
Lula defende exploração na Margem Equatorial e diz que Brasil tem “total cuidado com a Amazônia”
Presidente reforça investimentos da Petrobras, critica privatizações e ironiza disputa internacional por petróleo na região da Foz do Amazonas
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a defender, nesta segunda-feira (18), a exploração de petróleo na chamada Margem Equatorial — faixa marítima que vai do Amapá ao Rio Grande do Norte e inclui áreas próximas à Foz do Amazonas. Segundo ele, o país tem condições técnicas e ambientais para avançar na pesquisa com responsabilidade.
A declaração foi feita durante evento da Petrobras que anunciou um pacote de R$ 37 bilhões em investimentos, com execução prevista até 2030.
“Ninguém cuida mais da Amazônia do que nós”, diz Lula
Em seu discurso, Lula afirmou que o governo brasileiro é rigoroso na proteção ambiental e que a exploração de recursos naturais pode ocorrer sem abrir mão da preservação.
“Ninguém tem mais cuidado com a Amazônia que nós. Temos o maior cuidado, a maior responsabilidade”, disse o presidente.
A fala ocorreu em meio ao debate sobre a abertura de novas fronteiras exploratórias de petróleo na região amazônica, tema que vem gerando discussões entre setores ambientais, governo e indústria.
Margem Equatorial e potencial energético do Brasil
A Margem Equatorial é vista pelo governo como uma das principais novas fronteiras de exploração de petróleo no país. A Petrobras conduz estudos para avaliar o potencial da região, considerada estratégica para o setor energético.
Segundo a avaliação do governo, os investimentos anunciados pela estatal serão aplicados em áreas como refino, biorrefino, exploração, produção, logística, descarbonização e energias sustentáveis.
Ironia sobre Trump e disputa internacional por petróleo
Durante o discurso, Lula também comentou o cenário geopolítico envolvendo energia e petróleo, mencionando o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
“Não podemos deixar de investir em uma riqueza que está a 500 metros da margem brasileira. Daqui a pouco vem o Trump para dizer que acha que o petróleo da Margem Equatorial é dele”, afirmou, em tom crítico.
A referência foi acompanhada de comentários sobre disputas internacionais por recursos naturais e soberania energética.
Críticas a privatizações da Petrobras entram no discurso
Lula também voltou a criticar privatizações de ativos da Petrobras realizadas em anos anteriores, citando a venda de refinarias e da BR Distribuidora.
Segundo ele, essas medidas enfraqueceram a estrutura da estatal.
“O que o Brasil ganhou com a privatização da BR Distribuidora? Ela foi vendida porque, se privatizassem a Petrobras inteira, o povo iria às ruas. Venderam partes da empresa e ela ficou sem sua essência”, afirmou.
Petrobras no centro da estratégia econômica
O presidente reforçou que a Petrobras segue sendo peça central da política energética e econômica do país, especialmente diante dos novos investimentos anunciados.
Para o governo, o objetivo é combinar expansão da produção com transição energética e aumento da capacidade industrial no Brasil, reduzindo dependência externa e ampliando a geração de energia considerada sustentável.
Debate continua entre desenvolvimento e meio ambiente
A exploração na Margem Equatorial segue como tema sensível no país, envolvendo discussões sobre impacto ambiental, soberania energética e potencial econômico.
Enquanto o governo defende o avanço com base em estudos técnicos, setores ambientalistas pedem maior cautela diante dos riscos à região amazônica e seus ecossistemas.