
Lula elogia agronegócio e fala em qualidade para exportações, mas mudança de tom gera críticas
Presidente destaca tecnologia e sofisticação do agro em evento da Embrapa, enquanto opositores apontam contradição no discurso
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu nesta quinta-feira (23) a importância da qualidade e da sofisticação da produção agrícola brasileira como estratégia para ampliar a presença do país no mercado internacional. A declaração foi feita durante evento na unidade da Embrapa Cerrados, em Planaltina, no Distrito Federal.
Segundo Lula, não basta produzir em grande escala — é necessário elevar o padrão dos produtos para competir globalmente. Ele destacou que o Brasil possui tecnologia, mão de obra e conhecimento técnico suficientes para disputar espaço com mercados mais exigentes.
O presidente participou da abertura da Feira Brasil na Mesa, que reúne pesquisas, produtos e inovações do setor agropecuário. Durante o evento, também foram celebrados os 53 anos da Embrapa, instituição responsável por desenvolver tecnologias que impactam diretamente a produtividade do campo brasileiro.
Dados apresentados pela presidente da Embrapa, Silvia Massruhá, indicam que cada R$ 1 investido na empresa retorna R$ 27 para a sociedade. Em 2025, o Produto Interno Bruto (PIB) agrícola alcançou R$ 725 bilhões, sendo que cerca de R$ 125 bilhões tiveram contribuição direta das tecnologias desenvolvidas pela instituição.
Apesar do discurso positivo, a fala de Lula não passou sem críticas. Adversários políticos apontam uma mudança de postura do presidente em relação ao agronegócio — setor que, em outros momentos, foi alvo de ressalvas e tensões em seus governos e campanhas.
Para críticos, a valorização do agro em meio ao cenário político atual, especialmente com a proximidade de disputas eleitorais, levanta questionamentos sobre coerência e estratégia. A avaliação é de que o setor, antes tratado com maior desconfiança em determinados discursos, agora passa a ser destacado como peça-chave da economia nacional.
Ainda assim, o governo reforça que o investimento em tecnologia, sustentabilidade e qualidade é o caminho para consolidar o Brasil como potência agrícola global. O desafio, segundo analistas, será equilibrar discurso político e prática econômica sem ampliar ruídos com um dos setores mais influentes do país.