
“Da política ao ringue: Manuela D’Ávila encena ‘Rocky Balboa’ em lançamento de pré-candidatura e vira alvo de piadas nas redes”
Ex-deputada entra ao som de trilha de filme, simula luta no palco e aposta em estética de “boxe político” para marcar disputa ao Senado pelo PSOL no RS
O lançamento da pré-candidatura da ex-deputada federal Manuela D’Ávila ao Senado, realizado em Porto Alegre, virou mais comentado pela encenação do que pelo conteúdo político em si. Em clima de espetáculo, a política entrou no palco ao som de “Eye of the Tiger”, trilha eternizada pelos filmes de “Rocky”, simulando golpes de boxe e repetindo a palavra “luta” como se estivesse em um ringue eleitoral.
“Rocky político”: quando a campanha vira performance
A cena parecia mais uma mistura de cinema com comício. Luvas imaginárias, movimentos de luta e um discurso embalado por metáforas de combate deram o tom do evento. A referência ao personagem Rocky Balboa — símbolo clássico do boxe masculino nos filmes — não passou despercebida e rapidamente virou combustível para críticas e ironias nas redes sociais.
Para muitos internautas, a performance soou mais como tentativa de viralização do que como apresentação de propostas concretas para o Senado.
Feminismo, “luta de ideias” e o contraste que gerou debate
Durante o discurso, Manuela afirmou que sua candidatura representa uma “luta de ideias” contra a direita, defendendo pautas como feminismo, democracia, SUS e políticas sociais. O problema, segundo críticos, não foi o conteúdo político em si, mas o formato escolhido para transmiti-lo.
A contradição apontada por internautas virou o principal alvo das discussões: a apropriação de uma estética associada a um ícone masculino do cinema de luta para simbolizar uma candidatura que se apresenta fortemente vinculada ao feminismo.
Entre estratégia e exagero: o palco virou ringue político
Na prática, o evento expôs uma tendência cada vez mais comum na política contemporânea: a transformação de lançamentos de campanha em performances pensadas para viralizar.
A entrada ao som de trilha sonora cinematográfica, os gestos coreografados e o tom teatral acabaram chamando mais atenção do que o próprio conteúdo do discurso, alimentando a sensação de que a disputa eleitoral também virou disputa por atenção nas redes.
Repercussão: ironia, memes e desgaste de imagem
Nas redes sociais, a reação foi imediata. Parte do público classificou a encenação como “forçada” e “exagerada”, enquanto outros ironizaram o uso de uma estética de filme de boxe para um lançamento político.
O episódio mostra como, na era digital, qualquer gesto calculado para impacto visual pode escapar do controle e se transformar em meme — nem sempre favorável.
Campanha começa no palco, mas ecoa na internet
Apesar das críticas, o evento cumpriu seu papel de dar visibilidade ao início da pré-campanha. No entanto, o saldo imediato parece mais ligado à repercussão da performance do que ao debate de propostas.
No fim, a “luta” anunciada no palco acabou acontecendo mesmo — mas, por enquanto, muito mais nas redes sociais do que nas urnas.