Lula exalta amizade com Jaques Wagner em evento na Bahia e reacende debate sobre investigações do caso Banco Master

Lula exalta amizade com Jaques Wagner em evento na Bahia e reacende debate sobre investigações do caso Banco Master

Presidente relembra trajetória política do senador durante inauguração de hospital em Alagoinhas; presença do aliado, investigado no caso Banco Master, provoca novas críticas da oposição sobre o discurso anticorrupção do governo.

Uma semana após o senador Jaques Wagner (PT-BA) deixar a liderança do governo no Senado em meio às investigações relacionadas ao caso Banco Master, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a demonstrar apoio público ao aliado durante um evento realizado em Alagoinhas, na Bahia.

Ao participar da inauguração do Hospital Estadual do Litoral Norte, Lula dividiu o palanque com Jaques Wagner, o governador Jerônimo Rodrigues (PT), o ministro da Casa Civil Rui Costa e outras lideranças políticas do estado. Em seu discurso, o presidente relembrou a longa parceria política com Wagner e destacou sua importância para a consolidação do Partido dos Trabalhadores na Bahia.

“Nem todo irmão é um amigo, mas todo amigo é um irmão”, afirmou Lula ao mencionar a amizade construída ao longo de décadas com o senador baiano.

Lula relembra vitória histórica de Jaques Wagner

Durante o evento, o presidente recordou o momento em que Jaques Wagner deixou o Ministério do Trabalho, em seu primeiro mandato presidencial, para disputar o governo da Bahia contra o grupo político liderado pelo falecido ex-governador Antônio Carlos Magalhães (ACM).

Segundo Lula, ele próprio acreditava que seria praticamente impossível derrotar o tradicional grupo político baiano, mas Wagner surpreendeu ao vencer ainda no primeiro turno.

O presidente também destacou a sequência de vitórias do PT no estado, lembrando as eleições de Rui Costa para o governo em 2014 e 2018, além da eleição de Jerônimo Rodrigues em 2022, apontando a Bahia como um dos principais redutos eleitorais do partido.

Presença de Wagner amplia repercussão do caso Banco Master

A participação de Jaques Wagner no evento ganhou repercussão por ocorrer poucos dias após sua saída da liderança do governo no Senado em razão das investigações ligadas ao Banco Master.

Embora o senador negue qualquer irregularidade e ainda não tenha sido condenado, seu nome passou a integrar o noticiário político em razão das apurações conduzidas pelas autoridades.

Mesmo diante desse cenário, Lula fez questão de manter o aliado em posição de destaque durante a cerimônia, gesto interpretado por integrantes do governo como uma demonstração de confiança política.

Oposição intensifica críticas ao presidente

A presença de Jaques Wagner ao lado de Lula também provocou reações de adversários políticos.

Parlamentares da oposição afirmaram que o presidente mantém apoio a aliados investigados e sustentam que o governo adota discursos diferentes quando as investigações envolvem integrantes da própria base política. Esses críticos argumentam que o Planalto deveria adotar uma postura mais rigorosa diante de casos sob investigação.

Por outro lado, integrantes do governo e aliados do PT ressaltam que investigações não representam condenações e defendem o respeito ao princípio constitucional da presunção de inocência, segundo o qual ninguém pode ser considerado culpado antes de decisão definitiva da Justiça.

Bahia continua sendo prioridade política para Lula

Além do gesto de apoio a Jaques Wagner, a agenda em Alagoinhas reforçou a importância estratégica da Bahia para o governo federal.

O estado permanece como um dos maiores redutos eleitorais do presidente Lula e concentra investimentos em infraestrutura, saúde e programas sociais. Ao reunir lideranças como Jerônimo Rodrigues, Rui Costa, Jaques Wagner e o senador Otto Alencar (PSD-BA) no mesmo palanque, o presidente buscou transmitir uma imagem de unidade política às vésperas do período eleitoral.

Enquanto as investigações envolvendo o caso Banco Master seguem em andamento, a presença de Jaques Wagner ao lado do presidente demonstra que Lula continua prestigiando um de seus mais antigos aliados políticos, mesmo diante da pressão da oposição e da intensa repercussão das apurações.

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