena punição considerada “branda”, mas governo segue lento em adotar ações efetivas
Durante a 14ª Conferência Nacional de Assistência Social, realizada nesta segunda-feira (8/12), em Brasília, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez um discurso forte contra o uso de tornozeleiras eletrônicas para punir agressores de mulheres. Para ele, o equipamento é insuficiente — e até simbólico demais — diante da gravidade da violência de gênero.
O problema é que, enquanto Lula critica, muito pouco avança na prática. As mulheres seguem desprotegidas, e o governo continua deixando medidas importantes no papel.
Tornozeleira “não funciona” — mas o governo também não funciona como deveria
Lula citou o episódio em que Jair Bolsonaro tentou violar sua tornozeleira eletrônica, lembrando que nem um ex-presidente sob condenação respeitou o equipamento.
“Se até um presidente tentou tirar a tornozeleira, imagina um agressor de mulher”, ironizou.
O discurso é forte, mas a realidade é dura:
a violência cresce, as denúncias aumentam, e até agora o governo não apresentou um plano robusto, imediato e articulado para proteger as vítimas.
A crítica faz sentido — mas a ação, que realmente importa, segue atrasada.
Ataques à oposição não resolvem o que o governo não entrega
Lula aproveitou o evento para atacar o bolsonarismo e usar a metáfora da “raposa no galinheiro”.
“Por mais que pareça mansa, vai devorar todas as galinhas”, disse, em referência à oposição.
Mas, enquanto isso, as políticas públicas essenciais para combater o feminicídio seguem paradas ou enfraquecidas por disputas com o Congresso. Na prática, as mulheres continuam sendo as maiores vítimas desse impasse político.
Governabilidade emperrada, e quem paga o preço é sempre a vítima
O presidente reclamou da qualidade dos parlamentares eleitos e da dificuldade de governar com um Congresso hostil. Mas, enquanto as queixas se acumulam, os sinais de atraso também se acumulam:
— programas esvaziados,
— iniciativas que não saem do papel,
— e uma incapacidade crônica de acelerar ações emergenciais.
O caso da resistência no Senado à indicação de Jorge Messias ao STF expõe o isolamento do governo — mas não explica a demora em implementar políticas que dependem mais de vontade política do que de articulação parlamentar.
Feminicídio não espera — e o país também não pode esperar mais
A conferência marcou os 20 anos do SUAS, mas o que deveria ser um momento de fortalecimento das políticas sociais acabou ofuscado por uma constatação incômoda:
o combate à violência contra a mulher não pode ficar limitado a discursos indignados, enquanto o governo demora para agir.
As mulheres não têm tempo para esperar.
O país também não.