Lula diz que fim das bets não prejudica futebol, enquanto clubes discutem perdas de patrocínio

Lula diz que fim das bets não prejudica futebol, enquanto clubes discutem perdas de patrocínio

Presidente afirma que os grandes momentos do futebol brasileiro aconteceram antes das apostas esportivas, mas governo já convocou clubes e CBF para discutir os impactos da proibição

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta segunda-feira (28) que o fim das chamadas bets não deve prejudicar o futebol brasileiro. A declaração ocorreu durante a sanção de uma lei voltada ao fortalecimento e à profissionalização do futebol feminino.

Lula rebateu as preocupações relacionadas à perda de receitas dos clubes com patrocínios de casas de apostas e argumentou que os principais momentos da história do futebol brasileiro aconteceram antes da popularização desse mercado.

“Os melhores momentos da história do futebol brasileiro” ocorreram quando as bets ainda não faziam parte do mercado esportivo, foi o argumento apresentado pelo presidente. Em outra declaração nesta segunda-feira, Lula afirmou que os clubes deverão procurar alternativas depois da proibição.

O problema está justamente nos contratos

A discussão, porém, não termina na declaração presidencial. As casas de apostas se tornaram importantes patrocinadoras do futebol brasileiro, inclusive ocupando espaços de destaque nas camisas de equipes e em propriedades comerciais dos clubes.

Levantamentos publicados nos últimos dias apontam que contratos de patrocínio envolvendo empresas de apostas alcançam valores elevados entre equipes da Série A. Por isso, a decisão do governo abriu uma discussão sobre como os clubes substituirão essas receitas.

E há uma ironia no cenário: o governo diz que o futebol não será prejudicado, mas, ao mesmo tempo, está reunindo justamente os clubes para discutir quais serão os efeitos financeiros da medida.

Representantes do governo devem se reunir com clubes das Séries A e B e com a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) para tratar dos contratos de patrocínio e das consequências da proibição.

Clubes terão de buscar novas receitas

A medida provisória que proibiu a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade das apostas de quota fixa determinou a retirada dessas plataformas do mercado brasileiro. Segundo a Agência Brasil, as empresas devem interromper imediatamente a aceitação de apostas e sair do ar até 6 de outubro.

Com isso, clubes que possuem contratos com empresas do setor terão de encontrar novos patrocinadores ou outras fontes de receita.

O debate, portanto, envolve duas questões diferentes. De um lado, Lula sustenta que o futebol brasileiro não depende das bets e que os clubes podem encontrar alternativas. De outro, dirigentes precisam calcular concretamente quanto dinheiro deixará de entrar e como substituir contratos já existentes.

Quem está envolvido

No centro da discussão estão Luiz Inácio Lula da Silva, presidente da República; os clubes de futebol das Séries A e B; a CBF; as empresas de apostas; além de torcedores e demais agentes econômicos ligados ao futebol.

A discussão também ocorre poucos dias depois de clubes brasileiros manifestarem preocupação com os efeitos econômicos do fim das apostas esportivas. A questão dos patrocínios, portanto, deixou de ser apenas uma discussão política e passou a envolver diretamente o planejamento financeiro das equipes.

A posição de Lula é que o futebol brasileiro sobreviveu e teve seus maiores momentos antes da existência das bets. Os clubes, por sua vez, terão de demonstrar na prática quanto os contratos atuais representam em seus orçamentos e quais alternativas poderão substituir essas receitas.

O ponto que permanece em aberto é simples: se o fim das bets não representa prejuízo para o futebol, por que o próprio governo precisa reunir clubes e CBF imediatamente para calcular seus impactos?

Essa é justamente a questão que deverá dominar a reunião entre o governo e os representantes do futebol nos próximos dias.

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